Especialistas reforçam o valor da sustentabilidade corporativa na busca de lucros

Valor da governança corporativa pode melhorar o desempenho das organizações e gerenciar riscos

Publicado em 25 de outubro de 2018 | 17:22 |Por: Ricardo Heidegger

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Cada vez mais a reputação corporativa é encarada como um valioso ativo intangível de qualquer organização. A necessidade de atender a exigentes legislações e aos diversos stakeholders, faz com que as empresas busquem mecanismos eficientes para gerenciar suas informações relativas às esferas ambiental, social e de governança, conhecidas como ESG. Mas a aplicação de boas práticas, alinhadas com princípios da sustentabilidade corporativa, também pode ter um impacto positivo nos lucros da empresa pela adoção de práticas que permitam reduzir custos, ou mesmo pela prevenção de riscos.

Na avaliação do co-diretor do Center of Business and the Environment da Universidade de Yale, Todd Court, as empresas foram levadas a adotar meios mais sofisticados de acompanhar seu desempenho em ESG por conta da pressão social dos stakeholders ou da legislação. “Houve uma dramática virada nos últimos dez anos. Hoje, os investidores assumiram a posição de vanguarda em pedir às companhias, independentemente de terem ou não ações negociadas, para divulgarem seus dados de ESG. Estima-se que algo entre 25% e 30% de todos os ativos globais administrados integrem algum tipo de informação de ESG em suas decisões de investimentos”, afirma.

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Esferas ambiental, social e de governança, são também nomeadas de ESG

Essa crescente conscientização do mundo corporativo pela necessidade de divulgar seus dados de desempenho é uma realidade, de acordo com o diretor-gerente da ESG Compass, Rodrigo Castro. “Deve-se considerar a governança corporativa em duas etapas complementares. Uma é a aplicação de boas práticas de sustentabilidade, como as preconizadas por instituições como o Dow Jones Sustainability Index (DJSI), o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3, ou a Global Reporting Initiative (GRI). Mas é necessário também rastrear o comportamento da companhia internamente, até como uma maneira de prevenir possíveis riscos”, afirma.

A ESG Compass reúne esse tipo de informação comportamental, recolhida dos stakeholders das empresas, com uma metodologia criada sob a supervisão da Universidade de Yale, além de especialistas e ex-executivos do Banco Mundial. “Esse rastreamento permite mudar a cultura da empresa, desincentivando a prática de fraudes, por exemplo”, acrescenta Castro.

Sustentabilidade e lucros

A relação entre a aplicação de políticas de sustentabilidade corporativa e o desempenho financeiro da empresa é uma realidade, de acordo com Court. Ele nota que diversos estudos acadêmicos revelaram existir uma correlação positiva entre os indicadores e a capacidade de ter lucros, embora seja difícil determinar que fatores específicos foram responsáveis.“Certamente, incorporar o ESG no processo de tomada de decisões não deverá acarretar qualquer impacto negativo no desempenho, e tem uma razoável chance de criar performance positiva”, comenta.

Court salienta ainda que, de acordo com um levantamento efetuado pelo World Business Council for Sustainable Development sobre a aplicação de princípios de sustentabilidade nos negócios, os setores que demonstram uma adesão mais expressiva são aqueles relativos à indústria extrativa e de geração de energia.

“Isto sugere que, para estes setores, as questões de ESG são mais materiais do ponto de vista financeiro. Isto é verdade não apenas porque elas representam substanciais riscos de um fraco desempenho em ESG, mas também porque questões ligadas à sustentabilidade, tais como mudanças climáticas, pobreza e acesso à água representam os maiores riscos a essas companhias, uma vez que elas se caracterizam por processos de planejamento de longo prazo”, afirma.

Os mandamentos do ESG

Apoiada pela Organização das Nações Unidas, a Principles for Responsible Investment é uma rede internacional de investidores que defendem a adoção de critérios de sustentabilidade corporativa nos negócios. Reunindo 1,7 mil signatários, que juntos respondem pela administração de US$ 65 trilhões em ativos ao redor do mundo, ela tem atuação norteada por seis princípios fundamentais.

– Impactos do design sustentável na indústria moveleira

O primeiro princípio é de incorporar os temas ESG às análises de investimento e aos processos de tomada de decisão. Seguido dele, vem o princípio de ser pró-ativos e incorporar o ESG às políticas e práticas de propriedade de ativos. Buscar sempre fazer com que as entidades nas quais investimos divulguem suas ações relacionadas ao ESG, promover a aceitação e implementação no setor do investimento, trabalhar para ampliar a eficácia na implementação e divulgar relatórios sobre atividades e progressos fecham a lista de princípios.

(com informações de assessoria)


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