Lojista 429
42 Móbile Lojista 429 | Junho 2026 | Ano XLIV NO CHÃO DE FÁBRICA: QUEM JÁ ESTAVA FAZENDO Na Capital Nacional Moveleira, algumas indústrias relatam que não esperaram a norma entrar em vigor para se mover. O Grupo Gazin, fabricante com operação industrial no polo paranaense e reconhecido no segmento – eleito entre as três melhores empresas para trabalhar no Brasil na categoria Gigantes do GPTW –, já tinha estruturado sua resposta antes do prazo. A diretora de governança corporativa, Viviane Thomaz, descreve a atualização da NR-1 como “formalização e fortalecimento de práticas que já fazem parte da cultura organizacional”. Para a empresa, o desafio não foi começar, mas manter padronização e efetividade em mais de dez mil colaboradores distribuídos pelo País. Ao tratar produtividade e saúde mental como frentes conectadas, Viviane aponta três elementos de organização do trabalho que, na visão da companhia, reduzem risco e sustentam desempenho: liderança humanizada, gestão equilibrada de metas e respeito à jornada, descanso e pausas. A Gazin monitora indicadores de turnover, absenteísmo, clima organizacional e denúncias para identificar sinais de sobrecarga antes que virem afastamento e perda operacional. Diante do debate sobre o 6x1, a empresa formou um GESTÃO DE PESSOAS Comitê de Contingência para avaliar cenários e mensurar impactos em escalas, dimensionamento de equipes, produtividade e custos operacionais. A Caemmun, também fabricante do polo, trilhou caminho semelhante. Em parceria com o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), a empresa incorporou ferramentas de avaliação e acompanhamento alinhadas às diretrizes da norma, com encontros frequentes com lideranças e reuniões semanais com equipes. No tema da jornada, a fabricante já opera de segunda a sexta com compensação ao longo da semana. “Mudanças na jornada podem exigir adequações operacionais, revisão de processos e avaliação dos impactos na capacidade produtiva, nos custos e nos investimentos”, observa Dayane. A nível nacional, o subregistro ainda mascara parte do cenário. Dos 546 mil benefícios previdenciários concedidos por transtornos mentais, apenas 2,9% estão formalmente relacionados ao trabalho, segundo levantamento citado pela RHMED, empresa de medicina ocupacional com quase 800 mil vidas sob gestão. Para a diretora de saúde corporativa e segurança do trabalho, Márcia Fiori, o número baixo não significa ausência de influência do ambiente corporativo. “Muitas vezes, ele atua como fator agravante ou desencadeador de condições já existentes”, explica. Com a NR-1, essa influência passa a ser um risco formalmente rastreável, e o que antes era invisível tende a exigir resposta estruturada. No polo de Arapongas, Aquino defende que a NR-1 deve incentivar o registro do que já é feito e dar visibilidade às ações de melhoria no ambiente de trabalho. “Quando se fala em evidenciar, podemos resumir em registrar todas as ações em documentos que demonstrem efetivamente o cumprimento das orientações normativas da NR-1”, afirma. A ressalva permanece no tema da jornada: para a indústria moveleira, qualquer transição precisa reconhecer diferenças de porte e capacidade de absorção. Para Priscila, o que tende a separar empresas nos próximos anos não é o volume de documentação produzida. “O que costuma fazer diferença é a capacidade da empresa de transformar as informações que ela coleta em mudanças reais na organização do trabalho”, afirma. A NR-1 chegou. Para cada fábrica, a pergunta é se a norma será tratada como burocracia ou como espelho. Divulgação Sima “O cuidar do ambiente de trabalho estará agora mais em evidência pelo ajuste da NR-1, gerando maior conscientização de todos”, considera o presidente do Sima, José Lopes Aquino
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