Transformações no perfil do consumidor exigem nova comunicação

As transformações no perfil do consumidor exigem uma nova comunicação. Mais bem informado e com acesso a mais produtos, ele quer mais das marcas que consome.

Publicado em 20 de março de 2014 | 10:49 |Por: Portal eMobile

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As transformações no perfil do consumidor exigem uma nova comunicação.  As estratégias de marketing de qualquer organização, exige mais atenção do que nunca por parte do varejo. Mais bem informado e com acesso a mais produtos, ele quer mais das marcas que consome.

Portanto, segundo a professora do curso de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação e Marketing da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Isabel Cristina de Araújo Rodrigues, a função da comunicação passa a ir além de vender, fidelizar, criar ou fortalecer a reputação de uma marca, produto ou serviço.

Arquivo pessoal

Professora Isabel Cristina Araújo Rodrigues

Isabel Cristina: “O consumidor atual não é apenas e tão somente um consumidor de produtos e serviço, ele é, também, um consumidor de ideias”

“O consumidor atual não é apenas e tão somente um consumidor de produtos e serviços, ele é, também, e cada vez mais, um consumidor de ideias. Em razão dessa nova configuração, a comunicação institucional/corporativa é de extrema relevância para o êxito das ações de marketing”, destaca.

Investir em pesquisa é uma das armas para ter uma comunicação relevante, acrescenta Isabel. “Toda empresa que visa o bom relacionamento com seus públicos-alvo tem como tarefa principal mapeá-los, ou seja, defini-los e classificá-los. Hoje existem no mercado inúmeros modelos de pesquisas que ajudam as empresas a conhecer a fundo o público-alvo de suas marcas, produtos e serviços”, sugere.

Para o sócio-diretor da Solo Direto ao Ponto, de São Paulo, Marcelo Murin, perdem-se oportunidades na manutenção do relacionamento com o cliente quando não há a preocupação com a identificação do público. “É fundamental conhecer seu cliente e ter uma boa base de informações sobre ele. Assim, é possível estar sempre em contato, oferecendo serviços diferenciados, e gerar fidelidade. Quantos e quantos clientes não migram de lojas de varejo por não terem recebido a devida atenção, ou simplesmente por desleixo no pós-venda?”, questiona.

Marcelo Murin, sócio-diretor da Solo Direto ao Ponto

Sócio-diretor da Solo Direto ao Ponto, de São Paulo, Marcelo Murin

Falta de conhecimento pode gerar perda de oportunidades com o consumidor, segundo Marcelo Murin

Nova classe média | A segmentação da comunicação deve acontecer da mesma forma e, com os resultados em mão, é preciso saber com quem se está falando e como essa mensagem deve ser transmitida para que chegue sem ruídos e falhas. Um problema observado, por exemplo, é quando as marcas tentam entrar em contato com a classe C, conhecida como a ‘nova classe média brasileira’, que tem uma realidade diferente do que estão acostumados a pensar os varejistas e os profissionais que cuidam das suas estratégias de comunicação.

“Nós temos o que eu chamo de vício de origem. Grande parte dos executivos e publicitários são provenientes das classes A e B e isso não seria um problema se, na prática, não os distanciasse da realidade do novo Brasil”, pondera Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, instituto de pesquisas especializado em entender o consumo da classe média brasileira.

Publicitário de formação, Meirelles salienta que existe uma diferença grande no repertório da classe C, que passa por estética, linguística e o gosto destas pessoas. “O aspiracional da classe C não é o mesmo que o da classe A e B. Enquanto a classe A e B adora tons pastéis, a C adora cores. Enquanto a classe A e B acha brilho no móvel uma coisa horrível, a classe C adora, acha que é mais fácil de limpar e que dura. A classe C mora em casas pequenas, então o móvel precisa ser menor. Chegar ao ponto certo [na comunicação] não é muito fácil neste caso”, reconhece.

Também publicitário, o consultor André Torretta concorda. “É importante ter em mente que a classe C não quer ser A. É um grupo que busca referências em si mesmo e quer saber mais sobre sua própria cultura”, explica. “Sempre fomos acostumados a vender muito caro só para os ricos e precisamos vender para todo mundo”, completa.

Arquivo pessoal

 André Torretta, consultor e publicitário

Para André Torretta, é preciso entender que a classe C busca referências em si mesma

Em artigo no Blog do Management, no portal da Revista Exame, Torretta discute a necessidade de adaptar a comunicação à estética deste grupo de brasileiros. “As marcas não estão aqui para ensinar, mas sim se aproveitar e surfar esta onda. A comunicação brasileira precisa se adaptar ao padrão, ao gosto e à vontade do consumidor brasileiro”, escreve.

Para Meirelles, conhecer esse consumidor é fundamental para a estratégia de qualquer empresa. “Ninguém é líder se não for líder na classe C”, diz em uma série de vídeos do Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp), entidade que reúne agentes da publicidade brasileira, sobre a comunicação com a nova classe média, e que podem ser acessados por meio do QR Code ao final da matéria.

Meios e fins | A TV aberta ainda é preferência entre os anunciantes brasileiros. O meio recebeu 53% do total das verbas aplicadas em 2013, segundo lista divulgada pelo Ibope Media, o que corresponde a R$ 59 bilhões. Apesar disso, lembra Meirelles, vale a pena pensar em uma estratégia de comunicação via internet, pensando nos jovens da classe C. “Temos um público muito conectado, um cara que busca informações, faz pesquisa de preço. A questão é como você oferece conteúdo, é importante ter diálogo e mostrar o que o seu produto pode mudar na vida dele”, sugere.


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