Lojista 426
49 Móbile Lojista 426 | Março 2026 | Ano XLIV Ao falar de influência, Marlei faz questão de deslocar o foco do cargo para a credibilidade. Para ela, “a voz ativa não surge de um cargo, mas da credibilidade construída no dia a dia”. O ponto de virada veio quando decisões relacionadas a padronização e eficiência deixaram de ser discurso e passaram a aparecer em indicadores: “redução de retrabalho, melhoria de prazos e ganho de produtividade e qualidade”. É uma síntese rara: impacto industrial traduzido em resultados objetivos e, ao mesmo tempo, em legitimidade para participar de decisões estratégicas. Essa mudança de lugar – do operacional para o sistêmico – aparece também na forma como Marlei descreve a transformação de mentalidade necessária para sustentar uma indústria mais previsível. “Foi necessário desenvolver uma mentalidade mais orientada a dados, indicadores e melhoria contínua. Para mim, significou sair do operacional e ampliar a visão sistêmica”, afirma. Na equipe, o movimento tem sido diário: “adaptação à cultura de padronização, metas claras e acompanhamento constante de resultados”. Ela reconhece o desconforto natural da mudança, mas aponta o que faz a engrenagem girar: “quando todos entendem o propósito, passam a fazer parte da solução.” No papel de diretora industrial, Marlei descreve uma combinação de competências que foge do estereótipo da liderança exclusivamente técnica. “Desenvolvi habilidades como escuta ativa, capacidade analítica, tomada de decisão sob pressão e gestão de pessoas”, diz. E completa: “equilibrar firmeza e sensibilidade”. Em um ambiente fabril, esse equilíbrio costuma ser o divisor entre comando e liderança – especialmente quando o objetivo é formar pessoas e não apenas entregar metas. “Considero essencial saber formar líderes dentro da própria equipe”, afirma. LIDERANÇA INTEGRATIVA A presença feminina na diretoria da Nicioli, segundo Marlei, não é um detalhe, mas um fator que influencia a forma de construir decisões. “A presença feminina na diretoria traz uma dinâmica mais colaborativa, humana e estratégica às decisões”, diz. “Há uma construção mais participativa, com troca de perspectivas e atenção aos impactos de longo prazo.” Ela faz um contraponto importante: isso não significa suavidade ou falta de rigor. “Isso não significa uma gestão menos firme, mas uma liderança que integra diferentes visões e fortalece o coletivo.” “Fui inspirada por mulheres determinadas que mostraram que liderança se constrói com trabalho, ética, coragem e persistência.” Em um setor historicamente masculino – especialmente no ambiente fabril – Marlei aponta aprendizados que têm mais relação com postura do que com discurso. “Aprendi que posicionamento e preparo técnico são fundamentais”, afirma. E destaca três ferramentas que atravessam gestão de equipes, conflitos e negociações: “comunicação clara, inteligência emocional e construção de respeito por meio da competência.” Quando o assunto é futuro e inspiração, Marlei evita generalizações e fala em estrutura. “Vejo a presença feminina crescendo de forma consistente no setor moveleiro, especialmente em áreas estratégicas e de gestão. Ainda há muito espaço para avançar, principalmente no chão de fábrica e em posições técnicas”, afirma. Para que esse avanço seja sustentado, ela defende ações concretas: “é fundamental investir em formação, programas de desenvolvimento e, principalmente, criar ambientes que valorizem a diversidade.” Na síntese, aponta o núcleo do desafio: “a mudança começa na mentalidade e se fortalece na prática.” Para ela, o equilíbrio entre liderança industrial e vida pessoal passa por escolhas conscientes. “Não é sobre dividir o tempo igualmente, mas sobre estar presente de forma consciente em cada papel que exercemos”, diz. Para isso, destaca organização, rede de apoio e clareza de prioridades, além do “apoio da família, uma equipe estruturada e confiança nos processos” como pilares para tornar a jornada sustentável. Ao falar de legado, Marlei retorna à tríade que guia seu momento profissional. “Acredito que o legado que estou construindo envolve três pilares: modernização com responsabilidade, fortalecimento da cultura organizacional e abertura de caminhos para outras mulheres”, afirma. E completa: “honrar a história da Nicioli enquanto preparo a empresa para o futuro – com eficiência, inovação e inclusão.” Em um setor pressionado por produtividade e transformação, sua trajetória mostra que a indústria também é cultura, método e pessoas.
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