Inadimplência no comércio permanece estável

Segundo o SPC, 57 milhões de brasileiros estão com CPF negativado

Publicado em 9 de outubro de 2015 | 17:13 |Por: Pedro Luiz de Almeida

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71% de todas as dividas registradas estão vencidas há mais de uma ano.

De acordo com relatório divulgado na manhã desta sexta-feira (9 de outubro), pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) 38,9% da população adulta (18 a 94 anos) está em situação de inadimplência. Isso significa que 57 milhões de brasileiros estão com CPF negativado.

Dentre os setores que registraram alta na inadimplência, o comércio ficou com o menor percentual (0,85%). O que necessariamente não representa uma boa notícia, pois é o reflexo do seguido baixo desempenho registrado pelo segmento e da diminuição do poder de compra dos clientes.

Além disso, segundo a a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti,  “os números mostram como está difícil para os brasileiros pagarem qualquer tipo de conta até mesmo as mais baratas, considerando que a inadimplência nos pagamentos de água e luz apresentou alta de 12,55%.”

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Perfil
Os jovens, segundo o relatório do SPC, são os mais conscientes na hora de pagar as contas. Dos 18 aos 24 anos, a taxa de inadimplência apresentou queda de 8,95%. Por outro lado, os idosos, de 65 a 84 anos, registraram aumento de 10,92% na lista de “nomes sujos”. “Os dados refletem, de um lado, a entrada tardia dos jovens no mercado de trabalho e, consequentemente, se endividando menos. Do outro, o aumento da expectativa de vida dos mais idosos, inclusive com a expansão da oferta de bens, serviços e de produtos de crédito direcionados a esse público específico”, justifica Marcela.

Outro lado da moeda

Para Marcela, outra maneira de lidar com os números (e de forma mais positiva!) é saber que no varejo os índices de inadimplência costumam ser mais estáveis pois há um planejamento para vender menos em épocas de retração como essa, além do know-how no processo de análise de crédito feito junto ao cliente.

Outro diferencial, especialmente nas lojas menores, e que pode ser usado a favor do setor, é o relacionamento próximo com o consumidor.  “Normalmente no varejo se conhece melhor o cliente. Por isso, além da análise de crédito, é importante investigar com cuidado o perfil e o momento daquele cliente e, assim, orientar sobre qual o melhor plano de pagamento para o ‘cobertor’ não ficar curto”, defende Marcela.

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Dividas bancárias representam 48,17% do total de inadimplentes.

Crediário

E, ao que tudo indica, “a felicidade [ainda] é um crediário das Casas Bahia”, como já dizia a música do Mamonas Assassinas. Mesmo após a disseminação dos cartões de créditos, esta forma ainda é muito utilizada pelo comércio, especialmente em lojas menores.

A modalidade torna-se outro ponto a favor no controle da inadimplência, de acordo com Marcela, pois facilita, também, na hora de cobrar a dívida. “Geralmente em cidades pequenas, os empresários conhecem quase todo mundo e sabem quem são seus clientes, quem está desempregado, quem é bom pagador, isso é importante na hora de liberar crédito e manter o relacionamento”, afirma.

A proprietária e gerente da loja Santana Móveis, Meire Aires de Oliveira, comenta que 70% de suas vendas são graças ao financiamento próprio e, deste número, 45% estão com parcelas atrasadas. “Atuamos há mais de 20 anos e sempre buscamos estratégias de proximidade com os inadimplentes para que eles voltem a comprar na loja”, explica Meire.

Essa forma de aproximação com o seu consumidor, característico dos pequenos negócios e de cidades pequenas, pode ser adaptada pelas grandes redes como forma de diminuir o número de pessoas com nome sujo, opina Marcela. Altas taxas de juros somadas à inflação diminuem o poder de compra dos clientes, que acabam procurando mais os crediários, e é nesse momento que o lojista precisa estar atento. “O segredo é encontrar o ponto entre a liberação de crédito consciente e a chance de não perder a venda, este é desafio do varejo”, aponta Marcela.


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