Fornecedores 362

50 FORNECEDORES SOB MEDIDA 362 essa pessoa adquire conhecimento para fazer com que essa renda tra- balhe a favor do seu futuro. Quan- do governos e empresas atuam juntos, educação financeira deixa de ser apenas organização do orça- mento. Torna-se infraestrutura de autonomia, transformando renda em segurança, consumo em escolha e escolha em desenvolvimento. e trabalhadores. A união dessas capacidades pode fazer com que programas de geração de renda sejam acompanhados de uma etapa igualmente importante: pre- parar as pessoas para administrar o que conquistaram. Isso também interessa às empre- sas. Uma pessoa com renda e educação financeira não é apenas mais preparada para cuidar da própria vida. É também um con- sumidor com maior capacidade de planejamento e decisão, capaz de escolher melhor e sustentar suas decisões ao longo do tempo. Para as empresas, isso significa relações de consumo potencialmente mais duradouras. Afinal, não basta ampliar o número de consumido- res; é importante que eles tenham condições econômicas para per- manecer no mercado. É nesse ponto que a educação financeira pode ser compreen- dida como uma agenda comum de desenvolvimento. O governo ganha cidadãos mais autônomos; a sociedade, pessoas capazes de transformar renda em segurança; e as empresas, consumidores mais preparados para relações susten- táveis. Por isso, educação financei- ra não deveria ser tratada apenas como responsabilidade social, mas como estratégia de desenvolvi- mento e geração de impacto. Ge- rar renda é fundamental. Ensinar a lidar com ela é indispensável. Autonomia não acontece simples- mente quando uma pessoa passa a ganhar mais. Ela acontece quando COLUNA Educação financeira: um pilar para autonomia Por Bira Miranda A educação financeira é um dos pilares da autonomia. Não se trata apenas de controlar gastos, poupar ou investir, mas de compreender renda, crédito, juros, consumo, riscos e planejamento para tomar melhores decisões. Isso ganha especial importância para pessoas em situação de vulnera- bilidade, principalmente quando a renda aumenta. Depois de viver sob a lógica da escassez, é natural querer realizar necessidades e desejos adiados: melhorar a casa, comprar um eletrodoméstico, trocar o celular ou proporcionar novas experiências à família. O problema não está em consumir, mas em aumentar a capacidade de consumo sem aumentar a capaci- dade de decidir. Por isso, a educação financeira precisa chegar antes do aumento da renda – ou, no mínimo, junto com ele. Quem conquista uma nova renda precisa saber avaliar crédito, entender juros, organi- zar o orçamento e estabelecer prioridades. Caso contrário, uma oportunidade de mudança pode se transformar em endividamento. E isso não deveria ser responsabili- dade apenas do indivíduo. Governos e iniciativa privada po- dem atuar conjuntamente na cons- trução de projetos de educação financeira. O poder público possui escala e capacidade de integrar essas iniciativas a políticas de gera- ção de renda, emprego e inclusão econômica. As empresas possuem recursos, tecnologia e canais de relacionamento com consumidores BIRAMIRANDA Publicitário, especialista em ESG com cursos no United Nations System Staff College e na EDX - Solve - Mit (Massachu- setts Institute of Technology). Fundador e Líder de Estratégia na YPY Consulting - Consultoria em Sustentabilidade e Presidente da Associação de Assistência e Desenvolvimento Humano DaRua (Entidade dedicada a acolher pes- soas em situação de rua em SP). linkedin.com/in/biramiranda

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