Fornecedores 356

15 ABRIL 2026 Patrick Afornali | Eu sempre tento utilizar a matéria-prima nova para poder me destacar, tentar sair da mesma bolha que muita gente, aí eu posso me tornar um destaque entre as outras peças. Tento sempre trabalhar com esse viés. Trabalhar com alguma matéria-prima nova, uma madeira nova, é uma tendência sempre nas minhas coleções. Fornecedores | Por que usou a espécie angelim amargoso no Banco Gruta? Patrick Afornali | No caso do Banco Gruta, não foi muito a questão da escolha da espécie, por ela ser alter- nativa. Foi como uma bonificação, por ela ser uma madeira diferente das convencionais. O Banco Gruta em si foi por uma dor mais específica quan- do eu ia fazer a compra de madeiras, para fazer outros projetos. Eu sempre vi essas madeiras jogadas lá, como lenha, às vezes jogada em caçamba, então tinha muita sobra de madeira, porque essa madeira (angelim pedra e angelim amargoso, no modo geral), o pessoal usa para fazer muita estrutura, porque ela tem um valor não tão alto, e é uma madeira muito boa para área externa. Fazem pergolados, decks, enfim, estruturas de construção civil mais de madeira. Eles pegam uma viga de três metros e quando tem um pedido com dois metros e meio, por exemplo, eles cortavam e sempre so- bravam esses tocos. É normal ter essas sobras em um plano de corte. A partir dessas sobras fui selecionando vários tamanhos e várias medidas, mas den- tro da mesma madeira, porque era a que mais tinha ali, para poder fazer e desenvolver esse banco. A peça é, na verdade, uma parte mais sustentável do reuso de uma matéria-prima tão nobre que seria descartada. Desenvol- vi esse banco para transformar essas madeiras em uma peça que tem uma longevidade maior, dar sobrevida a essa matéria-prima. Fornecedores | Você acredita que essas experiências refletirão na sua atuação como designer de móveis? Patrick Afornali | Com certeza absoluta! Às vezes a pessoa que consome madeira sabe que vem da floresta, é tão óbvio, mas não sabe como essa árvore foi retirada, qual o dano disso, como que impacta na vida. Depois você acaba olhando a matéria-prima de uma maneira mais delicada ainda, no sentido de algo mais raro. Eles fizeram dois cortes lá, de uma muiracatiara e de um jequitibá rosa. Uma árvore grandona, que tinha com certeza três vezes ou quatro vezes a minha idade, então ela estava no mundo antes de mim. A gente está basicamente cortando uma vida que estava quietinha na floresta e a gente foi lá e removeu. Tem um pouco desse apelo, mais sentimental, mas quando você olha o todo vê áreas que não têm concessão, entende que é necessário, porque precisamos da matéria-prima. A gente não consegue hoje viver sem a madeira, ela está difundida na sociedade. Se for precisar dessa matéria-prima, que seja dessa maneira de concessão. Trabalhar talvez com as madeiras que tenham realmente um dofe bem estruturado, documento de origem florestal, ou que tem algum certificado de alguma questão mais sustentável. Eu acho que é o mínimo, hoje, que nós, designers, temos que utilizar. Muito designer não gostaria muito de ter tido essa experi- ência, então a minha ideia é começar a fazer conteúdo desses lugares que eu visitei para poder ser um provedor dessas informações. Tentar passar um pouco dessa vivência que eu tive para dentro da minha esfera do design e para outras pessoas. Acho que essa foi a maior transformação! Fornecedores | Qual suamensagem para inspirar outros profissionais e estudantes da área a utilizaremma- deiras alternativas em seus projetos? Patrick Afornali | O uso da madeira alternativa, a nível da indústria que a gente tem hoje, eu acho que é quase uma obrigação. Nós, como profissio- nais, temos que mostrar que existe esse potencial no uso de madeiras alterna- tivas para trazer produtos que são tão belos e funcionais quanto os tradicio- nais. Existem madeiras diferentes que vão dar um aspecto às vezes até me- lhor do que as tradicionais, então, fugir um pouco da casinha e das ondas de conforto, é ótimo. Não ter medo de ex- perimentar. Procurar informações mais técnicas para evitar uma questão mais funcional nos produtos, às vezes usar uma espécie que se adapte bem ao uso da cola, entender se aquela espécie pode ser utilizada para colar, parafusar. Entender um pouquinho disso vai fazer você ser mais assertivo na escolha. Acho que madeiras alternativas são o nosso futuro. Cada vez mais a gente vai ter mais opções de madeira, e isso vai deixar com que outras espécies, que estão sendo superexploradas por uma questão mais de tendência estética, continuem existindo no planeta. Divulgação Banco Gruta

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