Índice de confiança do consumidor mundial retrai

Pesquisa publicada mostra qual e a expectativa do consumidor no para o ano. Confiança da América Latina segue em queda

Publicado em 9 de março de 2015 | 9:05 |Por: Marina Gallucci

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O índice global de confiança do consumidor encerrou o ano passado com 96 pontos — uma queda de dois pontos em comparação ao trimestre anterior, após diversos trimestres de tendência positiva.

Apesar de a confiança do consumidor ter caído ligeiramente em todas as regiões no quarto trimestre desde o trimestre anterior, o índice global encerrou o ano dois pontos acima do ano passado (94 pontos no 4º trimestre de 2013). O índice, que está em ascensão lenta e contínua há cerca de dois anos, ainda está acima do nível de 94 pontos antes da recessão registrado no terceiro trimestre de 2007.

Os dados são da última pesquisa na Nielsen, chamada Confiança do Consumidor – Preocupações e Intenções de Gastos ao redor do mundo – 4T 2014, publicada em fevereiro, e que mensura as percepções das perspectivas locais de emprego e das finanças pessoais e as intenções de gastos imediatos. Os níveis de confiança do consumidor acima e abaixo de uma linha de 100 pontos indicam graus de otimismo e pessimismo, respectivamente.

Movimentos do Mundo

  • Na América do Norte e na Ásia-Pacífico — as únicas regiões com pontuações de confiança acima da leitura de 100 pontos da linha de base — o índice declinou um ponto, trazendo empate entre as duas regiões;
  • Na Europa, o índice declinou dois pontos e na África/Oriente Médio, um ponto;
  • Ao redor do mundo, as perspectivas de emprego reduziram três pontos percentuais, enquanto as expectativas das finanças pessoais e as intenções de gastos imediatos caíram um ponto percentual cada;
  • O sentimento de recessão caiu agudamente na América do Norte, porém aumentou na América Latina e na Europa;
  • Nos Estados Unidos, a confiança caiu dois pontos e a China registrou seu primeiro declínio em 2014;
  • A confiança na Índia aumentou para 129 pontos, o mais elevado de todos os países medidos;
  • A confiança do consumidor norte-americano empatou com a região da Ásia-Pacífico pelo segundo trimestre consecutivo.

“Em mais da metade dos mercados globais mensurados a confiança do consumidor retraiu ligeiramente no quarto trimestre, com a permanência de tensões geopolíticas e certa desaceleração no crescimento dos mercados emergentes”, comentou a vice-presidente senior da Nielsen e presidente de The Demand Institute, Louise Keely.

América Latina

Sobre os mercados latino-americanos, no qual se inclui o Brasil, Louise descreve que a queda de confiança registrada foi particularmente grande, em comparação ao último trimestre e ao ano anterior.

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Reflexo dos declínios de confiança dos consumidores vistos em todo o mundo, o estudo aponta que o sentimento na região da América Latina diminuiu três pontos no índice para 88 no quarto trimestre – foi a região mundial onde os números de confiança do consumidor mais declinaram.

A diminuição ocorreu em cinco dos sete países medidos. O Peru foi o único país da região em que a confiança melhorou e manteve-se acima de 100 pontos da linha base de otimismo, subindo quatro pontos para 101.

A leitura mais recente do Peru superou, inclusive, a pontuação do Brasil, que declinou seis pontos, chegando a 95 pela primeira vez desde 2011. Da mesma forma, México (85) diminuiu três pontos, Colômbia (94) e Chile (81) diminuíram quatro pontos cada, e Argentina (67) caiu um ponto. A pontuação da Venezuela (70) manteve-se estável em relação ao trimestre anterior.

Fernando Frazão/Agência Brasil

Para Nielsen, no Brasil pontuações de confiança do consumidor relativamente baixas devem permanecer em um futuro próximo, até que a região embarque em um caminho claro para a recuperação econômica

Para Nielsen, no Brasil pontuações de confiança do consumidor relativamente baixas devem permanecer em um futuro próximo, até que a região embarque em um caminho claro para a recuperação econômica

A situação da região não é das melhores devido à diminuição das perspectivas de emprego em três dos sete países latino-americanos e ao declínio das percepções de finanças pessoais em todos os países que apresentaram esse “desânimo”. Além disso, o sentimento de recessão aumentou sete pontos percentuais, tanto no Brasil (73%) e Chile (59%) – os níveis mais altos desde que a Nielsen começou a mensurar esse sentimento em 2008.

“O índice de confiança do Brasil é reflexo dos elevados níveis de incerteza sobre a situação econômica do país”, afirma o cluster leader da Nilsen Brasil, Luis Arjona. Para ele, além dos níveis baixos de crescimento esperados em 2015, a inflação manteve-se acima das metas oficiais, e há uma preocupação crescente com o aumento das taxas de desemprego.

“Por outro lado, a equipe econômica recém-nomeada tomou medidas para restaurar a confiança, aumentando as taxas de juros para subjugar a inflação e prometendo restaurar a disciplina fiscal. Denúncias de corrupção na Petrobras a queda acentuada dos preços do petróleo, contribuíram para a incerteza em relação ao mercado ser o sentimento geral do consumidor”, diz Arjona.

A insegurança do consumidor foi ainda refletida nas intenções de gastos discricionários, que mostraram o maior recuo de todas as regiões. Decréscimos de cinco pontos percentuais foram reportados para roupas novas (24%) e melhorias casa (15%), quatro pontos para nova tecnologia (16%), três pontos para economia (28%) e dois pontos para entretenimento fora de casa (30%). Quase um em cada cinco entrevistados (18%) disseram que não têm dinheiro de sobra, um aumento trimestral de dois pontos percentuais.

Reprodução

Fonte: Pesquisa Global da Nielsen Sobre a Con€ança & Intenções de Gastos do Consumidor, 4º Trimestre de 2014

Fonte: Pesquisa Global da Nielsen Sobre a Con€ança & Intenções de Gastos do Consumidor, 4º Trimestre de 2014


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