Consumidor brasileiro é mais racional, segundo SPC

Instituição realizou estudo que classifica consumidores em quatro perfis diferentes e estima que 44,8 milhões brasileiros são controlados e cautelosos e 23,3 milhões são imediatistas e imprudentes

Publicado em 31 de agosto de 2014 | 12:25 |Por: Marina Gallucci

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Paulo Bau/Arquivo Revista Móbile

Buscam sempre a melhor opção entre custo e benefício. Para este tipo de consumidor, o valor simbólico dos produtos está em segundo plano e a funcionalidade e o preço são os quesitos mais importantes

Maioria dos consumidores consultados pela pesquisa, buscam sempre a melhor opção entre custo e benefício: a funcionalidade e o preço são os quesitos mais importantes

Uma pesquisa encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz procurou identificar e entender o perfil comportamental do consumidor brasileiro frente às compras, ao planejamento financeiro e à situação de endividamento. O estudo estima que 31%, o que equivale quase um terço dos consumidores entrevistados, é racional e planeja antes de gastar, além de pagar as contas em dia e seguir os limites do próprio orçamento.

A amostra do estudo foi composta por consumidores das 27 capitais brasileiras, com mais de 18 anos, de ambos os sexos, pertencentes a todas as classes sociais e divididos em dois grandes grupos: 639 pessoas adimplentes e 606 pessoas inadimplentes. O critério utilizado para definir quem está no grupo do adimplente e do inadimplente foi ter, ou não, conta vencida há mais de 90 dias.

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McCann traça diferentes perfis do consumidor

A partir dos resultados, os entrevistados foram classificados em quatro tipos diferentes, confira.

Imprudentes

Com a maior parte vinda da chamada nova classe média brasileira, estima-se que este grupo represente 17% da população economicamente ativa ou 23,3 milhões de consumidores. No passado, consumir para eles estava relacionado à sobrevivência, mas, com o aumento da renda e com o maior acesso ao crédito, encontraram no consumo um meio de reafirmar sua nova condição social.

Com comportamento voltado para a cultura do excesso, valorizam produtos de grife. Impulsivos e imediatistas, não se preocupam com o futuro e não têm o hábito de planejar e nem de poupar – 51% dos consumidores dessa categoria estão com o nome sujo simplesmente por não terem o hábito de programar o próprio orçamento.

“Essas pessoas parcelam as compras ao máximo para adquirir novos produtos e deixam até de pagar uma conta para poderem comprar ainda mais. Como também tendem a pensar principalmente no curto prazo, não se organizam para pagar as dívidas, não honram os compromissos e acabam ficando inadimplentes”, explica Marcela Kawauti, economista do SPC Brasil.

Racionais

Buscam sempre a melhor opção entre custo e benefício. Para este consumidor, o valor simbólico dos produtos está em segundo plano e a funcionalidade e o preço são os quesitos mais importantes. Só compram algo se o item for útil e necessário. “Por serem pacientes e estarem aptos a pensar mais no futuro, os racionais costumam economizar e poupar para realizar metas mais desafiadoras, como comprar um automóvel, a casa própria ou fazer uma viagem”, explica a economista.

O grupo representa a maior parte da população economicamente ativa: 31% ou 44,8 milhões de consumidores. Sabendo onde querem chegar, esse perfil controla os próprios impulsos, planeja as compras, prefere pagar a vista, pesquisa preços e considera o nome limpo um bem precioso. Na visão do educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, para esses consumidores, “cada compra é um processo decisório lógico, que respeita o próprio orçamento e as consequências de curto, médio e principalmente as de longo prazo”.

Apesar do cuidado com que conduzem a vida financeira, não estão completamente livres dos problemas com dinheiro, já que 26% que estão adimplentes dentro deste grupo admitem já ter ficado com o nome sujo. Mas existe uma diferença importante em relação aos imprudentes: o maior motivo para acumular débitos é a perda do emprego, segundo afirmam 25% dos entrevistados e que têm dívidas em atraso.

Moderados

Paulo Bau/Arquivo Revista Móbile

as características de uns consumidores muitas vezes confundem-se com as de outros, fazendo com que seja possível que muitas pessoas possam apresentar, ao mesmo tempo, comportamentos de dois ou mais perfi

As características muitas vezes confundem-se, fazendo com que seja possível que o consumidor apresente, ao mesmo tempo, comportamentos de dois ou mais perfis

Representando um quarto (25%) dos consumidores ou 35,9 milhões de pessoas, os moderados adotam um planejamento financeiro como os consumidores racionais, mas de vez em quando as tentações fazem com que eles não consigam segui-lo à risca o tempo todo. “Isso ajuda a explicar o fato de que 40% dos moderados sem dívidas em atraso admitem já ter ficado com o nome sujo”, disse Marcela.

A maior parte é de  jovens que vêem no consumo uma forma de expressão, autoafirmação e de serem admirados. “Essas características não são incoerentes. Na verdade, são complementares e demonstram que os equívocos dos moderados em relação ao dinheiro não os deixem perigo constante. São escapadas ocasionais que os fazem comprar mais do que precisam”, explica José Vignoli.

O estudo mostra que, entre os adimplentes, a maior parte (68%) afirma que prefere pagar suas contas à vista. Para o educador, apesar de terem um lado impulsivo, adotam estratégias eficazes para evitar o endividamento.

Apáticos

Para estes consumidores, consumir é mais uma atividade normal em meio a tantas outras do cotidiano, não sentem prazer ou emoção com a experiência  e não ligam para marcas. Representam 27% dos consumidores ou 27,3 milhões de pessoas. “Esse grupo não acredita, por exemplo, que roupas e outros produtos possam tornar alguém especial ou traduzir, essencialmente, quem essa pessoa é”, explica Marcela. Se por um lado não são consumistas como os imprudentes, também não se mostram tão focados no futuro, porque não demonstram desejo e disciplina suficientes para fazer seu dinheiro render mais como os racionais.

De acordo com a pesquisa, além de evitarem compras por impulso, evitam dívidas, preferem pagar à vista, valorizam ter um nome limpo e acreditam que honrar os compromissos assumidos é muito importante. Essas preocupações, na avaliação dos especialistas, indicam que os apáticos tendem a evitar chateações relacionadas ao dinheiro. No entanto, ao mesmo tempo, não se trata de um comportamento guiado pela busca de grandes melhorias da vida financeira como costuma acontecer com os consumidores racionais.

Os consumidores com este perfil não têm o hábito de fazer dívidas, mas isso não significa que estejam imunes à negativação: 38% dos apáticos adimplentes admitem que já ficaram com o nome sujo. Entre os apáticos inadimplentes, o maior motivo é a falta de planejamento financeiro motivo por 39% dos entrevistados.


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