Lojista 424

47 Móbile Lojista 424 | Dezembro 2025/Janeiro 2026 | Ano XLIII Ele ficava na estrada e eu no suporte, como acontece em muitas representações. Em setembro de 2025, infelizmente, ele faleceu por complicações de saúde. Mesmo com todas as dificuldades, segui com a empresa, que era nossa, e passei a ir para campo. Encarei a estrada com coragem, enfrentando desafios, preconceitos e dificuldades, mas de cabeça erguida. Lojista | Quais marcas você representa atualmente e em quais regiões? Alyne | Hoje represento as empresas Móveis Teixeira, Estofados Teixeira, Incobel, Móveis Vila Rica, Ellegance Móveis e JSilva Móveis. Atuo na região Sul Fluminense do Rio de Janeiro, até Angra dos Reis. Lojista | O que te move no dia a dia dessa profissão? Alyne | O reconhecimento pelo que faço. Ver que consegui fidelizar um cliente e que ele ficou satisfeito com o meu trabalho é o que me impulsiona. Lojista | Tem alguma história marcante, desafio superado ou aprendizado que considera inesquecível na sua vivência como representante? Alyne | O maior desafio foi a perda do meu marido. Éramos parceiros de vida e de trabalho. Me vi sozinha com um filho para criar e uma empresa para tocar. Uma semana depois, arregacei as mangas e fui à luta, pois não podia perder tudo que construímos. Conciliar a rotina do meu filho com as viagens não foi fácil, precisei acionar minha rede de apoio, ajustar horários e seguir em frente. Todas essas dificuldades me fizeram crescer e me fortalecer. Lojista | O setor vem passando por muitas transformações. Quais mudanças mais impactaram a sua forma de trabalhar? Alyne | O comércio on-line tem sido um desafio. A tecnologia avançou muito e mudou a dinâmica das vendas. Mas me adaptei, criei recursos on-line para estar mais próxima dos clientes. Afinal, quem não é visto, não é lembrado. Lojista | A maneira de comprar e vender também mudou bastante. Como essas mudanças influenciaram sua rotina ou a relação com os lojistas? Alyne | A concorrência aumentou muito, e a quantidade de informação também. Hoje, muitos clientes preferem comprar por telefone, e-mail ou WhatsApp. São poucos os que ainda fazem questão da visita quinzenal. Mas continuo me adaptando para atender bem em todos os formatos. Lojista | Com a digitalização consolidada, como você enxerga hoje o equilíbrio entre o atendimento presencial e o digital? Alyne | Como já trabalhava no on-line antes, essa mudança não foi tão impactante para mim. O que mudou foi a necessidade de viajar mais. Mas acredito que há espaço para todos. Tenho clientes que preferem o on-line e outros que gostam do contato pessoal. Lojista | Quais são os aspectos do seu atendimento que mais geram valor para os lojistas atualmente? Alyne | O pós-venda. Representar uma fábrica não é só vender o produto. É acompanhar, dar suporte e acolher o cliente. Isso faz toda a diferença. Lojista | Em um mercado mais competitivo, o que você acredita que diferencia seu trabalho? Alyne | Também o pós- venda. O cuidado com o cliente, estar presente mesmo depois da venda, resolver pendências e prestar assistência. Isso gera confiança. Lojista | Como você constrói relações duradouras e de confiança com os lojistas da sua base? Alyne | Com um bom atendimento, sabendo ouvir, tendo um bom papo – que não seja só de vendas – e resolvendo as pendências o mais rápido possível. Isso faz com que o cliente acredite em mim. Lojista | Participar de feiras e eventos ainda faz parte da sua rotina? Qual a importância desses encontros na sua estratégia comercial? Alyne | Antes, como eu ficava mais no escritório, participava pouco. Mas agora procuro estar mais presente, interagir no meio, conhecer as novidades e levar mais conhecimento aos meus clientes. Lojista | Quais as suas expectativas para fechamento de 2025 e para o início de 2026? Alyne | Com a economia do jeito que está, o cenário mudou. Há escassez de mão de obra, e os lojistas estão mais cautelosos. Mas não acredito que será tão ruim assim. Para 2026, espero superar ainda mais o que conquistei este ano. Lojista | Olhando adiante, como você acredita que o papel do representante comercial deve evoluir nos próximos anos? Alyne | O representante comercial sempre terá seu lugar. A tecnologia ajuda, mas nada substitui o contato humano, o aperto de mão, o papo olho no olho. A chave é se adaptar e buscar um diferencial. No meu caso, ainda ouço muito que “mulher nessa área é raro”, mas sigo firme. Desistir não está nos meus planos.

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