Natal: Gasto médio deve cair 5,3%

108 milhões de consumidores vão às compras no Natal, mas gasto médio deve cair 5,3%, apontam SPC Brasil e CNDL

Publicado em 10 de novembro de 2016 | 15:01 |Por: Guilherme Stromberg Guinski

 

Aproximadamente 107,6 milhões de consumidores brasileiros devem presentear alguém neste Natal, segundo uma estimativa baseada em pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais. Se as expectativas se confirmarem, o Natal de 2016 será parecido com o do ano passado em volume de consumidores nas lojas, quando estima-se que 109,3 milhões de pessoas realizaram ao menos uma compra.

Em termos percentuais, 72,2% dos consumidores brasileiros pretendem comprar presentes para terceiros no Natal deste ano. Apenas 7,4% das pessoas consultadas disseram que não vão presentear ninguém, ao passo que 20,4% ainda não se decidiram, o que equivale a quase 30,4 milhões de indecisos e potenciais compradores.

Apesar do número elevado de compradores e das poucas variações frente a 2015, o gasto médio por presente deve cair: em 2016, o brasileiro vai desembolsar R$109,81 com cada presente adquirido, o que representa uma queda real (já descontada a inflação acumulada do período) de 5,34% na comparação com o ano passado. Em 2014, o gasto médio por presente havia sido de R$125,22 e, em 2015, de R$106,94. Os consumidores das classes C e as mulheres devem gastar ainda menos do que a média: R$101,42 e R$84,65, respectivamente.

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O SPC Brasil estima que o gasto total do brasileiro neste Natal será de R$465,59, tendo em vista que cada consumidor comprará, em média, quatro presentes. Considerando apenas a aquisição de presentes, a movimentação de dinheiro na economia deve ser de R$ 50 bilhões.

Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, os dados demonstram que mesmo diante da crise, o Natal continua exercendo uma forte influência no estímulo ao consumo, superando outras datas comemorativas. “A tradição do Natal se impõe mesmo com as dificuldades da crise, como desemprego, juros e inflação alta. Apesar do cenário econômico adverso, o Natal deverá movimentar grandes somas em diversos setores da economia. Essa é uma oportunidade para os comerciante e lojistas se recuperarem das perdas que tiveram ao longo do ano, em virtude dos efeitos da recessão”, explica Pinheiro.

Segundo dados da pesquisa, cresceu a quantidade de brasileiros que planejam comprar menos presentes no Natal deste ano. Três em cada dez (28,7%) consumidores ouvidos disseram que serão mais contidos na hora de encher o carrinho de compras. No ano passado, eles correspondiam a 22,8% da amostra de compradores. Os que vão comprar a mesma quantidade de presentes que em 2015 somam 29,0% dos consumidores, ao passo que a minoria (18,8%) tem a intenção de aumentar a quantidade de presentes adquiridos.

Embora a média de quatro presentes adquiridos por consumidor seja parecida com a do ano passado, aumentou o percentual de pessoas que vão comprar apenas um presente: eram 7,5% em 2015, passando para 12,5% em 2016.
Seguindo a linha de contenção de gastos, o levantamento revela que quatro em cada dez (40,3%) consumidores pretendem gastar menos dinheiro neste Natal frente ao do ano passado, sobretudo a classe C (45,9%). Os que planejam gastar a mesma quantia são 21,1%, enquanto 21,7% acreditam que gastarão mais.

Entre aqueles que pretendem gastar mais, a principal justificativa, entretanto, não chega a ser algo positivo: mais de um quarto (26,4%) desses entrevistados culpam o aumento dos preços como motivo para desembolsarem mais com presentes. Outras razões são o fato de terem mais pessoas para presentear (19,0%) e a decisão de comprar presentes melhores ou mais presentes (14,8%).

Neste ano, praticamente dobrou a quantidade de consumidores que vão gastar menos com presentes porque precisam economizar: em 2015 eles eram 12,2% da amostra e agora são 25,4% dos brasileiros ouvidos nessa situação. O desemprego é a segunda causa dos presentes mais modestos, citado por 13,9% desses consumidores. Outras justificativas ainda mencionadas são o pagamento de prioridades, como casa e carro (12,1%), dificuldades financeiras (11,7%), aumento da inflação e a economia instável (11,6%) e endividamento (11,2%).

