Lojista 424
36 Móbile Lojista 424 | Dezembro 2025/Janeiro 2026 | Ano XLIII rastreabilidade, emitir documentos com destaque dos tributos e conviver com a dupla apuração durante a transição (2026–2032). Na contabilidade, o papel ganha viés estratégico: análise de dados, gestão de créditos e suporte à decisão (precificação, logística e investimento) entram na rotina. Ferramentas de tax analytics ajudam a simular cenários e transformar dados brutos em inteligência aplicada e passam a ser tão importantes quanto o controle de estoque. “Será uma contabilidade estratégica, voltada à análise de dados, gestão de créditos e apoio à tomada de decisão”, destaca Guerra. A nova lógica tributária exigirá a revisão de contratos, margens e até mesmo processos operacionais. Sem incentivos fiscais estaduais, fábricas e CDs devem se aproximar do consumidor. Contratos de fornecimento e transporte devem ser atualizados com cláusulas específicas sobre responsabilidade tributária e repasses. “Haverá impacto direto na formação de preços, nas margens da indústria e do varejo e na forma como os players da cadeia se relacionam”, afirma o advogado. “O que realmente afetará o setor será a definição da alíquota padrão de IBS/ CBS. Este é o ponto a ser monitorado de perto nos próximos meses.” A reforma tributária já começou. E quem REFORMA TRIBUTÁRIA CHECKLIST PARA O VAREJO DE MÓVEIS Eduardo Guerra, advogado tributarista, sintetiza os pontos imediatos para o lojista se organizar ainda em 2025 – sem perder vendas no ano-teste de 2026. Sistemas: alinhar com o fornecedor do ERP/PDV o cronograma de atualização para CBS/IBS e realizar testes de emissão (NF com destaque dos tributos). Cadastros: revisar e sanear o cadastro de produtos/serviços (descrições, unidades, enquadramentos) para evitar erros na apuração de créditos. Regimes: mapear fornecedores por regime (Simples x geral) e estimar o impacto no crédito a aproveitar nas compras. Decisão Simples: simular cenários para manter tudo no DAS ou destacar IBS/ CBS “por fora” (avaliar clientes PJ, repasse de crédito e custo operacional). Equipe: treinar fiscal/contábil e vendas para a nova rotina (créditos, documentos e argumentação com clientes B2B). Operação: preparar integração para split payment com banco/adquirente e definir novas rotinas de conciliação. Contratos: revisar cláusulas de preço, responsabilidades tributárias e prazos com fornecedores, distribuidores e transportadoras. Precificação: recalcular margens considerando o fim da cumulatividade e a transferência de créditos. Governança: criar um plano interno com prazos, responsáveis e indicadores para o ano-teste de 2026. entender primeiro as novas regras estará em posição privilegiada para transformá-las em vantagem competitiva. Para Guerra, o primeiro passo prático é claro: o empresário do varejo moveleiro precisa sair da inércia e realizar um diagnóstico de impacto. Com ele, é possível simular a nova carga tributária, identificar riscos e oportunidades, e montar um plano de ação sólido. “A reforma é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Quem larga primeiro, com um plano bem definido, tem mais chances de cruzar a linha de chegada na liderança.” Divulgação Eduardo Guerra – tributarista e sócio fundador do Guerra Batista Advogados, analisa impactos da CBS/IBS no varejo de móveis
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