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13 MARÇO 2026 “Fui inspirada por mulheres determinadas que mostraram que liderança se constrói com trabalho, ética, coragem e persistência” Marlei Nicioli sempre caracterizou a Nicioli: quali- dade, seriedade e proximidade nas relações”, destaca. Ao falar de influência, Marlei faz ques- tão de deslocar o foco do cargo para a credibilidade. Para ela, “a voz ativa não surge de um cargo, mas da credibilida- de construída no dia a dia”. O ponto de virada veio quando decisões rela- cionadas a padronização e eficiência deixaram de ser discurso e passaram a aparecer em indicadores: “redução de retrabalho, melhoria de prazos e ganho de produtividade e qualidade”. É uma síntese rara: impacto industrial traduzido em resultados objetivos e, ao mesmo tempo, em legitimidade para participar de decisões estratégicas. Essa mudança de lugar – do ope- racional para o sistêmico – aparece também na forma como Marlei descreve a transformação de menta- lidade necessária para sustentar uma indústria mais previsível. “Foi necessá- rio desenvolver uma mentalidade mais orientada a dados, indicadores e me- lhoria contínua. Para mim, significou sair do operacional e ampliar a visão sistêmica”, afirma. Na equipe, o movi- mento tem sido diário: “adaptação à cultura de padronização, metas claras e acompanhamento constante de re- sultados”. Ela reconhece o desconfor- to natural da mudança, mas aponta o que faz a engrenagem girar: “quando todos entendem o propósito, passam a fazer parte da solução”. No papel de diretora industrial, Marlei descreve uma combinação de competências que foge do estereótipo da liderança exclusivamente técnica. “Desenvolvi habilidades como escuta ativa, capacidade analítica, tomada de decisão sob pressão e gestão de pessoas”, diz. E completa: “equi- librar firmeza e sensibilidade”. Em um ambiente fabril, esse equilíbrio costuma ser o divisor entre comando e liderança – especialmente quando o objetivo é formar pessoas e não apenas entregar metas. “Considero essencial saber formar líderes dentro da própria equipe”, afirma. LIDERANÇA INTEGRATIVA A presença feminina na diretoria da Nicioli, segundo Marlei, não é um detalhe, mas um fator que influencia a forma de construir decisões. “A presença feminina na diretoria traz uma dinâmica mais colaborativa, humana e estratégica às decisões”, diz. “Há uma construção mais par- ticipativa, com troca de perspectivas e atenção aos impactos de longo prazo.” Ela faz um contraponto importante: “isso não significa suavi- dade ou falta de rigor. Não significa uma gestão menos firme, mas uma liderança que integra diferentes visões e fortalece o coletivo”. Em um setor historicamente mascu- lino – especialmente no ambiente fabril – Marlei aponta aprendizados que têm mais relação com postura do que com discurso. “Aprendi que po- sicionamento e preparo técnico são fundamentais”, afirma. E destaca três ferramentas que atravessam gestão de equipes, conflitos e negociações: “comunicação clara, inteligência emocional e construção de respeito por meio da competência”. Quando o assunto é futuro e inspi- ração, Marlei evita generalizações e fala em estrutura. “Vejo a presen- ça feminina crescendo de forma consistente no setor moveleiro, especialmente em áreas estratégi- cas e de gestão. Ainda há muito espaço para avançar, principalmente no chão de fábrica e em posições técnicas”, afirma. Para que esse avanço seja sustentado, ela defende ações concretas: “é fundamental investir em formação, programas de desenvolvimento e, principalmente, criar ambientes que valorizem a diversidade”. Na síntese, aponta o núcleo do desafio: “a mudança co- meça na mentalidade e se fortalece na prática”, frisa. Para ela, o equilíbrio entre liderança industrial e vida pessoal passa por escolhas conscientes. “Não é sobre dividir o tempo igualmente, mas so- bre estar presente de forma conscien- te em cada papel que exercemos”, diz. Para isso, destaca organização, rede de apoio e clareza de priorida- des, além do “apoio da família, uma equipe estruturada e confiança nos processos” como pilares para tornar a jornada sustentável. Ao falar de legado, Marlei retorna à tríade que guia seu momento profissional. “Acredito que o legado que estou construindo envolve três pilares: modernização com respon- sabilidade, fortalecimento da cultura organizacional e abertura de cami- nhos para outras mulheres”, afirma. E completa: “honrar a história da Nicioli enquanto preparo a empre- sa para o futuro – com eficiência, inovação e inclusão.” Em um setor pressionado por produtividade e transformação, sua trajetória mostra que a indústria também é cultura, método e pessoas.
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