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46 FORNECEDORES SOB MEDIDA 355 MARCENARIA SantaAna(mãedeMariaeavódeJesus) tambémévenerada, emcontextos específicos, comoprotetoradosmarceneiros Padroeirados marceneiros Por Thiago Rodrigo O dia 19 de março é amplamente comemorado como o Dia do Marceneiro e do Carpinteiro no Brasil. A data foi escolhida em referência ao dia de São José, que é considerado, pela tradição católica, o padroeiro dos marceneiros e carpinteiros, pois, segundo a crença, exerceu a profissão de carpinteiro/marceneiro durante a vida. Mas você sabia que existe uma padroeira dos marceneiros? Santa Ana é uma das figuras mais antigas e respeitadas da tradição cristã. Mãe de Maria e avó de Jesus, sua história é conhecida principalmente por textos da tradição e dos evangelhos apócrifos, que a descrevem como uma mulher de fé sólida, educadora atenta e transmissora de valores. Ao longo dos séculos, Santa Ana passou a ser cultuada como padroeira de diversos ofícios ligados ao cuidado, à formação e ao trabalho manual – entre eles, os carpinteiros e marceneiros. Ela é venerada como a padroeira das mulheres casadas, especialmente as grávidas, tornando seus partos rápidos e bem-sucedidos, ajudando também as mulheres que têm difi- culdade para engravidar. É protetora das viúvas, dos navegantes e dos marceneiros. Foi Ana que ensinou a pequena Maria a fazer as tarefas domésticas, a limpar a casa, a tecer e a costurar. Por esta razão é invocada como padroeira dos alfaiates, tece- lões e vendedores de roupa. Mas é sobretudo o fato de ter engra- vidado numa idade avançada que, ao longo dos séculos, lhe valeu o papel de padroeira dos partos impossíveis e de protetora das mulheres que dão à luz, mas também das viúvas e das mães de família. Como ela carregava a Virgem Maria em seu ventre, como uma caixa contendo uma joia preciosa, ela é a padroeira dos ourives, mineiros, marceneiros e carpinteiros Em Portugal, e na tradição católica em geral, São José é reconhecido como o padroeiro principal dos carpinteiros, marceneiros e artesãos, devido ao seu ofício de carpinteiro e por ter ensinado o trabalho a Jesus. No entanto, Santa Ana (mãe de Maria e avó de Jesus) também é venerada em contextos específicos, como protetora de marce- neiros e escultores. A ligação com esses profissionais nasce do contexto familiar de Jesus. Ao criar Maria e participar da formação do lar onde Cristo cresceu, Santa Ana é associada simbolicamente à educação doméstica, ao trabalho paciente e à construção do que sustenta a vida coti- diana. Na tradição cristã, o lar de Nazaré era um espaço de trabalho artesanal, disciplina e transmissão de saberes manuais. Assim, Santa Ana representa a raiz espiritual do trabalho feito com as mãos, da técnica passada de geração em geração e da dignidade do ofício. A devoção a Santa Ana como padro- eira desses profissionais se originou na Idade Média, quando corporações de ofício buscavam santos que represen- tassem valores como precisão, paci- ência, responsabilidade e transmissão do conhecimento. A madeira, material vivo e exigente, exige atenção e res- peito ao mesmo tempo, qualidades associadas à figura de Santa Ana como educadora e guardiã do saber. Assim, carpinteiros e marceneiros viam nela a proteção para o trabalho diário, a segu- rança no manuseio das ferramentas e a inspiração para transformar matéria bruta em algo útil e durável. O culto à Santa Ana é especialmente realizado por irmandades de carpin- teiros tradicionais em Portugal e na Espanha, mas também por alguns mar- ceneiros artesanais no Brasil, sobretudo em regiões de forte herança colonial e comunidades católicas ligadas a ofícios manuais e escolas técnicas de madeira. Talvez algumas famílias que transmiti- ram ou transmitem o ofício de pai para filho possam reconhecer ela também como protetora dos marceneiros. Santa Ana está diretamente ligada a São José por laços familiares e simbólicos. José, esposo de Maria, é o padroeiro dos carpinteiros e artesãos da madeira. Ele representa a execução técnica, o do- mínio do ofício e o trabalho silencioso. Santa Ana, por sua vez, representa a origem: a formação moral, a paciência e o aprendizado que antecede a técnica. Enquanto José simboliza a mão que constrói, Santa Ana simboliza o ensina- mento que prepara essa mão. Em muitas cidades, o dia de Santa Ana (26 de julho) ainda é marcado por missas, bênçãos de ferramentas e encontros de profissionais do setor madeireiro. Ana é o segundo nome mais comum no Brasil, com quase 4 milhões de pessoas e uma média de idade de 22 anos, o que demonstra ser um nome ainda em uso. Significa “graciosa, cheia de graça”, “dádi- va, oferta”, originado do hebraico “Hannah”, que significa “graciosa, cheia de graça”, tendo sua versão adaptada para o latim “Anna”, em que carrega também a simbologia de “dádiva” ou “oferta”.

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