Lojista 427

13 Móbile Lojista 427 | Abril 2026 | Ano XLIV BALANÇO DE MERCADO Confiança oscila e reforça cautela no varejo Março combina melhora nas expectativas do consumidor com piora no comércio e aumento da incerteza, mantendo o varejo de móveis em um cenário desafiador Por: Júlia Magalhães O s indicadores de março mostramum cenário misto para o varejo. Enquanto o consumidor voltou a apresentar leve melhora nas expectativas, o comércio e os empresários demonstraram maior cautela, pressionados por incertezas externas e limitações internas como crédito restrito e endividamento das famílias. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 2,0 pontos no mês, atingindo 88,1 pontos, após duas quedas consecutivas. A alta foi puxada exclusivamente pelas expectativas, com o Índice de Expectativas avançando 3,4 pontos. Já o Índice de Situação Atual recuou 0,3 ponto, indicando que, apesar de um olhar mais positivo para o futuro, as condições presentes ainda seguempressionadas. Segundo a economista do FGV IBRE, Anna Carolina Gouveia, a melhora reflete uma redução do pessimismo das famílias, influenciada por emprego, renda, inflação e juros. O indicador de situação financeira futura da família avançou 6,5 pontos, enquanto o de compras previstas de bens duráveis – relevante para o setor moveleiro – subiu 1,1 ponto, indicando demanda ainda sensível ao crédito. Em sentido oposto, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou 2,7 pontos emmarço, para 84,6 pontos, registrando a segunda queda consecutiva. Omovimento foi puxado pela piora nas expectativas, com o Índice de Expectativas do Comércio caindo 4,4 pontos e atingindo seumenor nível desde setembro de 2025. De acordo com a economista do FGV IBRE, Geórgia Veloso, o resultado reflete um aumento do pessimismo em relação aos próximos meses, especialmente no que diz respeito à tendência Adobe Stock dos negócios. O indicador que mede essa percepção recuou 5,7 pontos, acumulando três quedas seguidas. Já as perspectivas de vendas nos próximos três meses também perderam força, com queda de 2,9 pontos. O quadro do comércio também apresentou enfraquecimento. O Índice de Situação Atual recuou 0,8 ponto, comdestaque para a queda no indicador de demanda, que atingiu o menor nível desde 2020. O resultado reforça um ambiente ainda pressionado, em que o consumo não acompanha a resiliência do mercado de trabalho. No campo empresarial, a prévia de março indica recuo de 0,4 ponto no Índice de Confiança Empresarial (ICE), também influenciado pela piora nas expectativas. O Índice de Expectativas Empresariais caiu 1,1 ponto, enquanto o indicador de situação atual apresentou leve alta, sinalizando uma estabilidade relativa no presente, mas com projeções mais cautelosas. Ao mesmo tempo, o Indicador de Incerteza da Economia voltou a subir, com alta de 3,6 pontos na prévia do mês. O avanço está associado ao aumento das tensões geopolíticas internacionais, com reflexos tanto no volume de notícias quanto na dispersão das expectativas econômicas. Para o varejo demóveis, março reforça a necessidade de equilíbrio entre oportunidade e prudência. Amelhora das expectativas do consumidor indica espaço para estímulo à demanda, mas o enfraquecimento do comércio e o aumento da incerteza apontampara umambiente ainda sensível. Nesse contexto, condições de pagamento, clareza de valor e ajuste demix seguem fundamentais para sustentar as vendas no curto prazo. Expectativas melhoram, mas consumo e comércio ainda enfrentam pressão

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