ICVA registra retração de 3,8% para o varejo em julho

Indicador considera a receita deflacionada de vendas do varejo em relação a julho de 2015

Publicado em 15 de agosto de 2016 | 16:24 |Por: Cleide de Paula

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A receita de vendas do comércio varejista registrou retração de 3,8% em julho em relação ao mesmo período de 2015, depois de descontada a inflação que incide sobre a cesta de setores do varejo ampliado. É o que aponta o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgado nesta segunda-feira (15). Em junho, o índice havia registrado queda de 3,1%.

Os impactos líquidos dos efeitos de calendário na comparação com o mesmo período de 2015 foram pequenos (ver gráfico acima). Neste ano, o mês de julho teve um sábado e um domingo a mais, porém uma quarta e uma quinta-feira a menos em relação ao ano passado, resultando num efeito de troca de dias levemente negativo.

Ajustados esses efeitos, o ICVA deflacionado registrou queda de 3,9% em julho – o que mostra desaceleração em relação ao mês anterior (-3,3%) nessa base de comparação.

Em termos nominais, também descontados os efeitos de calendário, o índice ficou estável na passagem mensal, com alta de 5,0% em julho.
INFLAÇÃO
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apurado em julho pelo IBGE apontou 8,7% no acumulado dos últimos 12 meses, enquanto junho havia registrado 8,8%.
A queda de preços ocorreu principalmente nos itens de habitação – particularmente energia elétrica – que não fazem parte da cesta de compras do varejo ampliado. Assim, ponderando o IPCA pelos setores e pesos do varejo ampliado, houve aceleração da inflação no varejo, de 8,6% em junho para 9,3% em julho no acumulado do último ano. Esse movimento foi puxado principalmente por Alimentação e Bebidas, que registrou alta nos preços.

SETORES
Quando analisamos o varejo em três grandes blocos de setores, todos apresentaram retração no último mês em relação ao mesmo período do ano passado.
Os segmentos que comercializam bens duráveis e semiduráveis continuam a apresentar a pior retração do ICVA. E, ao contrário do que havia ocorrido em maio e junho, as vendas no setor de Vestuário voltaram a desacelerar em julho, impactando negativamente o desempenho do bloco e do varejo como um todo.
Dentro de bens não duráveis, o setor de Supermercados e Hipermercados também desacelerou na passagem mensal, sendo parcialmente compensado pelo desempenho de Drogarias e Farmácias, que puxou o índice para cima.
O grupo de setores da cesta de serviços vem tomando espaço como o que mais contribui positivamente para o crescimento do varejo, tendo registrado no último mês novamente uma retração menor em relação aos demais blocos. Dentro do bloco, Turismo e Transporte puxou o índice para cima e Recreação e Lazer, embora ainda apresentando retração na comparação anual, mostrou aceleração de junho para julho.

REGIÕES

O desempenho das vendas no varejo na abertura regional continua a apresentar retração em relação a um ano antes pelo índice deflacionado, comportamento observado desde setembro de 2015 em todas as regiões brasileiras. O Norte apresentou a maior queda, de 7,2%, seguida das regiões Sudeste (-3,9%) e Nordeste (-3,6%). As regiões Centro-Oeste e Sul apresentaram as menores quedas, de 2,9% e 2,1%, respectivamente.

Pelo ICVA nominal, a região Sul registrou novamente a maior alta (7,8%) na comparação com julho de 2015. As regiões Nordeste e Centro-Oeste computaram alta de 5,9%, e Sudeste e Norte cresceram 4,5% e 2,6%, respectivamente.

SOBRE O ICVA

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do varejo brasileiro de acordo com a sua receita de vendas, com base em um grupo de mais de 20 setores mapeados pela Cielo, de pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor dentro do resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.

O ICVA foi desenvolvido pela área de Inteligência da Cielo com base nas vendas realizadas nos mais de 1,8 milhão de pontos de vendas ativos credenciados à companhia. A proposta do Índice é oferecer mensalmente uma fotografia do desempenho do comércio varejista do país a partir de informações reais.

COMO É CALCULADO

A gerência de Inteligência da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos que foram aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do comportamento competitivo do mercado de credenciamento, como a variação de market share, bem como isolar os efeitos da substituição de cheque e dinheiro no consumo – dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.

Esse índice não é de forma alguma a prévia dos resultados da Cielo, que é impactado por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.


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