Lojista 426
12 Móbile Lojista 426 | Março 2026 | Ano XLIV BALANÇO DE MERCADO Confiança do varejo sobe, mas consumidor recua Janeiro abre 2026 com expectativas em alta no comércio e entre empresários, enquanto famílias seguem cautelosas por juros e endividamento No início de 2026, o varejo projeta melhora à frente, mas a compra de bens duráveis segue sensível ao custo do crédito e ao orçamento das famílias Por: Júlia Magalhães E m janeiro, os índices de confiança da FGV IBRE desenharamum começo de ano commelhora do humor quando se olha para a frente, mas com restrições no presente. Para o varejo de móveis, isso significa mais espaço para planejamento, porém comuma compra ainda sensível a juros, endividamento e parcelamento. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 1,8 ponto no mês (FGV IBRE, divulgação de 26 de janeiro de 2026), interrompendo quatro altas seguidas. A queda foi puxada pelas expectativas: o Índice de Expectativas recuou 2,5 pontos e o Índice de Situação Atual caiu 0,8 ponto. Divulgação “Após subir por quatro meses seguidos, a confiança do consumidor recua num movimentode reversãodas expectativas para os próximos meses”, afirma a economista doFGVIBRE, AnnaCarolina Gouveia, ao citar como condicionantes negativos os juros elevados e o endividamento. Oresultado é disseminado entre três das quatro faixas de renda, concentradonas famílias que recebemumamenor remuneração. No recorte mais relevante para o setor, o indicador de compras previstas de bens duráveis avançou 3,4 pontos e alcançou 85,5 pontos, o maior nível desde agosto de 2025 – sinal de demanda potencial, ainda que mais dependente do custo do crédito. Do lado do comércio, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) subiu 3,0 pontos, com alta em quatro dos últimos cinco meses. Amelhora ficou concentrada nas expectativas: o Índice de Expectativas do Comércio aumentou 4,6 pontos, na quinta alta consecutiva. “A alta foi puxada pelo avanço expressivo nas projeções de vendas para os próximos meses”, aponta a economista do FGV IBRE, Geórgia Veloso, ressaltando que, apesar da pequena recuperação da demanda atual, o cenário segue marcado por juros elevados e alto endividamento. A confiança empresarial também abriu o ano em alta. O Índice de Confiança Empresarial (ICE) avançou 0,5 ponto, com melhora concentrada no componente de expectativas, que registrou a maior alta desde agosto de 2024. O componente de situação atual recuou levemente e segue apontando níveis de atividade mais fracos do que os do mesmo período do ano passado, mas as projeções de demanda para os próximos meses já aparecem com reflexos nas intenções de contratação, segundo o FGV IBRE. Para o lojista de móveis, o recado do mês é de oportunidade com prudência. O otimismo do comércio indica planejamento mais positivo para o primeiro trimestre, mas o recuo do consumidor – sobretudo nas faixas de menor renda – reforça a importância de estratégias que reduzam fricção na compra: clareza de valor do produto, mix equilibrado e condições de pagamento compatíveis com o orçamento das famílias. A alta nas compras previstas de duráveis dá sustentação ao esforço comercial, desde que o parcelamento e o crédito não se tornem barreiras.
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