Lojista 424
39 Móbile Lojista 424 | Dezembro 2025/Janeiro 2026 | Ano XLIII Especialistas destacaram que o novo sistema, que substituirá tributos sobre consumo por modelos como IBS e CBS, representa uma mudança profunda na forma de fazer negócios. Empresas que não se prepararem para essa transição podem perder competitividade. Ao discutir os detalhes técnicos, os congressos colocaram a reforma em perspectiva: não se trata apenas de cumprir novas obrigações, mas de revisitar processos, contratos e modelos de operação. Para o lojista, isso significa entender o impacto da nova tributação nas compras, nas margens e no preço final; para a indústria, exige reavaliar cadeias de suprimentos, regimes tributários e oportunidades de crédito. [Leia matéria completa sobre o assunto nesta edição]. MERCADO INTERNO, CONSUMO E NOVAS DEMANDAS Mesmo em um cenário global desafiador, os dados apresentados indicam que o mercado interno continua sendo um pilar estratégico para a indústria moveleira. O diretor do Iemi, Marcelo Prado, mostrou que, de 2019 a 2024, o consumo de móveis no Brasil cresceu 4,1% em dólares, enquanto o mundo recuou 0,4% no mesmo período. O País, com forte presença das classes B e C, permanece um dos principais mercados para o segmento. Essa expansão, aliada à busca por práticas socioambientais consistentes, reforça a sustentabilidade como fator de competitividade. Cada vez mais, consumidores rejeitam marcas que não adotam posturas responsáveis em relação ao meio ambiente e às condições de trabalho. TRANSFORMAÇÃO DIGITAL, IA E A LOJA QUE SEGUE VIVA Os congressos também mostraram que transformação digital e inteligência artificial deixaram de ser tema de futuro distante e já fazem parte do dia a dia de indústrias e varejistas. No Congresso Nacional Moveleiro, executivos de tecnologia mostraram como a IA vem sendo aplicada em processos de manufatura, controle de qualidade, manutenção preditiva e análise de dados. O líder de desenvolvimento de negócios em inteligência artificial da Dell Technologies, Luiz Antonio Valentim, afirmou que toda empresa, hoje, é uma empresa de dados e que “quem não incorporar IA nos processos será substituído por quem já o fez”. Já o consultor moveleiro Anderson Rios trouxe o tema para a realidade das pequenas e médias empresas ao afirmar que “a ferramenta de IA, que parece tão longe, tão cara, tão difícil, já está na palma da nossa mão”. Para ele, a tecnologia que se consolidará é aquela que simplifica a rotina e melhora a experiência das pessoas. No varejo, a mensagem foi semelhante: não há mais fronteira rígida entre físico e digital, mas a loja continua sendo um ativo central. A presidente do conselho do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, reforçou que o digital não elimina o ponto físico, mas o transforma: “as lojas físicas têm de mudar e se modernizar; é preciso estar no mundo digital sem abrir mão do contato humano”. DIVERSIDADE, MARCA E RELAÇÕES HUMANAS NO CENTRO Se economia, tributos e tecnologia foram temas estruturantes, outro eixo comum aos dois congressos foi o papel das pessoas nas estratégias de negócio. Em Curitiba, painéis sobre empreendedorismo feminino, diversidade e inclusão mostraram que equipes mais plurais estão associadas ao melhor desempenho financeiro, mas ainda esbarram em barreiras culturais e estruturais. As falas das executivas convidadas reforçaram que diversidade não é apenas um tema social, mas também de competitividade. Em Bento Gonçalves, o CMO da Vulcabras, Márcio Callage, levou essa discussão para o campo do posicionamento de marca e resumiu: “não existe business to business e business to consumer; tudo é humano”. Já o especialista em mercado de luxo e comportamento de consumo, Carlos Ferreirinha, destacou que as transformações aceleradas exigem informação e capacidade de adaptação. A diversidade e o propósito surgiram como elementos centrais para empresas que querem se manter relevantes e conectadas a um público cada vez mais exigente. Entre uma palestra e outra, ficou claro que propósito, atitude e experiência no ponto de venda seguem como peças-chave para diferenciar marcas em um mercado cada vez mais pressionado por preço, juros e competição global. UM ROTEIRO PARA 2026 Os debates realizados em Curitiba e em Bento Gonçalves apontam para muito além do calendário dos eventos. Em síntese, a mensagem que fica é que a indústria e o varejo de móveis entram em 2026 diante de um triplo desafio: navegar um cenário macroeconômico e geopolítico instável, implementar a reforma tributária sem perder competitividade e acelerar a transformação digital sem perder de vista as pessoas. Para os empresários, o recado é iniciar desde já: acompanhar de perto o avanço das negociações tarifárias, tratar a reforma tributária como pauta de gestão – e não apenas de contabilidade –, testar o uso de inteligência artificial em processos concretos e ampliar o olhar para diversidade, cultura e relacionamento com o consumidor. Mais do que uma fotografia de dois eventos, os congressos deixaram um roteiro de trabalho para os próximos anos.
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