Fornecedores 357
50 FORNECEDORES SOB MEDIDA 357 Quem vive na escassez e começa a ter acesso, fica tentado a fazer escolhas ruins. É nesse contexto que se torna urgente um pacto nacional pela educação financeira. Não se trata apenas de ensinar a poupar ou cortar gastos. Trata-se de desenvolver autonomia, senso crítico e capacidade de decisão. Trata-se de construir independência cognitiva na gestão do dinheiro, algo que impacta diretamente saúde mental, produtivi- dade, qualidade de vida e até mesmo a capacidade de planejar o futuro. E aqui está um ponto central: as empresas têm muito a ganhar ao se posicionarem como protagonistas dessa agenda. Ao apoiar iniciativas de educação financeira, as organi- zações não apenas contribuem para a redução do endividamento e para o fortalecimento da economia, elas também constroem vínculos mais sólidos com colaboradores, consumi- dores e a sociedade. Ganham em re- putação, engajamento e, sobretudo, em sustentabilidade de longo prazo. Uma população financeiramente consciente toma melhores decisões. E melhores decisões constroem mercados mais saudáveis. Investir em educação financeira não é filan- tropia. É estratégia. Passou da hora de deixarmos de tratar o tema como responsabilidade individual e passar- COLUNA Oendividamentodobrasileiro émaissobreeducaçãoe menossobredinheiro BIRAMIRANDA Publicitário, especialista em ESG com cursos no United Nations System Staff College e na EDX - Solve - Mit (Massachu- setts Institute of Technology). Fundador e Líder de Estratégia na YPY Consulting - Consultoria em Sustentabilidade e Presidente da Associação de Assistência e Desenvolvimento Humano DaRua (Entidade dedicada a acolher pes- soas em situação de rua em SP). linkedin.com/in/biramiranda Por Bira Miranda A taxa de desemprego caiu para cerca de 5,1% no fim de 2025, o menor nível da série históri- ca. Em 2026, mesmo com pequenas oscilações, segue em patamares baixos, próximos de 5,8%. Ao mes- mo tempo, o país atingiu mais de 100 milhões de pessoas ocupadas, um recorde. A renda média também avançou: o rendimento do brasilei- ro chegou a aproximadamente R$ 3.652 em 2026, o maior já registra- do, com crescimento superior a 5% ao ano. Até aqui, tudo aponta para um cenário positivo. Mas há um outro lado dessa história. Hoje, mais de 80% das famílias bra- sileiras estão endividadas, o maior nível da série histórica. E quase 3 em cada 10 já estão inadimplentes. Ou seja: mais pessoas trabalhando, ganhando mais… e ainda assim mais endividadas. Esse descompasso revela um problema estrutural: renda sem educação financeira não gera estabilidade, gera vulnerabilidade. Estamos, na prática, diante de uma transição silenciosa: saímos de uma crise de renda para uma crise de decisão financeira. Ao longo dos meus anos trabalhan- do com população em situação de rua na capacitação para geração de emprego e renda, eu aprendi que um dos momentos mais delicados da retomada da trajetória de vida é quando o dinheiro começa a entrar. mos a encará-lo como uma agenda coletiva, onde empresas, governo e sociedade caminham juntos. Porque, no fim, prosperidade de verdade não é só ganhar mais. É saber o que fazer com o que se ganha.
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