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27 JANEIRO/FEVEREIRO 2024 Tratando-se de uma ideia de aborda- gem para se ter um fluxo circular dos recursos utilizados na fabricação de produtos, mais do que ser possível na sociedade atual, esse método é neces- sário. De acordo com Bira Miranda, fundador e líder de estratégia da YPY Consulting, consultoria de planejamento em sustentabilidade e ESG, a sociedade já possui todos os fundamentos neces- sários para que a economia circular seja implementada em larga escala. “Dispomos de tecnologia para produzir novas matérias-primas, para reciclar, empresas especialistas em várias frentes de atuação desta cadeia produtiva, novos processos que não param de evoluir e metodologias de planejamento de pro- duto que permitem inovação alinhada aos conceitos da economia circular. Além disso, há um fator muito importante: o consumidor está cada vez demandando que as empresas produzam sem agredir o planeta”, assinala Miranda. O reuso dos recursos e produtos descartados em uma economia circular colaboram para o meio am- biente e a urgência desse processo se dá por um conjunto de fatores. O planeta está vivendo um processo de aquecimento global acelerado e, em grande medida, a causa da emissão de CO2 é a produção de novos materiais e produtos que, ao serem descartados inadequada- mente, agridem o meio ambiente por não serem pensados para serem reciclados ou planejados na origem, para serem biodegradáveis. Pesquisa sobre “Economia Circular na Indústria Brasileira”, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 2019, buscou mapear a percepção do setor industrial sobre o tema. Entre os mais de mil res- pondentes, 70% apontaram não ter ouvido falar sobre o assunto antes da pesquisa. Na mesma pesquisa, 88,2% disseram considerar importante ou muito importante a economia circular para a indústria brasileira. Embora engatinhando no País, está em trâmite na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a criação da Política Nacional de Economia Circular que visa transformar a visão da economia linear de extração, processamento, transformação, consumo e descar- te dos materiais. A proposta (PL 1874/2022) foi apresentada pela Co- missão de Meio Ambiente do Senado após debates com especialistas. A lei também institui o Selo Produto Eco- nomicamente Circular para produtos que atendam às exigências previstas. Na Europa, a Confederação Europeia das Indústrias de Móveis (Efic, na sigla em inglês), por exemplo, apoia a transição para a economia circular e exalta a necessidade da criação de iniciativas para uma visão de longo prazo sobre o tema pela União Europeia. Nesse sentido, a Comissão Europeia criou o Regulamento de Ecodesign para Produtos Susten- táveis, que visa melhorar a circula- ridade, desempenho energético e outros aspectos de sustentabilidade ambiental dos produtos do continen- te. A lei é resultado direto da adoção do European Green Deal. Fundação Ellen MacArthur Diagrama da economia circular segundo a Fundação Ellen MacArthur

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