Ranking global de vendas no varejo: Brasil ocupa 20ª posição

China e Índia encabeçam a lista. Ásia lidera o Índice com quatro dos cinco principais países, impulsionada pelas populações significativas e crescimento das vendas de varejo. Seis países da África Subsaariana compõem os rankings, refletindo o alto potencial da região — Nigéria, Costa do Marfim, Zâmbia, África do Sul, Gana e Quênia

Publicado em 21 de junho de 2016 | 10:11 |Por: Cleide de Paula

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A China, um dos mercados de varejo mais dinâmicos do mundo, ocupa a primeira posição do Índice de Desenvolvimento do Varejo Global (GRDI, na sigla em inglês) 2016, de acordo com um relatório divulgado hoje pela A.T. Kearney, intitulado “Expansão do varejo global em uma encruzilhada”. O alto potencial de mercado, crescimento rápido, melhor ambiente regulamentar e facilidade de fazer negócios da Índia levou o país à segunda posição nos rankings.

O Índice de Desenvolvimento do Varejo Global 2016 marca a 15o edição anual do relatório. Nos últimos 15 anos, os mercados em desenvolvimento tiveram um enorme crescimento, tanto em termos populacionais, crescendo 21%, para 6,2 bilhões de pessoas, quanto em termos de vendas de varejo, que aumentaram 350% nos países em desenvolvimento e representam, atualmente, mais da metade do total de vendas de varejo globais

O GRDI classifica os 30 principais países em desenvolvimento para o investimento mundial em varejo (vide tabela abaixo). O índice analisa 25 variáveis macroeconômicas e específicas do varejo para ajudar os varejistas a elaborar estratégias globais bem-sucedidas para identificar novas oportunidades de investimento no mercado. O estudo é único, pois não apenas identifica os mercados mais atraentes atualmente, como também aqueles que oferecem potencial para o futuro.

 

Hana Ben-Shabat, sócio da A.T. Kearney e coautor do estudo, comenta “Apesar da desaceleração do crescimento econômico da China, país líder no ranking do GRDI, este continua sendo um dos mercados de varejo globais mais atraentes. A economia está passando gradualmente de um modelo guiado por investimentos para um orientado pelo consumo. O crescimento da classe média, combinado com a forte demanda interna e das pequenas cidades e o afrouxamento da política do filho único continuarão gerando crescimento nos próximos 10 anos”.

 

Mike Moriarty, também sócio da A.T. Kearney e coautor do estudo, afirma: “A posição de destaque da Índia no ranking é impulsionada pelo crescimento do PIB, maior facilidade de fazer negócios e maior clareza dos regulamentos de Investimento Estrangeiro Direto (IED). A Índia é, atualmente, a economia que cresce mais rápido no mundo, superando a China, e a demanda de varejo está sendo impulsionada pela urbanização, uma classe média em expansão, e um maior número de mulheres entrando na força de trabalho”.

 

Resultados regionais do GRDI

(O relatório GRDI completo inclui comentários detalhados para cada um dos 30 países classificados no Índice.)

 

América Latina

Embora a América Latina tenha menos países no topo do ranking deste ano, a região continua sendo uma oportunidade de investimento em varejo promissora. México e Chile saíram das posições de destaque do GRDI devido à saturação do mercado. O Peru (nº 9) passou a ocupar o “top 10”, impulsionado pelo estímulo do livre comércio e um crescimento estável, como os varejistas expandindo-se para bairros emergentes e cidades secundárias. A posição do Brasil (nº 20) continua caindo, já que o mercado em expansão sofreu, recentemente, o impacto da deterioração crescente das condições políticas e econômicas.

Os varejistas estão se adaptando ao ajustar os formatos das lojas nas grandes cidades, investir em promoções e buscar mercados relativamente inexplorados com crescimento constante do PIB, como o Paraguai (nº 25) e República Dominicana (nº 17).

Priscila Seki, sócia do escritório brasileiro da A. T. Kearney, comenta: “A edição de 2016 do GRDI tem por objetivo identificar as melhores oportunidades de investimento, não apenas indicando os mercados mais atraentes hoje, como também aqueles com maior potencial futuro para as empresas de varejo. Este ano o Brasil apresentou a 20ª posição no ranking.

Com forte presença histórica entre os “top 10”, essa queda se deu devido à instabilidade política e econômica do país, especialmente no último ano, com downgrades de investimento internacional e o impeachment da presidente. Recentes desafios se refletem na queda de 3,7% do PIB e uma expectativa de crescimento ainda negativa para 2016.

O mercado de varejo seguiu o mesmo direcionamento do mercado e apresentou uma queda de 4,3% em 2015. Apesar disso, varejistas estão respondendo à situação atual, vimos o aumento do número de promoções para estimular as vendas, especialmente no e-commerce, que investiu em datas geralmente atreladas a celebrações, como Dia das Mães, Natal e o novo fenômeno Black Friday, apesar do fato que brasileiros não comemoram o dia de Ação de Graças. Também, há o investimento dos varejistas a ‘lojas de conveniência’ nas grandes cidades, oferecendo fácil acesso e maior comodidade a população, como encontramos hoje no Mini Mercado Extra, Minuto Pão de Açúcar e Dia.”

