Fornecedores 360

13 AGOSTO 2026 quando entendi que não se tratava mais apenas de participar de um negócio, mas de assumir completamente a respon- sabilidade por aquilo que estávamos construindo”, diz. O impacto dessa dedicação apareceu de formas distintas em cada frente. Na De- lucci, veio com a participação em projetos dos segmentos corporativo, de hospita- lidade e food service, e com a confiança conquistada junto a arquitetos, designers e especificadores, um reconhecimen- to que, segundo ela, mostrou que o trabalho desenvolvido dentro da empresa estava chegando ao mercado de forma consistente. Na Memor, se traduziu no fortalecimento de uma identidade própria para a marca e na valorização do design brasileiro. Já à frente do Sind- móveis, esse reflexo aparece de outra forma: “quando conseguimos aproximar empresas, criar diálogo, mobilizar o setor e transformar demandas individuais em ações coletivas”, resume. Para Cíntia, gerar resultado é, acima de tudo, perce- ber que uma decisão ou uma iniciativa contribuiu para abrir caminhos que vão além da própria empresa. RESPONSABILIDADECOLETIVA A chegada de Cíntia à presidência do Sindmóveis veio com a Movelsul batendo à porta. Se a rotina empresarial já ensina sobre pressão, riscos e tomada de decisão, liderar uma entidade setorial, diz Cíntia, acrescentou uma responsabilida- de diferente, a de considerar realidades e interesses de muitas indústrias ao mesmo tempo. “Nem sempre a decisão que parece melhor para uma empresa representa a melhor alternativa para todo o setor”, pondera. Omomento também exigiu desenvolver ainda mais a capaci- dade de escuta, articulação, priorização e comunicação, habilidades que, segundo ela, se tornam decisivas emmomentos de retração, quando é preciso compreen- der o cenário com realismo, sem deixar que as dificuldades paralisem as ações. Na sua avaliação, a visão empreendedora ajuda nesse sentido. “Me faz olhar para os desafios tentando identificar caminhos possíveis, e não apenas os obstáculos”. Ela completa que a gestão sob pressão também exige serenidade, a de tomar decisões mesmo sem todas as respostas, manter as pessoas mobilizadas e buscar oportunidades emmeio à incerteza. Ao assumir o Sindmóveis, Cíntia convo- cou o setor a construir o futuro em con- junto, citando a frase de Peter Drucker em seu discurso de posse: “a melhor for- ma de prever o futuro é criá-lo”. Passado mais de um ano de gestão, explica o que isso significou na prática: assumir uma postura ativa, sem esperar que o cenário melhorasse sozinho. “Criar o futuro exige presença, diálogo, planejamento e execu- ção”, diz, acrescentando que nenhuma entidade ou empresa consegue construir esse futuro de forma isolada, sendo preciso fortalecer conexões, compartilhar responsabilidades e criar uma agenda coletiva. Ao longo da gestão, resume o esforço: “buscamos aproximar as pesso- as, estimular a participação e desenvolver ações que contribuam para manter o setor emmovimento, mesmo diante de um cenário desafiador”. Operíodo também trouxe autoconhe- cimento. Cíntia diz ter descoberto uma resiliência que não imaginava ter, alémde aprender que liderar não é ter todas as respostas, mas saber ouvir, reunir diferen- tes perspectivas e decidir com respon- sabilidade. “Esse processo reforçou em mima importância de equilibrar firmeza e sensibilidade. Emalguns momentos, é necessário defender uma posição com convicção. Emoutros, é preciso rever ca- minhos, reconhecer limitações e construir uma solução emconjunto”, afirma. “Aci- ma de tudo, percebi que a liderança é um exercício constante de aprendizado. Cada conversa, cada dificuldade e cada decisão nos transforma umpouco”, pontua. CONTINUIDADE FEMININA Cíntia sucede Gisele Dalla Costa à frente do sindicato, dando sequência a uma liderança feminina. Entidades patronais do setor moveleiro ainda são, em sua maioria, presididas por homens, e ela lê essa continuidade como algo natural e positivo. “Isso demonstra que as mulheres estão cada vez mais presentes nos espaços de decisão e assumindo responsabilidades importantes dentro das empresas e das entidades”, diz. Mais do que uma questão de gênero, a continuidade representa reconhecimento a profissionais competentes, compro- metidas e capazes de contribuir com o desenvolvimento do setor: “hoje vemos mais mulheres empreendendo, liderando equipes e participando ativamente das decisões. Isso amplia as perspectivas e torna o setor mais diverso em experiên- cias, ideias e formas de gestão”, define. Ainda assim, a indústria moveleira segue predominantemente masculina, e Cíntia reconhece que, nesse ambiente, muitas vezes é preciso demonstrar capacidade de forma mais objetiva. Ela diz apostar na credibilidade construída pelo trabalho, pelas decisões e pelos resultados. “Não precisamos adotar um único modelo de liderança. Podemos liderar com firmeza e, ao mesmo tempo, com escuta e proximidade. Essas características não diminuem a autoridade, pelo contrário, podem tornar a gestão mais humana e eficiente”, diz. Entre as barreiras que ainda persistem para outras mulheres no setor, cita o acesso às redes de relaciona- mento e aos espaços onde as decisões acontecem. “Muitas mulheres possuem muito conhecimento e competência, mas ainda precisamos conquistar maior visibilidade e participar de ambientes estratégicos”, afirma, somando a isso o desafio de conciliar responsabilidades profissionais e pessoais, que seguem recaindo de forma significativa sobre elas. Liderança é um exercício constante de aprendizado. Cada conversa, cada dificuldade e cada decisão nos transforma um pouco” Cíntia Ceriotti Weirich

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