Linha branca: consumidor dá o tom das inovações

Marcas promovem melhorias nos produtos de acordo com a forma de uso e demandas identificadas junto ao público final

Publicado em 20 de abril de 2015 | 10:00 |Por: Marina Gallucci

Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

O que lavadoras fazem? Lavam! Qual a função do fogão? Cozinhar! Parece bobagem responder a essas questões, mas o desafio da indústria da linha branca é justamente esse: como criar o desejo de consumo por um novo produto, cuja finalidade é basicamente sempre a mesma?

E, se em linhas mais altas o apelo tem sido por cozinhas, lavanderias e aparelhos cada vez mais inteligentes (o high-tech e os smart produtos são as grandes pegadas), para quem atende as classes que estão emergindo para o consumo a decisão tem sido frequentemente por aliar a tecnologia na forma de atender às demandas de uso que ele mesmo, o consumidor, sinaliza.

Em conversa com a equipe do portal eMóbile, os diretores de vendas da unidade de Fogões, Alexandre Pires da Luz, e da unidade de Eletrodomésticos, Márcio Gonçalves, da Mueller, confirmam a leitura de mercado. “E o diferencial às vezes não está à vista”, alerta Pires da Luz. “Inovação na linha branca é algo que beneficia ora o distribuidor, o consumidor, ou várias pessoas nesse caminho que o produto faz. Não é apenas o design ou a funcionalidade – é o conjunto da obra”, completa.

Leia mais:
Mercado de bens duráveis cresce no Brasil
Panasonic renova produtos da linha branca
Movelpar também atrai fabricantes de eletros

E os consumidores sabem cada vez mais o que querem, afirma Gonçalves, gerando uma evolução no mercado. “Eles dão valor a outras características de produtos e nós sempre acompanhamos isso para todos os produtos da linha branca”, fala.

Papo constante

Para que a empresa dê a devida atenção para a questão de desenvolvimento de produto, além da divisão das unidades de negócio, Pires da Luz explica que faz parte da estratégia estar o tempo inteiro conversando com os consumidores. “Tem o 0800, os nossos canais de promotoria em constante contato com eles, vendedores e gerentes. Então sempre recebemos esses inputs – o que o consumidor está buscando, porque um produto está saindo mais e outro menos, preferências por itens de outras categorias, e que talvez possa ser uma oportunidade para nós”, revela.

Melhoria contínua

O gerente nacional de vendas da Colormaq, Valter Luis Vieira Carvalho, também percebe uma exigência cada vez maior para o baixo consumo de energia, reaproveitamento de água e maior capacidade nos produtos da Linha Branca. Mas o maior destaque, considera, são detalhes “não tão visíveis”. “Estamos investindo em itens identificados pelos contatos com o consumidor e que vão trazer mais durabilidade ao produto”, destaca.

O gerente de marketing da marca, Marcos Paulo Rodrigues Farias, destaca a proteção melhor para a placa eletrônica do painel e uma proteção para o motor, pontos com os quais os consumidores se preocupavam. “Ainda temos o Programa Favorito,  pois um desejo das nossas consumidoras era ter um produto que filhos e maridos pudessem utilizar facilmente. Com isso, o programa mais usado é gravado automaticamente e basta um botão para reproduzi-lo”, exemplifica.

Um pedido feito por consumidores e atendido foi na centrífuga Super, conta Gonçalves. “Em contato com as nossas consumidoras, no 0800, elas nos disseram que queriam centrifugar os tênis. E isso não era uma operação fácil e nem aconselhada em centrífugas, mas chegamos a um recurso que permite essa facilidade”, destaca.

Na área de cooktops, Pires da Luz destaca dois pedidos feitos por consumidores: grafismos que foram colocados para facilitar a identificação do botão que acende cada queimador e um novo sistema de encaixe das grades que garante a fixação no produto e aumenta a segurança durante o uso. “As grades apresentam quatro pontos de apoio para as panelas – todos com superfície serrilhada, o que melhora a aderência das mesmas”, explica.

Para o diretor, além de olhar o pedido do consumidor é preciso enxergar o cenário macroeconômico – a energia mais cara e o poder de consumo sendo abalado. “Sabemos que o produto de capacidade maior acaba ajudando ou então um fogão com uma eficiência enérgica maior. Olhamos isso para tentar facilitar e trazer algum benefício concreto para o consumidor”, argumenta Gonçalves.

Durante a Movelpar, por exemplo, o grande chamariz foi a capacidade dos produtos alinhada à necessidade de, por exemplo, as consumidoras poderem ligar a máquina menos vezes na semana. “A gente entendeu também que, pelo momento de algumas regiões do País, principalmente de falta de água, era interessante dar a opção de armazenar a água que sai da centrífuga, para reutilizar”, exemplifica Gonçalves sobre adaptações nos produtos.


Os comentários estão desativados.

eMobile