Lojista 433
33 Móbile Lojista 433 | Out/Nov 2026 | Ano XLIV A expectativa de volume ajuda a dimensionar o desafio. Projeção da Stefanini Marketing indica que a Black Friday de 2026 pode movimentar R$ 14,47 bilhões, com 18,3 milhões de pedidos e tíquete médio estimado em R$ 790,71. Segundo a LWSA, 55% dos consumidores buscam sempre frete grátis, ainda que precisem esperar mais pela entrega, e 36% podem desistir de uma boa oferta por causa do custo do envio. Para móveis, colchões e eletrodomésticos, em que dimensões, peso e distância tornam a logística mais sensível, esse fator pode ser decisivo. A comunicação sobre prazo e condições de entrega deixa, portanto, de ser detalhe operacional e passa a fazer parte da própria argumentação comercial. A preparação também exige olhar para dentro. Estoques dimensionados para a rotina podem não responder bem a um aumento abrupto dos pedidos. Falhas de sincronização entre canais podem resultar na venda de um item indisponível; gargalos na emissão de notas, separação ou expedição ampliam atrasos; problemas de integração entre sistemas podem comprometer a visão do pedido até a entrega. Quanto maior o volume, maior o efeito de uma falha que, em um dia comum, seria absorvida sem grandes consequências. Um relatório da nstech sobre logística para a Black Friday reforça esse ponto ao destacar a fragmentação da infraestrutura usada pelas operações. Segundo o estudo, uma empresa de médio porte pode operar com até 54 sistemas e soluções diferentes ligados à cadeia logística para fazer um pedido chegar ao consumidor. O desafio deixa de ser apenas ter tecnologia e passa a envolver integração, qualidade dos dados e capacidade de resposta entre os sistemas. INTELIGÊNCIA ENTRA NA JORNADA A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a esse percurso. Além de buscadores, redes sociais, marketplaces e aplicativos, ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude começam a ser utilizadas para pesquisar produtos, comparar preços e validar decisões. Segundo levantamento da LWSA, 13% dos consumidores já usam IA como ponto inicial de pesquisa. Entre quem adotou esse recurso, 63% afirmam utilizá-lo sempre ou com frequência para procurar produtos. Outro levantamento, da Stefanini Marketing, aponta presença ainda maior da tecnologia ao longo da jornada: 86% dos entrevistados pretendem utilizar IA de alguma forma na Black Friday de 2026. Comparar preços é a finalidade mais citada, com 49%, seguida por verificar se a promoção é real, com 47%, e checar a confiabilidade da loja, com 42%. O dado mostra que a inteligência artificial tende a atuar menos como uma vitrine isolada e mais como ferramenta de validação. Uma pesquisa do Google com a Ipsos amplia essa leitura. Segundo o estudo, 57% já utilizam IA em jornadas de compra e 13% recorrem à tecnologia em todas as etapas, da busca à decisão. A adoção é maior em compras mais complexas ou de maior risco, como eletrônicos, eletrodomésticos e celulares. Embora móveis não apareçam entre as categorias destacadas no levantamento, a lógica também dialoga com o setor moveleiro, em que medidas, materiais, prazo de entrega, montagem e valor de compra costumam exigir mais pesquisa e comparação. Para o varejo, isso amplia o conceito de presença digital. Não basta aparecer em um anúncio ou ocupar boa posição em uma busca. Informações sobre produto, preço, estoque, prazo, pagamento, trocas e reputação precisam estar organizadas de forma consistente nos diferentes ambientes onde podem ser encontradas por consumidores e sistemas de IA. É nesse contexto que o Generative Engine Optimization (GEO) começa a entrar na estratégia das empresas. A lógica se diferencia do Search Engine Optimization (SEO) tradicional. Enquanto a otimização para mecanismos de busca procura melhorar a visibilidade de páginas nos resultados, o GEO considera como uma marca ou produto pode ser compreendido e citado em respostas geradas por inteligência artificial. Na prática, depende menos de repetir termos e mais de disponibilizar dados claros, confiáveis e coerentes. Para o CEO da Rank, antiga RankMyApp, Leandro Scalise, a fragmentação da jornada digital amplia os pontos de contato antes da compra. “O consumidor pode descobrir uma oferta em uma IA, pesquisar o aplicativo na loja, consultar avaliações e só então decidir onde comprar. As marcas precisam estar preparadas para aparecer e transmitir confiança em todas essas etapas”, afirma. A Rank, empresa especializada em inteligência competitiva e performance digital, recomenda iniciar o planejamento entre 45 e 60 dias antes da Black Friday. O período permite avaliar o desempenho do site ou aplicativo, revisar palavras- chave, analisar concorrentes e identificar problemas na experiência de compra. Também é o momento de testar busca interna, aplicação de cupons, cálculo de frete, cadastro e pagamento, reduzindo barreiras que podem comprometer a conversão. Essa revisão também deve alcançar as páginas de produto. No mobiliário, informações incompletas sobre medidas, materiais, cores, montagem, prazo ou garantia dificultam uma compra que já exige mais consideração do que categorias de menor valor. Fotografias, descrição técnica, condições de entrega e avaliações ajudam a reduzir dúvidas e podem ser consultadas tanto pelo consumidor quanto por ferramentas que sintetizam informações para ele.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MTY1NDE=