Lojista 425
15 Móbile Lojista 425 | Jan /Fev 2026 | Ano XLIV O indicador de compras previstas de bens duráveis – um termômetro importante para o varejo moveleiro – teve leve alta de 0,3 ponto, para 84,9 pontos. Apesar do avanço, o patamar ainda é considerado baixo e sugere que o consumidor continua evitando despesas maiores, priorizando itens essenciais. COMÉRCIO APOSTA NA RETOMADA GRADUAL O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) avançou 0,2 ponto em dezembro, para 90,1 pontos, também registrando a quarta alta consecutiva. A melhora foi puxada exclusivamente pelas expectativas: o Índice de Expectativas (IE-COM) subiu 1,0 ponto, para 89,2 pontos. Já o Índice de Situação Atual (ISA-COM) caiu 0,6 ponto, para 91,6, com queda no indicador de situação atual dos negócios e leve alta na percepção da demanda. De acordo com a economista do FGV IBRE, Geórgia Veloso, o movimento do comércio em 2025 foi marcado por um ambiente morno, com consumo contido por juros altos e endividamento, mas compensado parcialmente por uma melhora no emprego. A expectativa para 2026 é que o possível alívio na política monetária e mudanças fiscais, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, possam contribuir para um cenário mais favorável às vendas. INCERTEZA EM QUEDA APONTA CENÁRIO MAIS ESTÁVEL O Índice de Confiança Empresarial (ICE) subiu 0,3 ponto em dezembro, chegando a 90,8 pontos. Embora ainda abaixo do nível considerado neutro (100 pontos), o resultado sugere estabilização após quedas observadas no segundo semestre. O Índice de Expectativas Empresariais (IE-E) foi o destaque positivo, com alta de 0,7 ponto, indicando melhora na visão dos empresários sobre os próximos meses. Em contrapartida, o Índice de Situação Atual (ISAE) recuou 0,1 ponto e acumula perdas em seis dos últimos sete meses. Entre os componentes, o indicador de otimismo com a demanda nos três meses seguintes subiu 2,6 pontos, enquanto a expectativa sobre os negócios nos próximos seis meses teve queda de 1,3 ponto. Essa oscilação reforça a leitura de um empresariado mais cauteloso no curto prazo, mas com sinais de melhora no médio prazo. O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) recuou 3,1 pontos em dezembro, para 104,5 pontos, consolidando- se abaixo dos 110 pontos pelo quarto mês consecutivo. O movimento foi influenciado principalmente pela queda no componente de Mídia, que reflete o volume de notícias com conteúdo econômico incerto. Segundo Anna Carolina, a redução da incerteza ao longo de 2025 está ligada à maior previsibilidade da política econômica e à desaceleração da inflação. Para 2026, no entanto, o ambiente político e fiscal pode voltar a gerar instabilidade, exigindo atenção do setor varejista. BLACK FRIDAY E NATAL SUSTENTAM VENDAS NO FIM DO ANO Mesmo com eventos promocionais de grande peso como a Black Friday e o Natal, o varejo em novembro e dezembro de 2025 mostrou desempenho misto. O Índice Cielo do Varejo Ampliado apontou crescimento de 1,9% nas vendas da Black Friday em relação a 2024, com destaque para o e-commerce, que teve alta de 16%. As lojas físicas, por outro lado, apresentaram leve retração. Estimativas apontam que a Black Friday movimentou cerca de R$ 5,4 bilhões no varejo nacional. No Natal, o cenário foi semelhante: houve crescimento estimado de 2,1% no faturamento, além de um aumento de 5% nas vagas temporárias. Os números indicam que, mesmo em um ambiente econômico restritivo, o consumidor respondeu às promoções de fim de ano. No entanto, indicadores ajustados pela inflação mostram que o varejo registrou queda real de 1,7% em novembro, sugerindo que os descontos não compensaram integralmente o impacto dos preços elevados e do crédito caro. PERSPECTIVAS PARA 2026 O varejo brasileiro fechou o ano com crescimento modesto, sustentado principalmente pelo desempenho de datas sazonais e por uma recuperação lenta da confiança. Projeções de instituições como BBVA Research apontam um crescimento do PIB em torno de 2,2 % no ano, refletindo uma economia com expansão moderada. Para 2026, o cenário deve ser de recuperação gradual. O Indicador de Tendências de Consumo e Varejo (ITCV) projeta crescimento de 2,08 % para o varejo brasileiro, com expectativa de melhora no ambiente macroeconômico, leve redução nos juros e estímulos ao consumo. O primeiro trimestre tende a manter esse ritmo moderado, com vendas nominais positivas, ainda que ajustadas pela inflação. No setor de móveis e eletrodomésticos, a expectativa é de que a combinação entre crédito mais acessível e maior estabilidade da renda impulsione uma retomada mais sólida. Essa evolução, contudo, seguirá condicionada ao controle da inadimplência e à confiança do consumidor.
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