Reforma tributária é considerada importante pelo varejo

Para 77% das empresas, a reforma tributária melhoraria a economia do país de alguma forma, enquanto 65% avaliam negativamente o atual sistema

Publicado em 23 de fevereiro de 2017 | 14:12 |Por: Érica da Costa Diniz

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Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) afirma que oito em cada dez empresários dos setores de varejo e serviços (83%) consideram importante a reforma tributária no país. O estudo também mostra que 77% dos entrevistados acreditam que a reforma melhoraria a economia de alguma forma, e que os principais resultados positivos seriam a geração de empregos (60%), aumento na capacidade de investimentos nos negócios (41%) e incentivo na criação de novos negócios (38%).

Outros 7% entendem que a reforma traria uma piora ao país. Os motivos seriam a oportunidade de criação de novos impostos (15%), possibilidade de distorções na distribuição de recursos entre os Estados (14%) e o agravamento da situação fiscal dos Estados (12%). 46% não souberam responder.

O estudo indica que 65% dos empresários avaliam o sistema atual negativamente. Em uma escala de 1 a 10, a média no quesito de aprovação na forma como o governo utiliza os impostos foi de 3,1.

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Reforma tributária

Reforma tributária: atualmente 25% do faturamento vai para imposto

Para os que avaliam mal o sistema, os principais pontos negativos são: o pagamento de imposto sobre imposto (54%) e a grande quantidade de tributos (52%), além de 32% que dizem que os valores excessivos aumentam muito os valores finais, que é o que chega para o cliente, prejudicando assim as vendas. 49% dos entrevistados não veem características positivas no atual sistema, enquanto 16% destacam como ponto positivo a redução da burocracia e 13% a redução da informalidade.

 

Devido a complexidade do sistema tributário no país, os empresários acreditam que os negócios são diretamente impactados com o desestímulo ao crescimento e criação de empresas (35%), prejuízo aos contribuintes de menor poder aquisitivo (23%) e elevado custo de administração tributária – com pessoas e sistemas para pagamentos de impostos (20%).

“O sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos do mundo e a reforma é importante para simplificar este quadro para os empresários, o que impactaria diretamente no consumidor”, afirma Honório Pinheiro, presidente da CNDL. “Apesar de o debate econômico estar centrado em temas como PIB e taxa de juros, as reformas chamadas de microeconômicas também são importantes para trazer fôlego para a economia a longo prazo”, completa.

Motivos da reforma
Oito em cada dez empresários (80%) já ouviram falar da reforma tributária. 69% sabem em algum grau sobre o que está sendo discutido. Para os entrevistados, os principais motivos para se discutir a reforma são: necessidade de diminuir a carga excessiva de tributos (32%), geração de empregos (17%) e necessidade de simplificar o sistema (13%). Impostos como ICMS, ISS e contribuições previdenciárias foram citados por empresas que pagam impostos como obstáculos para oferecer bons preços e ter competitividade no mercado (44%, 31% e 31%, respectivamente).

Os temas que tem mais apoio nas propostas de reforma tributária são os que causam grande impacto financeiro: redução dos encargos sobre a folha de pagamento (73%), tributação de pequenas empresas em proporção à sua capacidade econômica (68%) e obrigações acessórias mais simples do que o regime normal de tributação para os pequenos negócios (64%). Outra proposta que teve grande apoio foi a de garantir a não-cumulatividade na tributação (ICMS, IPI, PIS/Confins), citada por 57% dos entrevistados, e também a que institui a taxação de grandes fortunas (IGF), com apoio de 48%.

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Segundo o presidente da CNDL, o ICMS é uma queixa recorrente dos empresários. “A questão do ICMS, que é um imposto sobre consumo, surge com frequência nas discussões sobre a reforma tributária. Quando a transação envolve mais de um estado, as alíquotas podem variar de estado para estado e o recolhimento pode ficar ainda mais complexo”, explica Pinheiro.

Em média, 25% do faturamento das empresas é destinado ao pagamento de impostos. Por outro lado, 50% dos empresários não sabem qual é o percentual aproximado.

Informalidade
Ainda que existam diversos problemas relacionados ao sistema tributário, (49%) acreditam que não é certo atuar na informalidade. No entanto, um terço (31%) não considera errado atuar na informalidade porque o sistema faz com que as empresas adotem essa prática. 16% admitem que já atuaram ou estão atuando na informalidade, com destaque às empresas das capitais (21%).

Expectativas
Quase metade dos empresários (48%) acreditam que exista alguma chance de isso acontecer, 27% não veem nenhuma chance e 25% não souberam responder. “Assim como os outros projetos para impulsionar a economia, a reforma tributária também deve ser discutida. Para o movimento lojista é importante que isso aconteça, desde sejam adotadas medidas que simplifiquem o sistema e não adicionem novos tributos”, finaliza Honório Pinheiro.

Metodologia
A pesquisa buscou avaliar o grau de conhecimento e opinião dos empresários sobre o sistema tributário brasileiro e aspectos relativos à reforma tributária, além de seus hábitos em relação ao recolhimento de impostos. Foram ouvidos 822 empresários brasileiros, com empresas de todos os portes, nos ramos de comércio varejista e serviços, de todas as regiões do Brasil, capital e interior. A margem de erro geral é de 3,4 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%. Baixe a pesquisa na íntegra e a metodologia clicando no link.

(com informações da assessoria)

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