Rumo a uma nova classe alta?

Em entrevista a Revista Móbile Lojista, o ministro interino da Sae da Presidência da República e presidente do Ipea, Marcelo Neri, fala sobre a “nova classe média”

Publicado em 16 de maio de 2014 | 14:11 |Por: Marina Gallucci

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Cunhador do termo “nova classe média”, o ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos (Sae) da Presidência da República e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, levanta a bandeira sobre um outro momento no processo de mobilidade social brasileiro.

Saulo Cruz/Sae

Segundo Neri, logo vai se falar em recém-chegados às classes AB, sobre pessoas que não se encontravam nesses segmentos e demandarão novos desafios

Segundo Neri, logo vai se falar em recém-chegados às classes AB, sobre pessoas que não se encontravam nesses segmentos e demandarão novos desafios

Móbile Lojista – Há alguns anos que se fala em nova classe média e nesse processo de ascensão. Esse conceito se transformou e evoluiu junto com essa classe média? Ainda falamos do mesmo grupo?
Marcelo Neri – Essa classe média já não é tão nova. Vivemos um processo contínuo ao longo do tempo. Se observarmos a história brasileira, tivemos vários momentos de crescimento: o primeiro salto foi com o milagre econômico, depois outro salto de incorporação de pessoas ao mercado com o plano real. O Brasil viveu um período de muitos “stop-and-go”, de flutuações.

Mas, quando falamos nessa nova classe média, abordamos um período relativamente contínuo, de crescimento ano após ano, depois do fim da recessão de 2003. A partir de uma combinação, que é relativamente rara no mundo e particular do Brasil, que é o desenvolvimento com redução de desigualdade. A característica desse período é ter essa continuidade e ser essa combinação. E também, principalmente, de crescimento da renda das pessoas, e da renda do trabalho até mesmo mais do que o Produto Interno Bruto (PIB).

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Então você considera a renda um grande fator para ascensão dessas pessoas?
Neri – A média de renda é uma maneira de ver [essa transformação]: de 2003 a 2012, o PIB cresceu 27,8%, a renda média da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) cresceu 52% e a renda mediana [que desconsidera extremos que podem alterar o resultado], que seria uma espécie de começo da classe média, cresceu 78%. Esse crescimento não apenas na média tem uma contribuição importante em relação à desigualdade. O principal símbolo desse grupo é a geração de carteira de trabalho, do emprego formal – até mais que cartão de crédito e acesso a bens de consumo, e é isso que torna essa classe média mais consistente.

Depois de dez anos, é importante dizer que, nos últimos três, embora o PIB tenha crescido relativamente pouco, essa nova classe média continua subindo. Ela passou por um bom teste de amortecedor. Mas, por outro lado, em termos de consumo e aspirações, depois deste período, eu acho que há mudanças. Esse grupo em ascensão coloca pressão pela melhoria da infraestrutura pública, sejam estradas, ruas e aeroportos. Eu coloco como um dos grandes desafios à frente: a qualidade da infraestrutura e dos serviços públicos. No entanto, há uma dicotomia, uma tensão, pois, muitas vezes, esses serviços são prestados pelo setor privado: como plano de saúde, escola e previdência privadas.

Confira a entrevista completa na edição 305 da revista Móbile Lojista.


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