Lojista 425
50 Móbile Lojista 425 | Jan/Fev 2026 | Ano XLIV Nada disso se sustenta sem dados estruturados. Base de dados organizada não é luxo tecnológico, é ferramenta de sobrevivência. Sem ela, decisões de mix são intuitivas, ajustes de preço são tardios e análises de performance viram achismo. Com ela, eficiência deixa de ser esforço pontual e passa a ser método recorrente. Apergunta que fica para lojistas e indústrias é simples e incômoda: estamos operando de forma eficiente ou ainda dependemos de improviso para sustentar resultados? Emum mercado pressionado por preço, prazo e experiência, eficiência deixou de ser discurso. Tornou- se o requisitomínimo para crescer e, emmuitos casos, apenas para continuar relevante. OPINIÃO Por: Philipe Cordeiro D urante muito tempo, estar no digital foi tratado como sinônimo de modernidade. Ter um site funcional, subir produtos emmarketplaces oumanter presença ativa nas redes sociais parecia suficiente para sinalizar evolução. Esse tempo acabou. O varejo digital de móveis entrou emuma fase mais dura, mais madura e, principalmente, mais competitiva. E 2025 escancarou essa mudança: não vence quem está no digital, vence quem opera bemno digital. Eficiência passou a ser o principal diferencial competitivo do setor. Não eficiência como discurso bonito em apresentações estratégicas, mas como prática diária e mensurável: portfólio bemdefinido, curadoria clara, cadastro profissional, processos consistentes e decisões orientadas por dados. Emum ambiente em que o consumidor pesquisa mais, compara mais e abandona rapidamente experiências ruins, o improviso deixou de ser flexibilidade e passou a ser custo e um custo alto. Ainda vemos muitas operações dependentes do “jeitinho”. Catálogos inflados sem lógica comercial, descrições incompletas, imagens inadequadas, informações técnicas divergentes e ausência total de estratégia de mix continuam sendo comuns. O impacto disso é direto e rápido: baixa conversão, aumento de devoluções, mais reclamações, perda de margem e desgaste da percepção de valor. Não se trata de um problema de tráfego ou de marketing. É um problema estrutural. Eficiência começa no cadastro. No digital, o cadastro é o vendedor. Um produto mal descrito não vende menos apenas porque o cliente não entende; ele vende menos porque transmite insegurança. Se não explica com clareza, não antecipa dúvidas e não gera confiança, a venda não acontece. E quando acontece, muitas vezes retorna como troca ou insatisfação. Profissionalizar esse processo impacta vendas reais, não métricas de vaidade. A curadoria é outro ponto frequentemente negligenciado. Ter mais produtos não significa ser mais competitivo. Pelo contrário: excesso sem estratégia aumenta a complexidade operacional, confunde o consumidor e dificulta a gestão de estoque, preço e margem. Curar é escolher, priorizar e, principalmente, dizer não. É alinhar portfólio ao público, ao canal e ao momento do mercado. Curadoria bem- feita reduz erros, aumenta giro e fortalece marca. Philipe Cordeiro é CEO da moveeis.com e atua há mais de 20 anos no setor moveleiro, conectando indústria, varejo físico e digital. Especialista em varejo, e-commerce e gestão estratégica, tem formação em Administração e Gestão Comercial, além de especialização em IA Generativa pelo MIT. Com visão integrada de mercado, tecnologia e comportamento do consumidor, liderou negócios relevantes e contribui para o fortalecimento do ecossistema moveleiro no Brasil. O ano da eficiência SIGA @philipecordeiro | @moveeispontocom Contato: moveeis.com No comércio digital de móveis, eficiência deixou de ser vantagem competitiva. Virou condição básica de sobrevivência
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MTY1NDE=