Tendências de Consumo para 2017

Publicado em 8 de dezembro de 2016 | 8:30 |Por: Guilherme Stromberg Guinski

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A agência de tendências e inteligência de mercado TrendWatching divulgou esta semana seu relatório anual 5 Tendências de Consumo para 2017. Sem muitas surpresas, a pesquisa aponta cinco grandes tendências dos consumidores para o varejo sair na frente: ou seja, invista em tecnologia, este é o futuro do varejo.

Segundo a agência, entender estas tendências irá ajudar o empresário a estar sempre à frente das expectativas de seus clientes, além de guiá-lo entre oportunidades inovadoras. Aqueles que se mantêm seriamente ligados sobre os direcionamentos que o consumo em múltiplos canais e dimensões está tomando jê terão percebido que tais tendências não estão apenas no papel, mas já possuem alguns exemplos reais ao redor do mundo. Confira a seguir os cinco pontos abordados pelo relatório:

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Economia da Experiência Virtual
Em 2017 a economia da experiência ganha uma nova dimensão: a Economia da Experiência Virtual. Como observado pelo tecnólogo Kevin Kelly, o amadurecimento das tecnologias em Realidade Virtual, Realidade Aumentada e Realidade Misturada trouxe uma mudança fundamental: da internet na qual a informação é a principal moeda passa para uma na qual a moeda são as experiências.

Segundo o relatório, as experiências digitais serão rapidamente elevadas um status similar, senão maior, às experiências reais. Enquanto a oferta e demanda ditam as regras em um mundo de abundância material, as experiências se tornam partes cada vez mais importantes à identidade, de modo que experiências exclusivas e de difícil acesso adquirem um valor cada vez maior. Por outro lado, a Economia da Experiência Virtual irá acabar com esta lógica, pois, em um mundo virtual infinito e sem fronteiras, as limitações de custo, acessibilidade, capacidade individual não serão aplicáveis, sendo o tempo o único elemento escasso.

Um exemplo prático de tal tendência é a plataforma Alibaba e seu “Singles’ Day” (11/11), o maior evento mundial de varejo online. Segundo a empresa, a plataforma facilitou U$D17.8 bilhões em transações em um único dia (enquanto a Black Friday nos Estados Unidos girou aproximadamente U$D10 bilhões tanto no varejo físico como no online).

Mundos Separados
O ano de 2016 ficou marcado pelo impacto econômico, político, social e cultural da globalização evidenciado pela crise de refugiados, Donald Trump, Brexit, tentativa de golpe de estado na Turquia e disputas no mar da China. Além disso, o cenário também enquadra a salários cada vez menores, automação do trabalho, recuperação desigual da crise de 2008, terrorismo, imigração, segregação racial, social e de gerações… enfim, a lista quase não tem fim.

Os elementos complexos e interligados que caracterizam esta tendência vão muito além do que cabe em um relatório. Uma sugestão é dada para marcas que desejem ideias práticas sobre como agir ou responder a esta tendência em 2017: marcas que realmente tenham um propósito poderão encontrar oportunidades renovadas em auxiliar as pessoas a compreenderem as mudanças na relação com o lar – seja este considerado a nação, cidade ou bairro. Contudo, tais oportunidades irão apresentar dois lados completamente opostos: Novos Cidadãos Globais comprometidos com um mundo aberto e interconectado, enquanto Nacionalistas favorecerão se voltarão cada vez mais para dentro, buscando o conforto no que lhes é familiar.

Uma ação realizada já seguindo esta tendência aconteceu em junho deste ano, quando a marca de cerveja sediada em Singapura Tiger Beer montou uma pop-up store em Chinatown, em Nova York. O objetivo foi redefinir os estereótipos asiáticos, escolhendo uma área conhecida por lojas de desconto para vender produtos asiáticos a preços menores. A loja disponibilizou produtos de moda, tecnologia, arte e design de mais de 700 artistas da Ásia, esgotando o estoque em torno de uma hora após a abertura.

Ou seja, como uma marca se posiciona em relação à diversidade social, cultural, de gênero, etc, ou em relação á solução de problemas locais serão fatores cada vez mais importantes nas escolhas dos consumidores sobre um produto ou serviço. O importante é que tais posicionamentos sejam positivos, pois ficar neutro ou em cima do muro não serão mais opções tanto para empresas quanto para o público.

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Indivíduos Incógnitos
Com o avanço da mega-tendência do Consumo Pós-Demográfico, surgem dois novos caminhos: marcas reconhecendo cada vez mais segmentos demográficos não tradicionais, porém mais autênticos (como o maquiador James Charles, de 17 anos, ser o primeiro rosto masculino a aparecer na capa da revista Covergirl); e, ao mesmo tempo, novos volumes e fontes de dados levando negócios em “segmentos de um” para uma escala em massa (como o serviço Discover Weekly, do Spotify).

