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13 SETEMBRO 2026 Na empresa, Priscila atua diretamen- te nas áreas comercial, marketing e eventos, participando também de decisões estratégicas. Para ela, vender uma máquina começa muito antes da negociação. “Gosto de entender pro- fundamente a necessidade do cliente, conhecer sua fábrica, seus produtos, seu processo produtivo, os gargalos atuais e seus planos de crescimento”. Em projetos mais complexos, parti- cipa desde os estudos de produto, capacidade e fluxo de produção até a definição do layout e das tecnologias mais adequadas. Outro desafio é fazer a ponte entre o mercado brasileiro e os fabricantes chineses. “Não somos simplesmente importadores de má- quinas. Precisamos compreender duas realidades muito diferentes e aproximá- -las”, explica. Para isso, é necessário conhecer profundamente tanto as necessidades da indústria brasileira quanto as tecnologias desenvolvidas pela Nanxing. PRESENÇA Depois de mais de duas décadas no setor, Priscila acompanha de perto a evolução da presença feminina. “Quan- do comecei, em 2001, era muito raro encontrar mulheres ocupando posições de liderança ou funções técnicas e co- merciais de maior destaque”. Para ela, esta realidade mudou significativamente commais mulheres à frente de empre- sas e em áreas comerciais, técnicas, de produção, engenharia e gestão. Apesar dos avanços, ela acredita que ainda existe espaço para crescer, principalmente nas funções técnicas e nos cargos de decisão. “Durante muito tempo algumas funções foram vistas quase naturalmente como masculinas e mudar essa percepção exige tempo, oportunidade e, principalmente, que as mulheres sejam avaliadas por sua competência e tenham espaço para desenvolver suas carreiras”, pontua. Priscila salienta que a representativida- de tem um papel fundamental nesse processo, afinal, quando uma jovem encontra mulheres liderando empresas, negociando grandes projetos e falando sobre tecnologia, percebe que aquele também pode ser um espaço para ela. Sempre trabalhando em ambientes majoritariamente masculinos, Priscila procurou ocupar seu espaço natural- mente. Ao longo da carreira, porém, percebeu que muitas vezes sentia a necessidade de estar extremamente preparada tecnicamente para demons- trar seu valor. “Eu estudava muito – e continuo estudando – porque sabia que precisava dominar aquilo sobre o que estava falando”, conta. Com o tempo, essa postura trouxe um aprendizado importante: conhecimen- to gera segurança. Para ela, liderança não significa reproduzir modelos já estabelecidos, mas encontrar uma maneira própria de conduzir pessoas e negócios. “Cada pessoa pode liderar a partir das suas próprias característi- cas. No meu caso, acredito muito em escuta, preparação, consistência e na construção de relações de confiança”. Hoje, sua carreira também é uma refe- rência para outras mulheres. Ainda que nunca tenha buscado esse papel, Priscila se sente feliz quando sua trajetória pode inspirar alguém a ingressar no setor. “Se, de alguma forma, isso fizer uma mulher mais jovem olhar para uma área técnica, comercial ou industrial e pensar ‘esse espaço também pode ser meu’, fico muito feliz”. Entre as mulheres que a inspiram está, em primeiro lugar, sua mãe, seu primeiro exemplo de força, trabalho e determinação. Também admira trajetórias como as de Cristina Junqueira, Chieko Aoki, Coco Chanel, Madame Clicquot, Madam C.J. Walker e Leila Pereira, pois elas não se limitaram ao espaço que já existia e ajudaram a criar um espaço novo para si mesmas. LIDERANÇA A curiosidade é uma das características que Priscila considera fundamentais para sua trajetória. Ela busca entender profundamente as tecnologias que oferece e como cada solução pode contribuir para o negócio do cliente. Ao mesmo tempo, investiu em conhe- cimentos de liderança, gestão, vendas e marketing, passando por instituições como ESPM, G4 Educação e Vende- -C. Para ela, continuar aprendendo é indispensável em um mercado em constante transformação. “Experiência é muito importante, mas ela não pode substituir a curiosidade. Continuar es- tudando e fazendo perguntas é o que impede que a experiência se transfor- me em acomodação”, analisa. Os idiomas também fazem parte dessa busca. Priscila fala inglês e espanhol fluentemente, possui conhecimento básico de alemão e atualmente estuda mandarim. Mais do que comunicação, considera que aprender uma língua permite compreender diferentes cultu- ras e formas de fazer negócios. Conciliar carreira e vida pessoal tam- bém exigiu escolhas e uma rede de apoio. Nesse aspecto, destaca a impor- tância do marido, Jarbas Contarelli, que também trabalha no setor e compreen- de a rotina de viagens e compromissos. “Ter ao meu lado alguém que compre- ende a importância que o trabalho tem para mim fez muita diferença ao longo da minha carreira”. Para ela, equilíbrio não significa dividir todos os dias de maneira perfeita entre trabalho e vida pessoal, mas compreender o conjunto. “Existem períodos em que o trabalho exige muito mais de mim e outros em que consigo estar mais presente na vida pessoal”, afirma. Priscila não construiu sua carreira pen- sando em deixar um legado, mas acre- dita que sua experiência pode mostrar a outras mulheres que não é preciso esperar estar totalmente pronta para assumir novos espaços. É necessário preparação, coragem e disposição para aprender durante o caminho. “Não precisamos saber tudo, fazer tudo so- zinhas ou tentar reproduzir a maneira de liderar de outra pessoa para provar nossa competência”, afirma. E resume sua visão sobre o papel da mulher na indústria: “Podemos ocupar esses es- paços sendo exatamente quem somos – com competência, curiosidade, cora- gem para nos posicionar e disposição para nunca parar de aprender”.

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