Lojista 425

49 Móbile Lojista 425 | Jan /Fev 2026 | Ano XLIV custo médio dos benefícios de saúde por funcionário cresceu mais de 16% nos últimos cinco anos. Mesmo com investimentos que chegam a cifras elevadas, os resultados desses programas podem ser comprometidos por uma má gestão. Quando o bem-estar dos colaboradores é afetado, os reflexos rapidamente aparecem no negócio: aumentam as ausências, caem os níveis de desempenho. A satisfação dos clientes se deteriora, a qualidade se perde – e, no fim da cadeia, o lucro também é impactado, alerta a Gallup. “Assim como nenhuma empresa estimularia hábitos comprovadamente nocivos à saúde, também é preciso considerar que lideranças despreparadas têm efeito semelhante. Repensar a gestão, portanto, torna-se indispensável: gestores inadequados prejudicam a saúde dos funcionários e, inevitavelmente, os resultados financeiros da organização”, afirma o estudo. Apesar disso, 82% das empresas ainda promovem gestores pelos motivos errados – normalmente tempo de casa ou desempenho técnico. O problema é que liderar pessoas exige outro tipo de competência: empatia, visão, capacidade de inspirar e desenvolver. A Gallup estima que apenas uma em cada dez pessoas possui talento nato para a função, mas que essas lideranças, quando bem-posicionadas, geram até 48% mais lucro do que os gestores medianos. Por isso, a recomendação é clara: as empresas devem tratar a boa liderança como um benefício e um diferencial competitivo. Promover gestores talentosos, treiná-los continuamente e destacar esse fator como parte da proposta de valor da marca empregadora pode ser decisivo na atração e retenção de talentos. Afinal, se as pessoas deixam chefes, também escolhem empregos com bons líderes. CULTURA COMO ESTRATÉGIA DESDE O INÍCIO Para a cofundadora da Start Growth e mentora de startups SaaS (Software como Serviço), Marilucia Silva Pertile, a construção da cultura começa antes mesmo da primeira contratação – e molda todas as outras. “Os empreendedores falam muito de captação e vendas, mas esquecem que cultura também é estratégia. A forma como se escolhe e se integra a primeira pessoa define a lógica das próximas dez, cem ou mil contratações”, afirma. No podcast Start Growth Talks, o CEO da VHSYS (empresa brasileira de soluções de gestão empresarial para micro e pequenas empresas), Reginaldo Stocco, reforçou essa visão com base na própria experiência. “Na VHSYS, a primeira contratação priorizou valores mais do que currículo. O maior erro é buscar apenas técnica, ignorando que um talento desalinhado pode comprometer toda a cultura. Investidores querem ver times coesos, e não apenas números. Um manual ajuda, mas é a liderança que dá o exemplo.” A teoria se sustenta nos números: dados da Gallup indicam que equipes altamente engajadas são 21% mais lucrativas e 17% mais produtivas. Já um levantamento da CB Insights mostra que 23% das startups encerram suas atividades por problemas de equipe ou conflitos entre fundadores – número que supera até causas financeiras. No Brasil, a Abstartups aponta que formação de times, gestão de talentos e clareza de propósito são os principais desafios dos empreendedores. Para Marilucia, a cultura tem efeito multiplicador. “Cada nova contratação funciona como um espelho da primeira. Se os valores não estiverem claros desde o início, a cultura se perde”. Ela defende cinco etapas essenciais para consolidar a cultura organizacional desde o início: 1 - Defina valores claros e comunicáveis antes da primeira contratação; 2 - Escolha pessoas que compartilhem do propósito, não apenas da função; 3 - Estabeleça rituais simples de cultura (reuniões, feedbacks, reconhecimento); 4 - Documente práticas e comportamentos esperados; 5 - Revise constantemente se as ações refletem os princípios da empresa. O varejo moveleiro passa por um cenário de transformações aceleradas, escassez de talentos e alto turnover. Por isso, construir uma cultura forte deixou de ser opcional. Empresas que investem em boas lideranças e em valores claros desde o início colhem resultados tangíveis e sustentáveis. Afinal, cultura não é o que está escrito na parede, mas o que se vive todos os dias, a começar pelos gestores que inspiram, escutam e direcionam suas equipes com propósito. Como resume Marilucia, “o mercado muda, a tecnologia evolui e o capital pode oscilar. O que mantém a empresa de pé é a clareza de propósito e o comprometimento das pessoas com esse propósito. Cultura é o que garante consistência mesmo em cenários de incerteza”. Marilucia Silva Pertile, cofundadora da Start Growth, defende que a cultura começa na primeira contratação e sustenta a escalabilidade Divulgação

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