Endividada, Máquina de Vendas inicia processo de reestruturação

Varejista protocolou pedido de recuperação extrajudicial para atenuar dívidas com fornecedores e credores que chegam a R$ 3 bilhões

Publicado em 30 de agosto de 2018 | 13:53 |Por: Luis Antônio Hangai

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Detentora das marcas Ricardo Eletro, Insinuante e Salfer, a Máquina de Vendas protocolou no último sábado (25) seu plano de recuperação extrajudicial. Trata-se de um passo incontornável para o início da reestruturação da empresa, que atravessa uma fase de grandes dificuldades financeiras, acumulando dívida superior a R$ 3 bilhões junto aos seus fornecedores (sobretudo de eletroeletrônicos) e bancos credores. A informação havia sido antecipada pelo Portal eMóbile no começo de agosto.

A partir de agora, o pedido precisa ser homologado pela Justiça. A resposta deverá acontecer em até três meses, de acordo com a estimativa da Starboard, gestora brasileira de fundo de participação que adquiriu 72,5% da Máquina de Vendas pelo aporte de R$ 250 milhões na última sexta-feira (24). A companhia é especializada em investimentos de alto risco e em “socorrer” companhias em situação financeira delicada. Ela deve assumir plenamente o comando da rede varejista nos próximos meses.

Entenda a situação da Máquina de Vendas

No momento, até que o plano de recuperação extrajudicial seja aprovado, o fundador da Ricardo Eletro, o empresário Ricardo Nunes, compartilha o comando da rede varejista com o diretor e sócio da Starboard, Pedro Bianchi, doutor em direito pela Universidade de São Paulo, com experiência em reestruturação de empresas em crise.

Entretanto, de acordo com reportagem da Revista Exame, Nunes (que passa a deter apenas 15% da Máquina de Vendas), deve abandonar a presidência e assumir o cargo de copresidente, ficando responsável pelas áreas de marketing e vendas, ao passo que Bianchi irá ocupar a cadeira de presidente do conselho de administração.

Máquina de Vendas busca saídas para a crise

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, a transferência de controle da Máquina de Vendas para a Starboard permite que a empresa volte ao jogo no mercado, pois até o momento, em função dos débitos que possui com os fornecedores, vem sofrendo com a falta de reposição de mercadorias. Com o novo aporte financeiro, a rede varejista deve voltar a adquirir produtos e gerar receita.

Reprodução

Ricardo Nunes deve desocupar o cargo de presidente da rede varejista

“O perfil da Starboard é investimento de alto risco. Caberá a eles gerarem resultados e amortizar a grande dívida de maneira bem rápida para darem sobrevida ao negócio. A Máquina de Vendas está atolada em dívidas e, para piorar, conta apenas com um faturamento médio. Foi preciso fazer essa transação para que seja possível honrar seus compromissos e não se perder completamente”, analisa Terra.

O pedido de recuperação extrajudicial da Máquina de Vendas e sua aquisição pela Starboard foram pré-requisitos para que a empresa pudesse costurar um acordo com seus fornecedores e credores e renegociar as condições de pagamento da dívida. Nos últimos anos, fabricantes como Electrolux, Samsung e Whirpool, após fracassadas tentativas de receberem os pagamentos em atraso, interromperam o fornecimento de produtos à Máquina de Vendas.

A consequência foi que a varejista, a terceira maior do país, perdeu espaço para suas concorrentes (Magazine Luiza e Via Varejo, que ocupam a segunda e a terceira colocação respectivamente). A Máquina de Vendas conta atualmente com um faturamento de R$ 5,2 bilhões, com 650 lojas que empregam cerca de 13 mil funcionários, mas desde 2014 a rede já fechou 500 unidades. Seu faturamento em 2016 foi de 5,5 bilhões de reais, um número 22,2% menor do que os R$ 7,07 bilhões registrados em 2015.


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