O que esperar das vendas de final de ano?

Apesar do aumento da confiança de empresários e consumidores na economia, comércio e consumo ainda estão debilitados. Confira sugestões da Fecomércio SP para as vendas de final de ano

Publicado em 5 de setembro de 2016 | 10:29 |Por: Nicholle Murmel

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De acordo com a edição da Sondagem do Comércio, divulgada em agosto deste ano pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) avançou 7,2 pontos em agosto de 2016, ao passar de 74,9 para 82,1 pontos.

Porém, isso não significa que as vendas devam reaquecer imediatamente, e o varejo precisa pensar com cuidado no planejamento das vendas de final de ano para garantir performance nas datas importantes como a Black Friday, prevista para ocorrer em 25 de novembro de 2016,  Dias das Crianças e as vendas relacionadas ao Natal.

Para o assessor econômico da Fecomércio SP, Fabio Pina, o encerramento do impasse em torno do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff já ajuda a levantar os ânimos em relação ao futuro econômico do Brasil em escala ampla: “Há essa lua de mel com o novo governo, mas ele tem prazo para começar a agir, adverte e complete. “Não é possível que, daqui a dois meses, não haja uma providência implantada, prestes a ser implantada ou ao menos bem encaminhada – caso contrário a confiança se reverte”.

Em uma análise da realidade direta do varejo, o desemprego – hoje em torno de 11,6% ou 12 bilhões de pessoas – e a perda de renda frearam o consumo nos últimos meses, e o varejista precisa balizar suas ações considerando esse quadro. “Mesmo o consumidor que não perdeu o emprego estava retraído, mas a partir do momento em que ele acha que as coisas voltarão a melhorar, ele volta a consumir”, reflete o assessor.

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Nesse cenário, promoções, saldões e outras campanhas que tragam o público para as lojas são interessantes, desde que se tenha em mente que elas funcionam melhor para atrair o consumidor que já quer comprar, mas está reticente. E que ações promocionais não devem se tornar operações recorrentes na loja.

Ainda no âmbito interno, Pina recomenda medidas de senso comum que sempre devem ser reforçadas: evitar desperdícios, enxugar custos, avaliar e reestruturar o mix de produtos de acordo com os itens mais procurados, por exemplo.

Lições da crise

Para além das estratégias promocionais, há mais formas de o varejo trabalhar para se manter na conjuntura atual.

De acordo com Fabio Pina, um aspecto positivo das crises, de forma geral, é instigar a racionalidade econômica e, portanto, a eficiência – primeira noção que deve estar clara para o lojista que espera não apenas passar pelo momento de turbulência, mas se restabelecer no futuro.

Ainda segundo o assessor da Fecomércio SP, essa eficiência passa pela melhora na qualidade da mão de obra no varejo, atualmente despreparada. “Em um setor como o moveleiro, o vendedor não pode ser um mero informante dizendo se a loja tem o produto ou não. O profissional deveria perguntar elementos como dimensão do ambiente, cor, sugerir peças, e tudo isso requer treinamento”, enfatiza. Vendedores bem treinados significam diferencial de competitividade na forma de atendimento de qualidade e experiência de compra com valor, que exerce apelo ao público cada vez mais individualizado e empoderado que circula pelas lojas.

 


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