Fornecedores 358
66 FORNECEDORES SOB MEDIDA 358 de entrega para quem já tem tudo, enquanto negligenciamos soluções que integrem a base vulnerável da pirâmide? Imagine o quanto uma empresa poderia ganhar se criasse produtos e serviços que, ao mesmo tempo, ajudasse a com- bater a vulnerabilidade social e acessasse ummercado de 56 milhões de possíveis novos clientes? É possível e necessário conciliar objeti- vos de negócio com geração de impac- to. Para além das questões e oportuni- dades internas no país, entender esta nova visão, é fundamental para que as empresas brasileiras possam capturar oportunidades gigantes que o mundo está nos proporcionando. Estudos indicam que o Brasil será res- ponsável por concentrar cerca de 80% do crescimento global de alimentos nos próximos 20 anos. Neste cenário e potencializado pelo acordo União Euro- peia – Mercosul, nosso agronegócio que já é um protagonista, tem tudo para se destacar ainda mais, em relação a novas técnicas e tecnologias que combinam desempenho produtivo com preserva- ção, regeneração e rastreabilidade. A energia que o mundo precisa, está no Brasil. Estamos prestes a ver uma mudança global sem precedentes. Ao se tornar um polo de datacenters o Brasil não exportará eletricidade, exportará capacidade computacional alimentada por energia limpa. Nós que sempre fomos vistos como um celeiro, agora, podemos nos tornar também, um dos principais motores energéticos da era digital. Quando o assunto é redução da dependência dos combustíveis fósseis o Brasil reúne vantagens naturais, capacidade agrícola com duas safras ao ano, matriz energética limpa e experiência industrial consolidada. O COLUNA ESG: morto para os que vãomorrer, vivo para os que vão prosperar BIRAMIRANDA Publicitário, especialista em ESG com cursos no United Nations System Staff College e na EDX - Solve - Mit (Massachu- setts Institute of Technology). Fundador e Líder de Estratégia na YPY Consulting - Consultoria em Sustentabilidade e Presidente da Associação de Assistência e Desenvolvimento Humano DaRua (Entidade dedicada a acolher pes- soas em situação de rua em SP). linkedin.com/in/biramiranda Por Bira Miranda D urante anos, muitas empresas trataram ESG como uma camada estética. Relatórios bonitos, campanhas emocionais, apoio pontual a causas sociais e discursos cuidadosamente pre- parados para eventos corporativos. Esta prática, o chamado “ESG de vitrine” está morta. E isso é uma excelente no- tícia. Porque o que está surgindo agora é algo muito mais profundo: ESG está deixando de ser discurso para se tornar infraestrutura estratégica de negócios. As empresas que sobreviverão nas pró- ximas décadas não serão aquelas que parecem sustentáveis. Serão as que integrarem sustentabilidade, impacto social, governança e gestão de risco ao próprio core business. Devemos evoluir para a consolidação da visão de que ESG não é departamento. ESG é estratégia competitiva. Há algum tempo venho defenden- do uma mudança fundamental de mentalidade: precisamos sair da lógica do “nós apoiamos uma causa” para a visão de “temos uma linha de negócio fomentada por ESG”. A diferença entre essas duas frases define quem continuará relevante no mercado. Uma empresa presa ao ESG cosmético pergunta: “Qual pauta gera mais en- gajamento?” Uma empresa preparada para o futuro pergunta: “Como nosso modelo de negócio resolve problemas reais da sociedade de forma rentável, escalável e sustentável?” O Brasil possuiu 7,4 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, com renda individual de até R$ 218,00. Em situação de pobreza são 48,9 milhões de pessoas com renda individual de até R$ 710,00. Como estrategista, eu questiono: qual “dor de mercado” pode ser mais urgente e profunda do que essa? Por que a inovação brasileira ainda está tão focada em criar o próximo app país é referência global na produção de etanol de cana-de-açúcar, biodiesel e, mais recentemente, no desenvolvimen- to de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e marítimo (Biobunker) . Além disso, a abundância de biomas- sa, resíduos agrícolas e potencial para cultivo de matérias-primas renováveis posiciona o Brasil como peça estratégi- ca na transição energética global. Quando olho para todos os elementos que trouxe neste texto eu me sinto abso- lutamente convicto do quanto a gestão a partir dos princípios ESG está viva, pulsante e o quanto ela será capaz trans- formar negócios e a nossa sociedade.
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