 

Ásia

Globalmente, a Ásia é a vencedora regional em 2016, com quatro dos cinco principais países no Índice — China (nº 1), Índia (nº 2), Malásia (nº 3) e Indonésia (nº 5) —, devido a uma combinação de grandes populações e alto crescimento.

O lançamento oficial da Comunidade Econômica da ASEAN (AEC), que criou um mercado de US$ 2,6 trilhões, com uma população de mais de 622 milhões de habitantes, é um marco importante, embora a implementação seja um processo longo. A Parceria Trans-Pacífico (TPP), se for ratificada, poderá aumentar o PIB de vários países asiáticos, incluindo o Vietnã (nº 11) e a Malásia (nº 3).

O e-commerce continua crescendo na Ásia, subindo 35,7% em 2015 para atingir US$ 878 bilhões. Atualmente, a Ásia não somente é o maior mercado de e-commerce, como também detém uma participação majoritária das vendas on-line globais (52,5%).

 

Ásia Central e Leste Europeu

O crescimento econômico reduzido e moedas desvalorizadas nessa região criaram dificuldades para os varejistas do mercado de massa e principais varejistas de alimentação se concentrarem em formatos menores. A Turquia (nº 6) passa a ocupar o “top 10” do GRDI graças ao crescimento sólido e a uma população jovem e urbana, mas o aumento do desemprego, renda disponível limitada e os desafios recentes de segurança ameaçam o seu desenvolvimento de varejo mais amplo.

Apesar da queda nos preços do petróleo, o Azerbaijão (nº 10) manteve-se em uma posição de destaque, impulsionado pelo seu setor de turismo em rápido crescimento. Na Rússia (nº 22), a turbulência continua, mas um rublo fraco impulsionou alguns setores, particularmente o de luxo.

 

Oriente Médio e Norte da África (MENA)

O varejo no MENA teve um ano difícil, em grande parte devido a choques em suas duas maiores economias — os Emirados Árabes Unidos (nº 7), onde o turismo diminuiu, e a Arábia Saudita (nº 8), recuperando-se da queda acentuada dos preços do petróleo. Embora as vendas absolutas tenham crescido, os investidores tornaram-se muito mais cautelosos sobre o crescimento da região do Golfo e estão começando a analisar outros mercados do Norte da África, como o Egito (nº 30), que devem se estabilizar no médio prazo e oferecer acesso a grandes – e ainda relativamente fragmentados – mercados de varejo. Muitos participantes locais de destaque têm planos de expansão moderada na região, mas os players estrangeiros estão se tornando um pouco mais reticentes em abrir novas lojas.

 

África Subsaariana

O enorme potencial da região é refletido nos seis países da África Subsaariana classificados no GRDI deste ano. Oportunidades para os varejistas continuam surgindo. À medida em que a renda familiar aumenta, os países tornam-se urbanizados, a classe média em ascensão abraça o varejo organizado e exige mais e melhores serviços. No entanto, o comércio informal ainda domina e expandir-se para a região está longe de ser uma tarefa fácil.

Os varejistas registram diferentes níveis de sucesso em diferentes mercados. A Nigéria (nº 19) tem uma população de 180 milhões de pessoas, mas um ambiente de negócios desafiador e um mercado de comércio informal profundamente enraizado continuam sendo uma aposta de alto risco e alto retorno. A África do Sul (nº 27) é grande e altamente urbanizada, mas também tem fortes participantes locais e um mercado saturado.

Para ler o Relatório GRDI 2016 completo, acesse www.atkearney.com/consumer-products-retail/global-retail-development-index/2015 .

 

Ranking do Índice de Desenvolvimento do Varejo Global 2016

 

País Classificação de 2016
 

China

 

1

 

Índia

 

2

 

Malásia

 

3

 

Cazaquistão

 

4

 

Indonésia

 

5

 

Turquia

 

6

 

Emirados Árabes Unidos

 

7

 

Arábia Saudita

 

8

 

Peru

 

9

 

Azerbaijão

 

10

 

Vietnã

 

11

 

Sri Lanka

 

12

 

Jordânia

 

13

 

Marrocos

 

14

 

Colômbia

 

15

 

Filipinas

 

16

 

República Dominicana

 

17

 

Argélia

 

18

 

Nigéria

 

19

 

Brasil

 

20

 

Costa do Marfim

 

21

 

Rússia

 

22

 

Zâmbia

 

23

 

Romênia

 

24

 

Paraguai

 

25

 

Tunísia

 

26

 

África do Sul

 

27

 

Gana

 

28

Quênia  

29

 

Egito

 

30

 


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