Móveis representam 7% da intenção de compra no varejo

Índice de Intenção de compras para o primeiro trimestre é o mais baixo registrado nos últimos 12 anos

Publicado em 19 de janeiro de 2016 | 16:25 |Por: Cleide de Paula

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O índice de consumidores que pretendem efetuar uma compra de bens duráveis no período de janeiro a março de 2016 é 41,2%, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (IBEVAR) em parceria com o PROVAR (Programa de Administração do Varejo), da FIA (Fundação Instituto de Administração).  Se comparado ao mesmo período de 2015, ocorreu queda de 8,4 pp. (pontos percentuais).

Houve ainda retração na intenção de compra dos e-consumidores: ficou 83,2% agora, sendo que no primeiro trimestre estava em 94,7%, redução de 11,5 pp. Em suma, a previsão é de redução estimada das vendas do varejo para os esses três primeiros meses de 2016 de pelo menos 1,5%.

“Os números eram previstos por causa do cenário econômico atual com altas taxas de juros, inflação alta e aumento do desemprego. Reflete um momento de insegurança”, avalia o presidente do IBEVAR, Prof. Claudio Felisoni de Angelo.

A redução também foi comprovada em relação ao valor médio das expectativas de gastos com bens duráveis, sendo o valor atual 33% mais baixo que o do ano passado e o menor valor computado desde 2010. Passou de R$ 2.751 no último trimestre de 2015 para R$ 1.840.

Entre os principais itens de intenção de compra estão respectivamente: linha branca (8,6%), móveis (7%) e viagens e turismo (7%). No mesmo período em 2015, a categoria móveis liderava esse ranking com 8,8%, a linha branca ficava em segundo lugar com 8,6%.

Como previsto diante da instabilidade da economia brasileira, houve redução de 8,3% no poder aquisitivo dos consumidores no último trimestre do ano passado em relação a 2014, isto é, a renda média passou de R$ 2.399,03 para R$ 2.200,78.

Foi constatado também um maior número de pessoas poupando, do último trimestre de 2015 para o primeiro de 2016, passou de 17,2% para 26,2%. Por outro lado, o valor que foi economizado é 17% menor que o do ano passado. Para Felisoni, esses dados confirmam o receio do consumidor diante das taxas de desemprego que estão em ascensão. “Com medo, as pessoas estão procurando se precaver em razão da perda de poder aquisitivo e as ameaças de desemprego”, informa.

Houve ainda uma redução do percentual comprometido com crediário: de 21,4% no mesmo período de 2015 para 18,8% em 2016. Para o diretor vogal do IBEVAR, e um dos responsáveis pelo estudo, Prof. Nuno Fouto, “a redução no comprometimento de renda e a diminuição do percentual da renda comprometida com operações de crédito também refletem a preocupação das famílias com a situação geral da economia”.

Também fazem parte do estudo as categorias intenção de poupar e confiança no emprego, que, apesar de não serem bens, são de interesse de um grande número de varejistas e podem servir como indicadores da confiança do consumidor na economia do país. Outra informação a ser considerada diz respeito às categorias de vestuário e calçados, imóveis e viagens e turismo. Para não criar viés no índice histórico, elas não são consideradas para a formação do percentual de intenção de compra.

Estes são apenas alguns dos resultados apresentados pela pesquisa, a 66ª de uma série de estudos desse tipo na área do comportamento do consumidor, cuja primeira edição foi realizada no 4º trimestre de 1999. As principais questões investigadas pelo estudo são a intenção de gastos e de compras de bens duráveis e semiduráveis para o período e a pretensão de utilizar crediário para a realização de compras, bem como as lojas onde o consumidor pretende efetuá-las. “Deve-se ressaltar que, mais do que realizar previsões sobre demanda, pretende-se apontar tendências. As instituições envolvidas desenvolvem este estudo com a preocupação de gerar uma série temporal de dados, permitindo, desse modo, a realização de inferências e comparações sobre a confiança das famílias com os rumos da economia”, explica o Presidente do IBEVAR.

Os dados apresentados são obtidos por meio de uma pesquisa de campo. Nas abordagens, realizadas na rua, os participantes foram indagados sobre os produtos que pretendiam comprar nos próximos três meses, em relação às seguintes categorias de produtos: linha branca; móveis; eletroeletrônicos; material de construção; informática; cine e foto; telefonia e celulares; cama, mesa e banho; eletroportáteis; vestuário; calçados; viagens de turismo; automóveis e motos; e imóveis.

RESUMO DOS DADOS
Queda da renda média real de 8,3% ano
Queda do emprego de 4,47% ano
Queda de massa salarial de 5,69% ano
Aumento da taxa de juros – subida de 9,82 pp ano
Aumento da inadimplência
Aumento do índice de expectativa de desemprego
Redução real estimada das vendas do varejo ampliado dessazonalizadas de pelo menos 1,5% para o primeiro trimestre de 2016, em relação ao quarto trimestre de 2015.

(Com informações da Assessoria de Imprensa)


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