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31 MAIO 2026 da força de trabalho do país, esse apoio é ainda maior, chegando a 76%. E di- minui conforme o avanço da idade: são 69% de 25 a 40 anos, 63% de 42 a 59 anos e 54% entre os brasileiros com 60 anos ou mais. Nesse último grupo, 34% se disseram contra as mudanças. O indi- cador contrário cai gradativamente, até chegar a 16% entre os mais novos. Quando se fala especificamente sobre o fim da escala 6x1, de maneira geral, 63% dos brasileiros são a favor do fim e, caso não haja redução salarial, o número sobe para 73%. Apenas 28% dos brasileiros são favoráveis ao fim do 6x1 caso isso impacte no pagamento dos trabalhadores e 84% são a favor dos trabalhadores terem, pelo menos, dois dias de folga na semana. Apenas 12% da população entende bem o que significa o projeto que propõe fim da escala 6x1, mas quanto mais se discute e entende o projeto, maior é a aprovação dele. DEBATE NOCONGRESSO Em março último, a Comissão de Cons- tituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, iniciou a audiência pública para discutir o fim da escala de trabalho 6x1, conforme a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada laboral. O debate contou com a participação do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho que defen- deu a redução da jornada para 40 horas semanais e a adoção da escala 5x2 sem redução salarial, afirmando que a economia brasileira suporta essa mudança. Argumentou que a medida melhora a saúde mental e física, au- menta a produtividade e atende a um clamor da juventude trabalhadora por tempo para estudo e lazer. Ainda ressaltou que, embora o gover- no prefira tratar detalhes via Projeto de Lei para não engessar o texto consti- tucional, apoia a tramitação da PEC para garantir celeridade ao debate. A assessora especial do ministro, Paula Montagner, apresentou dados técnicos indicando que o custo direto da tran- sição para 40 horas seria de aproxi- madamente 4,7% da massa salarial. Destacou que cerca de 30 milhões de celetistas já praticam o modelo 5x2, mas muitos ainda cumprem 44 horas, o que causa exaustão; e citou estudos que mostram um aumento de até 72% na produtividade em empresas que reduziram a jornada, devido ao aumento da intensidade e foco do trabalhador. Outra pesquisa da Nexus revela que 35% dos brasileiros entre 25 e 40 anos são totalmente favoráveis ao fim do 6x1, independentemente de isso impactar ou não o pagamento dos trabalhadores. Outros 42% só são favoráveis se a medida aprovada não implicar redução salarial. Há ainda 5% que se dizem favoráveis, mas ainda sem ter opinião formada sobre a condi- cionante (manutenção ou redução dos salários). Quando perguntados sobre o fim da escala 6x1 sem tratar da ques- tão salarial, os jovens de 25 a 40 anos foram a faixa etária que mais aprovou a proposta, com 73% favoráveis ao fim do regime de trabalho que estabelece 6 dias de trabalho, para apenas uma folga. Entre a geração Z (16 a 24 anos) foram 69% a favor do fim da escala e 22%, contra. AVALIAÇÃO DA ABIMÓVEL Para a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), a relevância social do tema é incontes- tável e o cerne da questão está no seu propósito: uma alteração estrutural na forma de organizar o trabalho pode ser tanto um vetor de modernização quanto um choque de custo e desequi- líbrios operacionais. Tudo, a depender das condições econômicas e produtivas sob as quais é implementada. Setor de uso intensivo de mão de obra, o setor de móveis é altamente sensível a custo-hora, previsibilidade operacional e financiamento do consumo, além de composta majoritariamente por micro e pequenas empresas. Por isso, a enti- dade sustenta que o debate não deve ser conduzido como “sim ou não”, mas como uma pergunta técnica e ve- rificável: em que condições a redução de jornada é sustentável sem reduzir competitividade e emprego formal? A cadeia do mobiliário reúne mais de 22,8 mil empresas, gera aproximada- mente 287,2 mil empregos diretos e movimenta uma estrutura produtiva superior a R$ 92,1 bilhões por ano (dados atualizados de 2025). Esse universo é formado, em sua ampla maioria, por empresas de menor porte, que geralmente possuem menor capa- cidade de absorver variações abruptas de custo, reorganizar turnos de forma imediata ou financiar transições longas sem impacto no caixa. Neste senti- do, a associação tem enfatizado três dimensões técnicas que precisam estar explícitas em qualquer proposta sobre o fim da escala 6x1: estrutura tributária e limites de compensação para MPEs, organização da produção e integração com o varejo, produtividade e qualifica- ção como condição de sustentabilidade – leia mais sobre cada uma delas no emobile.com.br . A entidade defende que a discussão seja tratada com um horizonte realista de implementação: transição progressi- va entre cinco e dez anos, acompanha- da de: metas mensuráveis de produti- vidade, com monitoramento periódico; estímulos à digitalização e moderni- zação tecnológica, com instrumentos compatíveis com a realidade das MPEs; programas estruturados de qualificação profissional para sustentar reorganiza- ção de processos; avaliações periódicas de impacto econômico e social, com atenção explícita às micro e pequenas empresas. A abordagem preserva o que é essencial em uma mudança estrutural: previsibilidade e capacidade de adaptação. Sem isso, a alteração corre o risco de virar um “custo fixo novo” em um setor que já enfrenta restrições de crédito, competição acirrada e necessidade de investimen- to constante em eficiência. Também enfatiza a negociação coletiva bem como consolidou seu posicionamento em manifestação ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin – veja no emobile.com.br .
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