Inadimplência afeta renda em mais de sete vezes

Pesquisa traz perfil da natureza das dívidas adquiridas por brasileiros nas 27 capitais brasileiras, e registradas em fevereiro no País

Publicado em 5 de março de 2015 | 15:40 |Por: Marina Gallucci

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Atrasos nas parcelas de cartões de crédito e de loja s são os campões em dívidas

Atrasos nas parcelas de cartões de crédito e de loja são os campões em dívidas entre os consumidores em inadimplência

Dados mais recentes sobre a inadimplência no País, obtidos por meio da pesquisa sobre a recuperação de crédito do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), apontam que, em média, o consumidor brasileiro inadimplente está com o nome sujo há aproximadamente dois anos.

Além disso, o consumidor que se encontra em situação de inadimplência tem dívidas com 3,7 diferentes empresas, adquirindo-as, em sua maioria, por meio de cartões de crédito e de lojas – totalizando um débito total de R$ 21.676 junto às credoras – já embutidas as multas e as taxas cobradas pelo atraso. O valor total  corresponde a 768% da renda familiar mensal do perfil de consumidor entrevistado na pesquisa – de R$ 2.822,00.

A pesquisa também detectou um aumento médio de 70% entre o valor inicial da dívida e o valor final dela depois de dois anos de inadimplência, após a cobrança de multas e juros pelos credores. Os atuais inadimplentes declaram que, em média, a dívida inicialmente custava R$ 12.776 – comprometimento de 453% da renda média de R$ 2.822 – e que depois das cobranças monetárias passou a custar R$ 21.676, representando um comprometimento de 768% da renda.

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“Por isso o consumidor inadimplente deve negociar e pagar o que deve o mais rápido possível para que a dívida não se transforme em uma bola de neve”, explica a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Os líderes nos atrasos

Fotos Públicas/Marcos Santos/USP Imagens

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Deixar de pagar a fatura do cartão de crédito é a principal razão apontada por três em cada cinco entrevistados inadimplentes (61%) para ter ficado com o nome sujo, ao lado de atrasos nas parcelas de cartões de loja (51%), no pagamento de empréstimos (31%) e de boletos bancários (37%). Outras razões mencionadas foram os cheques sem fundo (20%), deixar de pagar o cheque especial (18%) e o atraso com parcelas de financiamentos (15%).

A pesquisa indica que a quantidade de parcelas não pagas representam algo entre 53% e 72% do total de parcelas acordadas no momento da compra. No que diz respeito especificamente ao cartão de crédito, quem atualmente encontra-se em inadimplência dividiu as compras em uma média de 6,1 vezes e deixaram de pagar 3,6 prestações, o que representa um atraso de 59% das parcelas inicialmente acordadas.

Motivo que originou a dívida

Quase a metade dos consumidores inadimplentes e ex-inadimplentes (48%) ouvidos na pesquisa afirmam que a falta de planejamento no orçamento pessoal é principal a razão apontada para não pagar as contas. Em seguida, entre as justificativas citadas, vem a perda do emprego (28%), a diminuição da renda (21%), o atraso de salário (17%) e as compras acima do que lhes permitia o orçamento (16%). “A tendência do consumidor, quando decide cortar gastos é diminuir as despesas com vestuário e calçados [39%], lazer [38%], alimentação fora de casa [34%], salão de beleza [21%] e telefonia celular [21%]”, enumera Kawauti.


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