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27 SETEMBRO 2026 No Paraná, o pano de fundo é um polo que depende de regularidade de produção e retenção de mão de obra. O presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Arapon- gas (Sima), José Lopes Aquino, avalia que a NR-1 pode ter efeito positivo ao colocar o tema em evidência. “O cuidar do ambiente de trabalho estará agora mais em evidência pelo ajuste da NR-1, gerando maior conscientização de todos, podendo melhorar o absenteísmo, o turnover e, por consequência, esperamos, a produtividade”, diz. O Sima representa uma base sindical de 42 cidades, mais de mil indústrias e aproximadamente 20 mil em- pregos diretos. O Iemi registra 199 unidades produtoras em Arapongas em 2023, considerando apenas empresas com empregados formali- zados; a estimativa do Sima chega a 400, porque inclui também peque- nas operações familiares, especial- mente na linha de poltronas, que não registram trabalhadores. O polo fatura acima de R$ 5 bilhões por ano e exporta cerca de 12% da produção para aproximadamente 60 países. É uma estrutura que depende de linha de produção funcionando com regularidade, turnos previsíveis e mão de obra retida. Não por aca- so, segundo o relatório Brasil Móveis 2024, do Iemi, 91,7% das empresas do segmento operam em turno úni- co de oito horas diárias. Para quem trabalha seis dias nesse regime, a redução para cinco dias exigiria redistribuir horas alongando o turno ou contratar mais trabalhadores, o que torna qualquer mudança de escala um ajuste de grande impacto operacional. Sobre o 6x1, Aquino é enfático: “Somos contra o fim da es- cala 6x1, pois isso encarecerá muito a produção das indústrias de móveis, que são, em sua grande maioria, pequenas e médias empresas”. A preocupação se estende à cadeia. Na indústria, o impacto é direto. Segundo nota técnica do Ipea publicada em fevereiro de 2026 com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023, 97,7% dos trabalhadores da fabrica- ção de móveis têm jornada contra- tual acima de 40 horas semanais, um dos percentuais mais altos entre os setores analisados, com aumento estimado de 9,71% no custo por hora trabalhada. No varejo, o efeito também aparece com força. Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, projeta queda de 5,5% na geração de riqueza para pequenas lojas de móveis e eletrodomésticos em caso de implantação imediata. Para o professor Claudio Felisoni, presiden- te do Ibevar e responsável pela pes- quisa, a explicação é estrutural: nas pequenas operações do segmento, 60% da geração de valor depende do fator trabalho e apenas 40% do capital. “Com a redução dos dias trabalhados, a loja perde horas de balcão, sendo obrigada a aumentar o quadro de funcionários para man- ter a loja aberta e o atendimento com a mesma qualidade”, explica. Mesmo no cenário mais otimista projetado pelo estudo do Ibevar, com automação ampla, inteligência artificial integrada e ganhos de pro- dutividade de 2,5% ao ano ao longo de dez anos, o impacto negativo sobre o PIB cai de 0,31 para 0,25 ponto percentual. A perda encolhe, mas não desaparece. Os estudos sobre o impacto da mudança divergem: a Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta queda de 1,2% no PIB industrial, enquanto o próprio Ipea, na mesma nota técnica, estima custo opera- cional adicional abaixo de 1% na indústria e no comércio quando considerado o peso do trabalho no custo total de cada setor. A diferen- ça está nos critérios – o debate não é puramente técnico. Para a Abimóvel, um ponto sensível está em quem absorve o ajuste. Boa parte da indústria moveleira opera sob o Simples Nacional, onde a tributação incide sobre faturamento, não sobre folha. Na prática, isso significa que medidas compensató- rias via desoneração chegam com força reduzida às micro e pequenas empresas. A regra muda para todos; a capacidade de adaptação, não. Em 2025, o setor registrou queda de 8,4% na produtividade, o que reforça a sensibilidade a qualquer aumento de custo-hora sem con- trapartida de eficiência. A entida- de defende transição progressiva entre cinco e dez anos e aponta a negociação coletiva como mecanis- mo de calibragem setorial, posição formalizada em ofício encaminhado ao vice-presidente Geraldo Alckmin. Divulgação Gazin Na Gazin, indicadores de turnover, absenteísmo e clima organizacional são monitorados continuamente para identificar sinais de sobrecarga antes que virem afastamento
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