Entrevista: Márcio Pauliki, vice-presidente da Lojas MM

Vice-presidente da MM e coordenador do conselho, Márcio Pauliki falou sobre as peculiaridades do consumidor da região Sul

Publicado em 11 de novembro de 2016 | 12:00 |Por: Pedro Luiz de Almeida

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Uma das maiores redes varejistas do País, a Lojas MM procura manter as suas origens. Atualmente, a empresa possui mais de 200 lojas no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Em entrevista com o vice-presidente da MM e coordenador do conselho, Márcio Pauliki, o Portal eMóbile procurou conhecer mais sobre os diferencias da região Sul. Confira a entrevista:

Ele abriu os olhos para aquele segmento. Depois de dois anos, pediu as contas e abriu junto com um sócio a Mercado de Móveis Ponta Grossa, que era uma loja de móveis especializada apenas em móveis populares e começou a vender naquele esquema de cadernetinha para pessoas que, muitas vezes, estavam negativadas nas grandes redes e não tinham onde comprar.

eMóbile: Primeiramente, poderia nos contar um pouco da história das lojas MM?
Márcio Pauliki: Ela foi inaugurada em 1978 na cidade de Ponta Grossa (PR). Na época, meu pai, Jeroslau Pauliki, era gerente de uma loja de compensados. A empresa teve uma grande inadimplência e o patrão dele pediu para cobrar os clientes que estavam devendo. Meu pai pegou, como parte do pagamento de uma dívida, produtos de uma loja de móveis. O chefe ficou zangado, porque aqueles produtos não venderiam, porém, em menos de um mês, venderam todos.

Divulgação MM

Márcio Pauliki

“Se tornamos especialistas em tecnologia sem abrir mão dos móveis, que é a nossa origem”, destaca Pauliki

eMóbile: O mercado mudou muito desde 1978, para a MM quais adaptações foram necessárias para continuar competitiva?
Pauliki: Nós éramos especificamente de móveis, tanto que o nome era Mercado de Móveis, e depois mudamos o nome para MM. Claro que hoje ainda 40% das vendas são de móveis, mas temos eletrodomésticos, e se especializamos muito em tecnologia, principalmente celulares e notebooks.

eMóbile: A MM possui em essência o estilo do “interior”. Como manter isso e ao mesmo tempo crescer?
Pauliki: Nos últimos anos, abrimos lojas nas grandes cidades, como Curitiba, Londrina e Cascavel. Mas, ainda não perdemos aquele jeito MM do interior, por exemplo, sempre procuramos participar de eventos regionais para ficar mais próximo dos clientes. Já que cerca de 60% das cidades do PR, SC e MS, são de pequeno porte, temos as lojas Smart, levando a proximidade mas sem deixar de lado a inovação e a tecnologia.

eMóbile: Atualmente, qual a importância do segmento de móveis para a empresa?
Pauliki: Nosso diferencial continua sendo os móveis. Principalmente, durante esta crise, é de onde conseguimos manter nossa rentabilidade. Vemos muitas empresas que ganharam dinheiro em escala de vendas de eletros, mas tiveram uma queda grande e recorreram a venda de móveis, contudo, a maioria não possui tamanho para expor. Nós temos um tamanho de loja média de 600 m², isso faz com que tenhamos uma exposição boa dos produtos.

eMóbile: Quais são os planos de expansão da empresa?
Pauliki: Queremos abrir mais lojas no Mato Grosso do Sul. Só que no Paraná ocupamos todas as cidades com mais de 50 mil habitantes e, em Santa Catarina, ocupados a maioria das cidades na região leste. Então, tínhamos duas opções, descer mais ou abrir espaço no MS, que é uma região com potencial agrícola muito grande. A ideia é investir nas lojas Smart na região Sul para consolidar a marca e no MS para expandir nosso nome.

eMóbile: E por que não o Rio Grande do Sul?
Pauliki: Porque no Rio Grande do Sul a cultura é muito diferente. Já temos dificuldade de adaptação de Curitiba para Ponta Grossa, que ficam a 100 km uma da outra. Tentamos se adaptar a cidade, e não o contrário. E temos essa dificuldade no RS, que é um estado que tem muitas redes e que valoriza quem é de lá. Mas, é um grande estado, um dia quem sabe.

eMóbile: Quais são as peculiaridades do consumidor da região Sul?
Pauliki: Paraná e Mato Grosso do Sul são muito semelhantes, já Santa Catarina tem muito da cultura europeia, por isso que eu digo que o público de SC é mais exigente. As grandes peças começam aqui no Sul, porque se aqui a crítica for boa, ela praticamente passou por um teste de qualidade e pode ser comercializada no resto do país. Historicamente, o sul tinha um nível de ensino maior, e isso faz com que as pessoas se tornem mais exigentes. Mas, essa exigência vai chegar aos outros estados um dia também.

eMóbile: Quais os principais produtos consumidos nessa região?
Pauliki: O que se consome no sul é muito parecido com o que se consome no resto do Brasil. O que o sul tem é um ticket médio mais alto, acabamos vendendo produtos mais caros, justamente porque tem um nível social A e B maior do que outras regiões. A geração também muda, temos muitos jovens que são ligados em tecnologia, que demanda um e-commerce para atender esse consumidor.

eMóbile: Para finalizar, quais os desafios de atuar no Sul?
Márcio Pauliki: O consumidor é muito exigente com a entrega também, se você consegue entregar com rapidez, meia venda está feita. Entregar em 24, 48 ou 72 horas faz muita diferença. A parte de crédito também é importante, temos um credit score regionalizado, que nos dá uma diferença, o gerente tem autonomia de liberar crédito para um cliente. As grandes redes se restringem a fazer grandes comerciais, e nós somos muito bairristas, nós participamos de muitas festas, bingos e eventos, e isso dá uma diferença, porque o cliente se identifica com a gente.
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