Varejistas apostam em liquidações para enfrentar a crise

Criatividade e inovação são ótimas armas para enfrentar a pior crise do varejo nos últimos dez anos

Publicado em 30 de setembro de 2015 | 16:15 |Por: Pedro Luiz de Almeida

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Um relatório divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou queda de 6,4% no volume de vendas na comparação entre o primeiro semestre deste ano e o de 2014. Números que, somados aos dados de pesquisas anteriores, preocupam os comerciantes que são forçados a buscar alternativas para contornar a crise.

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Setor de móveis e eletrodomésticos foi o segundo mais afetado pela crise, ficando atrás apenas do automobilístico

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de SP, Maurício Stainoff, comenta que as principais diretrizes adotadas pelos varejistas em uma época como essa são: diminuir despesas desnecessárias, buscar novos fornecedores, reduzir estoque, fazer liquidações, inovar o mix de produtos e trabalhar a motivação dos vendedores. “Um dos erros mais comuns é deixar de investir no próprio negócio, observamos que muitos lojistas cruzam os braços e ficam esperando as coisas melhorarem. É fundamental continuar se aprimorando”, pontua.

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E é o que tem feito o setor. Diante de tal cenário, os empresários estão buscando estratégias para enfrentar as adversidades.  As liquidações, por exemplo, que em ‘tempos normais’ são feitas após as datas comemorativas, tornaram-se mais frequentes, para gerar receita e diminuir estoque acumulado. O Índice de Confiança do Empresário (ICEC) apurado mensalmente pela CNC, revelou que 35% dos comerciantes de bens duráveis admitem estar com estoques maiores do que o considerado adequado, número recorde desde que a pesquisa começou a ser realizada em 2011.

E foi, justamente, o famoso ‘saldão’, o caminho encontrado pela rede Rabelo, com sede no Ceará e atuação em outros Estados do Nordeste. Segundo o coordenador de lojas da varejista, Ricardo Marques, é a principal medida adotada para superar o momento.“Em 2014, realizamos quatro e, esse ano, já foram doze. Percebo que quando faço liquidação, há um aumento de 50% nas vendas”, diz e acrescenta, no entanto,  que esse “relativo aumento” ainda está longe do necessário para superar o déficit acumulado.

Outro comerciante consultado pela reportagem, Adalberto Rodrigues, da Móveis Vitória de Uraí (PR), contou que as soluções encontradas foram investir em produtos de ticket médio mais baixo e procurar por fornecedores mais baratos. “Trabalho no varejo desde 1963, e essa é a pior crise que eu já vivenciei”, reclama.

Poder de compra

Quando as vendas estão em baixa a alternativa mais lógica é reduzir preços. Porém, o economista  da CNC, Fábio Bentes, revela que essa medida não é suficiente devido ao poder de compra dos brasileiros estar consideravelmente reduzido. Para ele, não adianta os produtos estarem baratos se o consumidor não tem dinheiro para comprar. “Será difícil comprar à vista, por exemplo, um móvel que custa R$ 1.000. E as condições de crédito não são favoráveis para parcelamento porque vivemos um período em que as taxas de juros estão absurdas”, completa Fábio.

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Crédito caro e altas taxas de juros afastam consumidores e fazem com que deem mais valor ao seu dinheiro, afirma economista da CNC, Fábio Bentes

Pós-Crise

Bentes revela que as atuais taxas de juros e índices de inflação conduzem para um longo período de crise e que, a tão aguardada época de “vacas gordas”, ainda vai demorar a chegar. “Percebemos que a inflação apresentou relativa queda do acumulado agosto/setembro –  para que a gente tenha uma melhora relativa é necessário uma sucessão de taxas como essa e, se isso acontecer, é provável que consigamos enxergar uma melhora no segundo semestre de 2016”, explica o economista.

Para Stainoff, os comerciantes precisam, além de resiliência e criatividade, aprender com a crise. “A fase está ensinando aos varejistas a serem mais cuidadosos e a planejarem mais o futuro.”


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