Sua marca está pronta para fazer sacrifícios?

Segundo relatório elaborado pela Trendwatching.com, em 2015, os consumidores vão exigir que as marcas tornem o mundo em um lugar melhor

Publicado em 8 de outubro de 2014 | 14:05 |Por: Renata Bossle

Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Shutterstock

Uma grande ideia pode ser arriscada, mas gera maior impacto para as organizações

Uma grande ideia pode ser arriscada, mas gera maior impacto para as organizações

Ao longo dos últimos anos, estilo de vida ganhou importância para o marketing. As empresas passaram a promover e a identificarem-se com comportamentos, posicionando-se ao lado de outras escolhas de seus consumidores. De acordo com o relatório de outubro do site Trendwatching.com, os consumidores querem um mundo melhor – e vão exigir que as marcas os acompanhem nisso.

Para apresentar essa tendência, o estudo cita uma pesquisa feita pela Accenture & Havas Media em junho desse ano. Dos 30 mil consumidores consultados, 72% acreditam que as empresas estão falhando em tomar conta do planeta e da sociedade como um todo. Esse quadro, para a Trendwatching, faz com que muitas iniciativas sustentáveis esbarrem no ceticismo dos consumidores.

Leia mais:
Norton investe em marketing e sustentabilidade
Marketing e comunicação: aposte nas redes sociais
Eucatex enxerga tendências para consumidor brasileiro

A alternativa apresentada para lidar com essa situação, dessa forma, seria a tomada de medidas drásticas, reais e construtivas para chamar a atenção e engajar os clientes: sacrifícios. “A mensagem passada por muitos consumidores é ‘faça como eu digo, não como eu faço’”, lamenta o relatório, que indaga: “quem disse que os consumidores precisam ser justos?”.

Shutterstock

Para atingir seu público, empresas criam barreiras para comportamentos considerados inadequados com a marca

Para atingir seu público, empresas criam barreiras para comportamentos considerados inadequados com a marca

Entendendo o comportamento

Segundo a Trendwatching, em busca de um consumo sem culpa, as pessoas estão buscando por marcas que façam sacrifícios que eles mesmos não precisarão fazer.

“Muitos concordam que seria melhor para o planeta se todos viajassem um pouco menos de avião, mas quantos realmente pararam de voar?”, exemplifica. Dados do departamento de transporte dos Estados Unidos mostram que 87,4% das rotas domésticas estiveram cheias em junho de 2014, um verdadeiro recorde. Além disso, a demanda por passagens cresceu 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Enquanto alguns consumidores estão realmente fazendo sacrifícios, outros buscam por um novo tipo de consumo: um que os permita manter o comportamento indulgente sem culpa dos impactos negativos para si, para a sociedade e para o planeta”, aponta.

Fazendo sacrifícios

Algumas empresas citadas pelo relatório já tomaram medidas nesse sentido, reduzindo os impactos negativos para os consumidores.

Shutterstock

Muitas dos sacrifícios realizados por empresas foram originados por demandas dos consumidores

Muitas dos sacrifícios realizados por empresas foram originados por demandas dos consumidores

CVS: Desde setembro de 2014, a rede de farmácias dos Estados Unidos retirou todos os cigarros e produtos relacionados ao tabaco de suas lojas. A previsão é que a empresa perca U$ 2 bilhões em sua receita anual, mas o estoque desses produtos era considerado inadequado para uma empresa ligada a saúde. A ação foi acompanhada de uma campanha incentivando que os consumidores parem de fumar.

Tesco: Em maio, a rede de supermercados anunciou que removeria os doces próximos aos caixas de suas lojas até o fim do ano em uma política de insentivo a escolha de produtos mais saudáveis. Em uma pesquisa no Reino Unido, 65% dos compradores afirmaram que mover os doces para outro local da loja os encorajaria nesse sentido.

Intel: No começo de 2014, a multinacional de tecnologia parou de aceitar matérias-primas vindas de zonas de conflito para a produção de seus microprocessadores. Segundo a empresa, minerais como ouro e tungstênio são mais facilmente encontrados em países que vivem conflitos armados e/ou convivem com situações de desrespeito aos direitos humanos.

Guiness: A fabricante de bebidas irlandesa cancelou sua participação nas comemorações do Dia de São Patrício em Nova Iorque por que a organização do evento impediu que grupos LGBT carregassem faixas de apoio ou sinais de identificação. A marca costumava ser uma das principais patrocinadoras da festa, de modo que já foram anunciadas mudanças nas regras para a edição de 2015.

STA Travel: Em maio, a empresa de viagens do Reino Unido anunciou que pararia de vender pacotes para destinos que tem tratamentos considerados antiéticos com os animais. O banimento inicial incluía até mesmo os parques temáticos SeaWorld e foi implementado após uma sugestão da ONG Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta).

H&M, Forever 21, Topshop, Asos e outras: Após alegações de que fornecedores da China estavam maltratando animais para a produção de lã, em novembro de 2013, mais de 30 redes de vestuário removeram peles de angorá de suas coleções. Algumas se comprometeram a banir a matéria-prima no Reino Unido, enquanto outras fizeram compromissos globais.

Para mais exemplos, acesse o relatório completo (em inglês).


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

eMobile