Enquanto os consumidores acolhem bem ambas as abordagens, é preciso flexibilidade e fluidez para aqueles momentos em que as pessoas querem explorar outros terrenos sem se depararem com preconceitos, constrangimentos e repercussões. Na medida que os consumidores entregam o controle a algoritmos, a vontade de sair da própria jaula de dados somente irá crescer.

Como ficou evidenciado em 2016, a revolução digital ainda é uma utopia, como foi possível perceber com a briga do Airbnb com anfitriões preconceituosos, ou a publicação de pesquisa mostrando que motoristas do Uber e Lyft são mais propensos a cancelar uma corrida quando os nomes dos clientes pareciam ser afro-americanos.
É por isso que em 2017 veremos oportunidades para marcas, produtos e serviços que permitam usuários incógnitos serem livres.

Já aplicado em algumas empresas o software interviewing.io, criado para auxiliar em entrevistas de emprego para cargos técnicos, desenvolveu uma aplicação que altera a voz tanto do entrevistador quanto do candidato, evitando que a escolha seja feita baseada em preconceitos ou outras predisposições ideológicas do entrevistador.

Capacidade de Captura
Como comentado anteriormente, o propósito desta lista é superar as expectativas dos clientes. As tendências emergem com ações inovadoras aumentando as expectativas sobre um elemento de experiências do consumidor, então, estas experiências formam ondas que se levantam e quebram sobre outras áreas, indústrias e mercados.

Um exemplo é a mega-tendência da sustentabilidade. Antes uma tendência, agora já começa a ser vista como uma obrigação de todas as cadeias produtivas. Enquanto a economia colaborativa, negócios peer-to-peer e o aumento de negócios acesso-sobre-posse recalibraram radicalmente as expectativas dos consumidores sobre uso e desperdício, os modelos tradicionais de negócios começam a parecer ainda mais devassos.

Assim, em 2017 as marcas mais inteligentes irão ampliar seus conceitos sobre sustentabilidade e mirar sua atenção à Capacidade de Captura. Ou seja, encontrar e desbloquear novas fontes de valor, ou encontrar novas formas de eliminar o todo recurso desperdiçado.

Não é apenas em países de primeiro mundo que estão pensando à frente. Em fevereiro deste ano, a Cidade do Cabo aprimorou seu serviço de Troca Integrada de Lixo para deixá-lo mais amigável ao usuário. O governo criou um portal online que permite empresas e cidadãos se conectarem para reciclar itens como móveis, pneus, computadores e embalagens. O portal possibilita que os usuários postem ou procurem produtos que tenham necessidade.

Marcas Big Brother
As expectativas dos consumidores em torno de conveniência, relevância e coerência alcançarão um novo patamar em 2017. Enquanto o Big Brother do livro “1984”, de George Orwell, era um senhor supremo e distópico, o desejo implacável por níveis mágicos de serviços personalizados irá de encontro a tecnologias inteligentes. Ou seja, seremos observados por livre e espontânea vontade.

Duas novas correntes impulsionam esta tendência para o próximo ano. Primeiramente, a substituição da tela como a forma primária de interação com os dispositivos digitais. O reconhecimento de voz está se tornando a interface do futuro. Em segundo lugar, interações intuitivas irão convergir com as inovadoras capacidades de assistentes de inteligência artificial. Um sinal desta tendência é a previsão de crescimento no número de usuários de assistentes digitais virtuais, computados em 390 milhões em 2015, para 1.8 bilhão em 2021.

Um exemplo recente para o varejo é a loja Amazon Go. Aparentemente um supermercado normal, a loja não possui caixas ou filas. O usuário apenas entra na loja registrando o aplicativo, pega o que precisa, sai e é cobrado diretamente no cartão registrado no aplicativo. A loja possui tecnologia que reconhece tudo o que o usuário retira (ou mesmo devolve), e deve abrir a primeira filial para o público no início do próximo ano.

Conclusões
Reconhecer tendências não tem segredo. É preciso apenas parar de observar o consumidor e começar a prestar atenção nas inovações que chegam ao mercado. Como todos já sabem, os consumidores nunca foram tão exigentes e a competição nunca foi tão acirrada, porém nada disso irá muda em 2017 (ou 2018, ou 2019…). Contudo, identificar as tendências e aplicá-las é a arma secreta para tornar as dificuldades dos outros em vantagens para o seu negócio.

 

Fonte: TrendWatching


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