Fornecedores 361

26 FORNECEDORES SOB MEDIDA 361 ComaNR-1 emvigor e o debate sobre o 6x1 emcurso, a indústriamoveleira precisamapear riscos psicossociais e avaliar os impactos de uma possível reorganização do trabalho Da norma ao turno Q uando a Câmara dos Depu- tados aprovou, em 27 de maio, a PEC que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada semanal para 40 horas em cinco dias, levando o texto ao Senado, a atu- alização da NR-1 reforçava outra frente: a exigência de mapear e registrar fatores de risco psicos- sociais no Programa de Gerencia- mento de Riscos (PGR). O ponto de contato é concreto. Jornada, metas, pausas e liderança, que entram na discussão da escala, também compõem o conjunto de fatores que a norma passa a exigir que a empresa identifique e ge- rencie na organização do trabalho. Essa conexão aparece na rotina de gestão. A Caemmun, fabricante do polo de Arapongas, afirma que a atualização da NR-1 reforçou Por Júlia Magalhães Envato GESTÃO DE PESSOAS práticas já existentes ligadas ao desenvolvimento de lideranças, co- municação e clima organizacional. A gerente de pessoas da empresa, Dayane Poggian, diz que a lide- rança tem papel decisivo por estar mais próxima das equipes. “Muitas vezes, uma conversa, uma orienta- ção ou simplesmente a disponibi- lidade para ouvir fazem diferença na construção de um ambiente de trabalho mais saudável”, afirma. A PEC foi aprovada por ampla maioria em dois turnos. O texto prevê um período de transição para a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e garante que não haverá redução salarial. Para entrar em vigor, precisa ainda ser aprovada pelo Senado. Enquan- to o Congresso decide, a NR-1 já exige resposta das empresas. Cuidar do ambiente de trabalho deixou de ser boa prática e passou a ser obrigação com prazo e fiscalização Jornadas longas, metas incompatí- veis, turnos sem pausa adequada e pressão contínua figuram entre os fatores que passam a ser tratados como risco ocupacional formal, da mesma forma que já são tratados riscos físicos, químicos e biológicos. Esse é também o terreno em que o debate do 6x1 se ancora. Para a indústria moveleira, intensiva em mão de obra e sensível a custo-ho- ra, as implicações das duas frentes exigem reorganização com recursos que nem sempre estão disponíveis. Segundo a Associação Brasilei- ra das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), a cadeia do mobiliário reúne mais de 22,8 mil empresas, formadas em sua ampla maioria por companhias de menor porte, com menor capacidade de absorver variações abruptas de custo.

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