Lojista 431

19 Móbile Lojista 431 | Agosto 2026 | Ano XLIV exigem menor desembolso do que a troca de um ambiente completo podem manter ativa a intenção de compra e abrir novas ocasiões de venda. COMPOSIÇÃO COMO MÉTODO DE VENDA No varejo especializado, o potencial dos complementos depende menos da peça isolada e mais do contexto criado ao redor dela. Um buffet sem ambientação pode ser percebido apenas como um volume; ao lado de uma mesa, com louças, luminária e objetos, passa a comunicar organização, apoio e estilo. A mesma lógica vale para os demais itens: a exposição não precisa reproduzir uma residência inteira, mas deve deixar claro onde o produto entra, que função desempenha e com quais móveis pode dialogar. Esse raciocínio amplia a venda consultiva porque oferece novas entradas de conversa. Em vez de perguntar somente qual móvel o cliente procura, vale entender onde a peça será colocada, o que precisa acomodar, quais objetos deseja expor, quanto espaço está disponível e que elementos já existem no ambiente. A partir dessas respostas, o complemento deixa de ser tratado como acessório e passa a ser apresentado como solução. Quando o consumidor compreende uso, proporção e combinação, a comparação tende a se afastar do preço isolado. A estrutura do mix também pode ser organizada por função e faixa de investimento. Mesas laterais, nichos e prateleiras atendem a intervenções pontuais; aparadores, buffets e carrinhos ampliam apoio e organização; cristaleiras e bares trabalham maior presença visual e valor percebido. O papel do lojista é oferecer portas de entrada distintas sem transformar a loja em uma sucessão de modelos semelhantes. Variedade, nesse caso, não significa excesso, mas cobertura de necessidades. Nos lançamentos do mercado, alguns recursos aparecem com frequência: lâminas naturais de madeira, padrões amadeirados, pintura em laca, vidro, espelho, iluminação em LED, pés elevados, bordas chanfradas, formas curvas e estruturas mais espessas. Esses elementos ajudam a criar identidade, mas só se tornam argumentos comerciais quando associados a benefícios compreensíveis. O acabamento precisa comunicar algo além da estética. A lâmina natural introduz textura e variação visual; o vidro mantém os objetos visíveis; o espelho amplia a sensação de profundidade; o LED destaca o interior; os pés elevados aliviam o volume e facilitam a limpeza; corrediças telescópicas tornam o uso mais suave; portas com amortecimento qualificam o fechamento. Para o vendedor, a melhor abordagem não é recitar materiais, mas traduzir escolhas. O consumidor raramente compra “MDF de 25 mm” como informação isolada. Ele compra a sensação de robustez que a espessura comunica e a confiança de que o móvel responderá ao uso esperado. Essa tradução é decisiva porque os complementos ocupam uma zona híbrida entre função e decoração. A mesma peça pode organizar, apoiar, expor, dividir ou valorizar uma área da sala. É justamente essa multiplicidade que sustenta seu valor, desde que a equipe consiga demonstrá-la sem sobrecarregar o discurso. NA VITRINE: MARCAS TOP O segmento de Complementos para Sala integra a categoria Fabricantes de Móveis desde a criação do Prêmio Top Móbile, em 2006, com pequenas variações de nomenclatura ao longo dos anos. Em 21 edições, 15 empresas somaram 70 indicações, em um histórico marcado pela permanência de marcas consolidadas e pela entrada de novos nomes. A Artely ocupa uma posição singular nessa trajetória: esteve no pódio em todas as edições, com 20 primeiros lugares e uma segunda colocação. A única mudança na liderança ocorreu em 2023, quando a Bechara ficou em primeiro e a Artely, em segundo. A Bechara soma dez indicações, enquanto a DJ Móveis aparece 12 vezes, divididas igualmente entre segundos e terceiros lugares. Outras marcas ajudam a contar as diferentes fases do segmento. A Imaza reúne seis indicações; EDN e Dalla Costa, quatro cada. Nos anos mais recentes, a presença da Cimol e Imcal entre as mais lembradas ampliou o grupo, ao lado da recorrência de Artely, Bechara e DJ Móveis, mostrando renovação sem apagar a força das empresas historicamente reconhecidas. O segmento também esteve presente na antiga categoria Fabricantes de Móveis de Decoração, que existiu de 2007 a 2016. Nesse recorte, Sier participou das dez edições, com oito primeiros lugares e duas segundas colocações. Herval somou oito indicações, sendo duas em primeiro e seis em segundo, seguida por Rudnick, com cinco, e Lider, com quatro. A trajetória reforça a capacidade do Top Móbile de registrar, ao longo do tempo, as marcas que permanecem na memória do mercado moveleiro.

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