ICVA: varejo sofre retração de 6% em janeiro

Indicador considera a receita deflacionada de vendas do varejo em  relação a janeiro de 2015. Sem os efeitos de calendário, retração foi de 5,6%

Publicado em 23 de fevereiro de 2016 | 8:30 |Por: Cleide de Paula

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A receita de vendas do comércio varejista abriu o ano com uma retração de 6,0% em janeiro em relação ao mesmo período de 2015, depois de descontada a inflação que incide sobre a cesta de setores do varejo ampliado. É o que aponta o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgado nesta terça-feira (16). Em dezembro, o índice havia registrado retração de 5,5%, também em relação ao mesmo mês do ano anterior e com o desconto da inflação. Com o resultado de janeiro, o varejo completa seis meses seguidos de queda no desempenho de vendas. Em termos nominais, as vendas no varejo ampliado cresceram 2,4% em relação a janeiro de 2015.

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Vale destacar que, ao contrário de dezembro, que foi beneficiado pelos efeitos de calendário, o primeiro mês do ano foi prejudicado pela troca de dias da semana em relação a 2015 – um domingo a mais e uma quinta-feira a menos. Descontando os efeitos de calendário além da inflação, o ICVA ajustado apontou retração de 5,6% para o mês de janeiro, uma pequena aceleração em relação a dezembro – que havia computado baixa de 5,9% nesse mesmo conceito.

Este resultado, no entanto, teve grande impacto da aceleração observada em Companhias Aéreas, motivada pela deflação do setor, conforme medição do IBGE.

Se excluíssemos o setor de Companhias Aéreas, o cenário seria outro. O ICVA deflacionado ajustado pelo calendário ficaria em -6,1%, contra -5,6% em dezembro, o que indica desaceleração, conforme a tabela abaixo.

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INFLAÇÃO

A inflação no varejo ampliado registrou alta de 9,0% em janeiro no acumulado dos últimos 12 meses, puxada principalmente por alimentos e combustíveis. O número indica uma aceleração sobre os 8,6% registrados em dezembro, no mesmo conceito.

Vale lembrar que a cesta de compras no varejo ampliado não inclui itens como energia elétrica, aluguel e condomínio, que são contemplados no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e têm apresentado inflação acima da média dos demais itens. O IPCA registrou alta de 10,7% no acumulado dos 12 meses encerrados em janeiro.

SETORES

Considerando os grandes blocos de setores que compõem o varejo ampliado, todos tiveram retração nas vendas em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2015.

Os setores relacionados a bens não duráveis mantiveram, em média, o mesmo desempenho do mês anterior. O setor de Supermercados e Hipermercados permaneceu estável, com retração. O setor de Drogarias e Farmácias continua puxando o ICVA para cima, embora tenha diminuído o ritmo em janeiro.

O conjunto de setores que comercializam bens semiduráveis e duráveis – geralmente de maior ticket médio e menor frequência de compra – apresentou nova desaceleração e segue liderando as quedas do índice.

Finalmente, o conjunto de setores da cesta de serviços foi beneficiado pelo bom desempenho em vendas relacionadas ao Turismo, em especial o setor de Companhias Aéreas, com aceleração fortemente impulsionada pela deflação de preços do setor, como comentado acima.

REGIÕES

Em janeiro, todas as regiões brasileiras apresentaram retração no varejo pelo ICVA deflacionado. O Centro-Oeste foi a região que registrou a menor desaceleração de um mês para o outro – ainda assim, queda de 4,1% em relação ao um ano antes. O Sul e o Nordeste computaram, respectivamente, 4,6% e 4,7% de retração do varejo em janeiro, na mesma base de comparação. Já as regiões Norte e Sudeste apuraram queda de 5,7% e 6,6%, respectivamente.

O Sul do país foi a região mais impactada pela inflação do varejo ampliado. Pelo ICVA nominal, em que não há o desconto da inflação, a região registrou alta de 5,9% na comparação com janeiro de 2015. Já as regiões Centro-Oeste e Nordeste registraram, respectivamente, alta de 4,1% e 3,6% na mesma base de comparação.

Ainda pelo mesmo conceito, a região Norte apresentou alta de 2,3% em janeiro. Já o Sudeste, mercado mais maduro e com maior desafio de crescimento, teve alta de 1,7% pelo indicador nominal.

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SOBRE O ICVA

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do varejo brasileiro de acordo com a sua receita de vendas, com base em um grupo de mais de 20 setores mapeados pela Cielo, de pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor dentro do resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.

O ICVA foi desenvolvido pela área de Inteligência da Cielo com base nas vendas realizadas nos mais de 1,8 milhão de pontos de vendas ativos credenciados à companhia. A proposta do Índice é oferecer mensalmente uma fotografia do desempenho do comércio varejista do país a partir de informações reais.

COMO É CALCULADO

A gerência de Inteligência da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos que foram aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do comportamento competitivo do mercado de credenciamento, como a variação de market share, bem como isolar os efeitos da substituição de cheque e dinheiro no consumo – dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.

Esse índice não é de forma alguma a prévia dos resultados da Cielo, que é impactado por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.


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