Ter o hábito de presentear (53,3%) e considerar o gesto importante (35,6%) são as razões mais comuns entre aqueles que decidiram comprar presentes neste Natal. Apenas 4,9% das pessoas ouvidas disseram que o fazem de maneira forçada, apenas para cumprir uma obrigação social. Entre aqueles que não irão presentear terceiros no Natal de 2016 (7,4%), o endividamento desponta como a principal causa: quase um quarto (23,3%) dessas pessoas apontou a necessidade de priorizar o pagamento de dívidas. Entre as mulheres, o percentual cresce para 33,8%.
Outras razões ligadas à crise e avaliadas pelos entrevistados como obstáculo para a compra de presentes foi o desemprego (13,0%) e a falta de dinheiro (12,4%). Outros 20,6% alegaram que não vão presentar por não terem o costume.

Diante do bolso mais vazio, o Natal deste ano marcará uma mudança no comportamento do consumidor. Menos pessoas vão levar em consideração o perfil do presenteado na hora de escolher o produto (45,9% em 2015 para 27,8% em 2016) dando mais atenção às promoções e descontos, que passaram de 4,8% no ano passado para 16,7% neste ano.
Com relação ao ponto de venda, novamente o valor do produto é o fator que mais pesa. Mais da metade (51,6%) dos entrevistados escolhe a loja de acordo com o preço dos presentes e 42,7% decidem o local se houver alguma oferta ou promoção interessante (no ano passado representava 20,7%).

A preocupação prioritária com o preço dos presentes fez com que outras opções bem rankeadas em 2015 perdessem parte do protagonismo como diversidade de produtos (caiu de 39,6% para 33,3%) e localização (de 38,0% para 17,8%). À frente dessas opções está o atendimento, que cresceu de 18,9% para 29,8%. Diante da percepção compartilhada por 65,4% dos entrevistados de que os presentes estão mais caros, ganha importância a necessidade de pesquisar preços. Oito em cada dez (85,3%) compradores disseram que farão pesquisas antes de adquirir o presente, prática recorrente em todas os estratos sociais investigados.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti a pesquisa de preço é uma estratégia eficiente, da qual o consumidor não deve abrir mão. “Com o crescimento da inflação ao longo de 2015 e 2016, houve reajuste de preços em diversos setores. As diferenças de um estabelecimento para outro podem ser consideráveis, o que reforça a importância de fazer uma boa sondagem antes de fechar a compra. Desse modo o consumidor encontra melhores ofertas e faz o dinheiro render mais, podendo presentear um maior número de pessoas ou até mesmo economizar”, explica Marcela.

Com juros elevados e crédito mais restrito, o pagamento à vista será o meio mais utilizado pela maioria dos entrevistados ouvidos (56,9%), seja em dinheiro (que passou de 42,3% para 48,2% em um ano), seja no cartão de débito (8,7%). Por outro lado, praticamente quatro em cada dez (39,4%) entrevistados garantem que vão optar pelo pagamento no cartão de crédito, incluindo a opção do parcelamento (28,2%) ou em única parcela (11,2%).
Na média, as compras parceladas serão em divididas em cinco vezes. Isso significa que parte das aquisições feitas durante o período de festas terminará de ser paga entre os meses de abril e maio de 2017, coincidindo com outra data comemorativa, que é o Dia das Mães.

“Uma dica válida é que antes de ir às compras é fundamental organizar as finanças pessoais e decidir qual será o orçamento dedicado às compras de Natal. Sempre que possível, o ideal é pagar à vista, evitando o endividamento. Mas, caso seja preciso parcelar, é recomendável restringir o número prestações, para diminuir o impacto dessas compras no longo prazo”, alerta o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli.

Com queda de quase 10 pontos percentuais na comparação com o ano passado, o shopping center permanece na liderança como o local onde os consumidores vão concentrar a maior parte das suas compras (40,7%). Em segundo lugar aparecem as lojas online, com percentual estável na comparação com 2015 (32,3%), seguidas das lojas de departamento (25,1%) e dos shopping populares, que cresceram na preferência do consumidor, saltando de 14,6% para 23,7% de citações.

Para quem vai fazer compras pela internet, o destaque ficará por conta dos sites de grandes redes varejistas (70,7%), lojas virtuais especializadas na venda de vestuário e calçados (34,7%), sites de classificados e revendas (28,1%) e sites de compras coletivas (16,9%). A procura por sites internacionais caiu de 5,1% para somente 0,1%, neste ano.

Metodologia
As entrevistas se dividiram em duas partes. Inicialmente ouviu-se 1.632 consumidores nas 27 capitais para identificar o percentual de quem pretendia ir às compras no Natal e, depois, a partir de 600 entrevistas, investigou-se em detalhes o comportamento de consumo no Natal. A margem de erro é de no máximo 2,4 e 4,0 p.p, respectivamente. A uma margem de confiança de 95%.

 

Com informações de assessoria de imprensa


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