Lojista 431

43 Móbile Lojista 431 | Agosto 2026 | Ano XLIV Em 2019, também assumiu a direção da Memor, sem deixar o cargo público. Conciliar as três frentes, ela reconhece, exigiu organização e disciplina, além de ensinar a estabelecer prioridades e tomar decisões com mais agilidade. “Foi um período bastante desafiador, porque eram frentes com responsabilidades, dinâmicas e exigências muito diferentes. Ao mesmo tempo, foi uma fase extremamente motivadora, pois eu conseguia perceber o crescimento dos projetos e as possibilidades que estavam sendo construídas”, lembra. A dedicação integral à indústria só veio quando as marcas ganharam estrutura e passaram a demandar uma atuação mais próxima e estratégica. “Foi quando entendi que não se tratava mais apenas de participar de um negócio, mas de assumir completamente a responsabilidade por aquilo que estávamos construindo.” O impacto dessa dedicação apareceu de formas distintas em cada frente. Na Delucci, veio com a participação em projetos dos segmentos corporativo, de hospitalidade e food service, e com a confiança conquistada junto a arquitetos, designers e especificadores, um reconhecimento que, segundo ela, mostrou que o trabalho desenvolvido dentro da empresa estava chegando ao mercado de forma consistente. Na Memor, se traduziu no fortalecimento de uma identidade própria para a marca e na valorização do design brasileiro. Já à frente do Sindmóveis, esse reflexo aparece de outra forma: “quando conseguimos aproximar empresas, criar diálogo, mobilizar o setor e transformar demandas individuais em ações coletivas”, resume. Para Cíntia, gerar resultado é, acima de tudo, perceber que uma decisão ou uma iniciativa contribuiu para abrir caminhos que vão além da própria empresa. RESPONSABILIDADE COLETIVA A chegada de Cíntia à presidência do Sindmóveis veio com a Movelsul batendo à porta. Se a rotina empresarial já ensina sobre pressão, riscos e tomada de decisão, liderar uma entidade setorial, diz Cíntia, acrescentou uma responsabilidade diferente, a de considerar realidades e interesses de muitas indústrias ao mesmo tempo. “Nem sempre a decisão que parece melhor para uma empresa representa a melhor alternativa para todo o setor”, pondera. O momento também exigiu desenvolver ainda mais a capacidade de escuta, articulação, priorização e comunicação, habilidades que, segundo ela, se tornam decisivas em momentos de retração, quando é preciso compreender o cenário com realismo, sem deixar que as dificuldades paralisem as ações. Na sua avaliação, a visão empreendedora ajuda nesse sentido. “Me faz olhar para os desafios tentando identificar caminhos possíveis, e não apenas os obstáculos.” Ela completa que a gestão sob pressão também exige serenidade, a de tomar decisões mesmo sem todas as respostas, manter as pessoas mobilizadas e buscar oportunidades em meio à incerteza. Ao assumir o Sindmóveis, Cíntia convocou o setor a construir o futuro em conjunto, citando a frase de Peter Drucker em seu discurso de posse: “a melhor forma de prever o futuro é criá-lo”. Passado mais de um ano de gestão, explica o que isso significou na prática: assumir uma postura ativa, sem esperar que o cenário melhorasse sozinho. “Criar o futuro exige presença, diálogo, planejamento e execução”, diz, acrescentando que nenhuma entidade ou empresa consegue construir esse futuro de forma isolada, sendo preciso fortalecer conexões, compartilhar responsabilidades e criar uma agenda coletiva. Ao longo da gestão, resume o esforço: “buscamos aproximar as pessoas, estimular a participação e desenvolver ações que contribuam para manter o setor em movimento, mesmo diante de um cenário desafiador.” O período também trouxe autoconhecimento. Cíntia diz ter descoberto uma resiliência que não imaginava ter, além de aprender que liderar não é ter todas as respostas, mas saber ouvir, reunir diferentes perspectivas e decidir com responsabilidade. “Esse processo reforçou em mim a importância de equilibrar firmeza e sensibilidade. Em alguns momentos, é necessário defender uma posição com convicção. Em outros, é preciso rever caminhos, reconhecer limitações e construir uma solução em conjunto”, afirma. “Acima de tudo, percebi que a liderança é um exercício constante de aprendizado. Cada conversa, cada dificuldade e cada decisão nos transforma um pouco.” CONTINUIDADE FEMININA Cíntia sucede Gisele Dalla Costa à frente do sindicato, dando sequência a uma liderança feminina. Entidades patronais do setor moveleiro ainda são, em sua maioria, presididas por homens, e ela lê essa continuidade como algo natural e positivo. “Isso demonstra que as mulheres estão cada vez mais presentes nos espaços de decisão e assumindo responsabilidades importantes dentro das empresas e das entidades”, diz, destacando o respeito que tem pelo trabalho da antecessora. Para ela, mais do que uma questão de gênero, a continuidade representa reconhecimento a profissionais competentes, comprometidas e capazes de contribuir com o desenvolvimento do setor:

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