Ventos mais favoráveis após a Movelpar?

O cenário ainda é de cautela, mas feira mostra que varejistas e fabricantes estão motivados para fazer um bom 2015

Publicado em 16 de março de 2015 | 15:59 |Por: Marina Gallucci

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Marina Gallucci

A 10ª edição da Movelpar  deve superar as expectativas iniciais de R$ 500 milhões em negócios, segundo a organização

A 10ª edição da Movelpar deve superar as expectativas iniciais de R$ 500 milhões em negócios, segundo a organização

A leitura da organização sobre como foi Movelpar, encerrada na última sexta-feira (13), em Arapongas (PR), mostra um balanço positivo dos possíveis resultados alcançados pela 10ª edição do evento. A equipe que organiza a feira já passa também uma sinalização de que esta Movelpar superará as expectativas.

A verdade é que, apesar do clima de apreensão no início do evento, devido ao cenário atual do País, a maioria dos lojistas e fabricantes que conversaram com a equipe do Portal eMobile se mostraram, progressivamente, ao decorrer do evento, bastante satisfeitos e otimistas com os resultados da Movelpar e também dos frutos que podem ser colhidos ao longo do ano.

A transformação de ânimos é comum, considerando que o auge de visitação das feiras acontece no segundo e terceiro dias, comenta o sócio-diretor da Kappesberg, Celso Theisen. Ele acrescenta que já faz parte da estratégia da empresa participar de um número menor de feiras e que, para a marca, a Movelpar é o evento principal do ano. “Os clientes vêm de todas as regiões e conseguimos ter uma ideia de como serão as vendas no ano em que acontece”, analisa, acrescentando que os dias de mais movimento foram ótimos para a empresa.

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Confirma essa leitura, a coordenadora de marketing da Simbal, Rosângela Martins. “Ficamos bastante inseguros no início, principalmente em nossa região, com a paralização dos caminhões. Depois disso, o início foi com força total. Estamos percebendo que os lojistas vieram buscando novidades e estão dispostos a encarar. Eles estão abertos a negociações e buscando produtos para o mercado”, fala.

A gerente de marketing e de desenvolvimento da Caemmun,  Gláucia Cavallini, durante o segundo dia da feira, afirmou que ainda existia  uma incógnita em relação à Movelpar. “Porém houve um investimento grande,  especialmente no desenvolvimento de lançamentos e, mesmo em um cenário adverso, continuamos apostando”, diz. Apesar das as incertas ela comenta que “no primeiro dia já tivemos uma visitação muito grande e hoje [segundo dia], mal abriu e já estamos com o estande lotado. Nossos produtos-conceito despertaram um interesse muito grande no varejista”, afirma.

O diretor comercial da JB Bechara, Marcos Nassar Frange, por outro lado, afirma que se fosse dar uma nota de zero a dez para Movelpar, a pontuação seria cinco. “A feira está linda, bem organizada, estandes bonitos, pavilhão lotado, as maiores indústrias moveleiras do País estão aqui, mas esperávamos mais lojistas. A perspectiva é que após a feira o ano realmente comece”, pondera e acredita que com a Movelpar a empresa, pelo menos, “ficará no 1 a 1”.

 

Para Sérgio Duarte, do marketing da Kit’s Paraná, a Movelpar mostra que a feira dentro desse contexto  econômico faz com que os fabricantes  ‘voltem-se mais para dentro’ e tenham um olhar mais apurado para o que oferecer ao mercado.

“É preciso criar mecanismos que vão contra a maré. O Brasil vive em um momento de pessimismo, mas não podemos sentar na calçada e chorar. Enquanto uns choram, outros vendem os lenços. Talvez seja a hora de olhar para os produtos e ver se estou preparado para atender o desejo do consumidor nessa conjuntura em que talvez ele não tenha tanto poder de consumo ou esteja mais resistente para contrair dívidas”.

Hora de agir

O lema de ‘não pode ser feito mais do mesmo’ esteve presente no discurso de diversas moveleiras e muitas apostaram também no reposicionamento das suas marcas e/ou no afinamento de suas estratégias de mercado. Um exemplo foi a Móveis Carraro, que chegou à Movelpar com nova marca e produtos renovados, assim como uma nova filosofia de trabalho.

“Regida sob a máxima ‘ouvir, ouvir, ouvir e depois criar soluções’, queremos acompanhar a dinâmica de mudanças do mercado e atender o desejo da nova classe média – saindo de uma cultura industrial para uma cultura verticalizada para o consumidor”, exalta o diretor comercial Rogério Frâncio.

Divulgação Movelpar

Movelpar 2015

Rodadas de negócios internacionais realizadas durante a Movelpar chegaram a movimentar U$ 10.273.500 de acordo com a organização

O diretor comercial de móveis da Via Varejo, André Caio, afirma que posicionamentos como este, presentes nesta edição da Movelpar, mostraram que a indústria percebeu as mudanças no perfil do consumidor. “Encontramos muitas novidades principalmente em design, o que mostra que a indústria está apostando na diferenciação. Estamos otimistas com o crescimento das vendas no ano e queremos investir para facilitar a tomada de decisão do consumidor no ponto de venda, apostando na inovação e no design”, explana.

Visitante de uma rede na região da cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, o diretor da Bonsono Colchões Store, Luis Carlos Gonçalves, também aponta surpresas positivas para o segmento colchoeiro. “Tive uma grata surpresa, há muitas opções no meu segmento. O mercado infelizmente não está muito bem, em vista da política nacional de juros, a mudança de comportamento do consumidor é muito grande, estão migrando para produtos com menor valor e isso reflete na montagem do meu mix. Mas, vejo a indústria muito parceira do lojista neste sentido”, afirma.


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