ICVA registra retração de 6,2% para o varejo em agosto

Indicador considera a receita deflacionada de vendas do varejo em relação ao mesmo mês de 2015

Publicado em 15 de setembro de 2016 | 16:32 |Por: Cleide de Paula

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A receita de vendas do comércio varejista registrou retração de 6,2% em agosto em relação ao mesmo período de 2015, depois de descontada a inflação que incide sobre a cesta de setores do varejo ampliado. É o que aponta o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgado em 15 de setembro. Em julho, o índice havia registrado queda de 3,8%.

Vale observar que o desempenho do mês de agosto deste ano foi prejudicado pelo calendário, já que teve um fim de semana a menos que agosto de 2015. O sábado é o dia mais forte de vendas na semana. Ajustados estes efeitos de calendário o índice aponta retração menos acentuada, de 5,1%.

Em termos nominais, o indicador mostra alta de 3,7% agosto contra um ano antes, patamar menor em relação ao apurado em julho (+5,2%). Descontados os efeitos de calendário, o índice aponta estabilidade na receita de vendas do varejo em 4,9% na evolução anual.
INFLAÇÃO
A inflação no varejo, ajustada ao mix e pesos dos setores que compõem o ICVA, registrou alta de 10,5% em agosto no acumulado dos últimos 12 meses, puxada principalmente por passagens aéreas e hotéis. O número mostra aceleração em relação aos 9,2% registrados em julho.
Importante observar que a cesta de compras no varejo ampliado não inclui itens como energia elétrica, aluguel e condomínio, que são contemplados no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Este último registrou alta de 9,0% no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em agosto.

OLIMPÍADA
A realização dos Jogos Olímpicos em agosto deu fôlego ao varejo no Rio de Janeiro. O estado e, particularmente, a capital fluminense tiveram crescimento acima da média do restante do país e puxaram o ICVA do mês para cima. Destacaram-se os setores de Recreação e Lazer, Aluguel de Veículos e Alimentação em Bares e Restaurantes, todos apresentando crescimentos notáveis na comparação com o mesmo mês do ano passado.
O impacto no varejo brasileiro como um todo, entretanto, foi modesto, dado que o fenômeno foi limitado à cidade do Rio e a alguns setores ligados ao turismo e lazer.

SETORES
De um modo geral, todos os setores apresentaram retração em agosto sobre um ano antes.
Dentro do bloco que representa os bens não duráveis, o setor de Supermercados e Hipermercados desacelerou novamente na passagem mensal e apresentou retração mais forte que a média do varejo como um todo. O mesmo ocorreu com Postos de Combustível. Já o setor de Drogarias e Farmácias, como de costume, puxou a média do índice para cima, mas também desacelerou de julho para agosto. Vale ressaltar que estes setores apresentam inflação acima de dois dígitos.
O grupo de setores de Serviços, embora, em sua maioria, com comportamento negativo, ficou acima da média do varejo em agosto e apresentou desempenho bastante heterogêneo. Turismo e Transporte demonstrou retração em relação a um ano antes e também desacelerou de julho para agosto. Já o setor de Recreação e Lazer foi o que mais cresceu no último mês – claramente impactado pela Olimpíada. Alimentação em Bares e Restaurantes também acelerou na passagem mensal, embora ainda apresente retração na comparação ano contra ano.
Por fim, o conjunto de setores de bens duráveis e semiduráveis continua a se comportar negativamente. Vestuário, que havia registrado recuperação em maio e junho, voltou a desacelerar, bem como Materiais para Construção. No mês de agosto, houve sinal de melhora no setor de Móveis, Eletroeletrônicos e Lojas de Departamento.

REGIÕES
Em agosto, todas as regiões brasileiras registraram queda no varejo, medida pelo ICVA deflacionado.
As regiões Norte e Nordeste apresentaram, respectivamente, retração de 9,7% e 6,8%. O varejo ampliado no Centro-Oeste caiu 6,3% no período, seguido pelas regiões Sudeste e Sul, com baixas de 6,1% e 5,0% respectivamente.
Pelo ICVA nominal, que não considera o desconto da inflação, a região Sul registrou alta de 4,7% e o Sudeste cresceu 4,1% na comparação com agosto de 2015. Já as regiões Centro-Oeste e Nordeste apontaram, ambas, alta de 2,5% na mesma base de comparação. Ainda pelo mesmo conceito, a região Norte computou crescimento nulo no mês.

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SOBRE O ICVA
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do varejo brasileiro de acordo com a sua receita de vendas, com base em um grupo de mais de 20 setores mapeados pela Cielo, de pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor dentro do resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.

O ICVA foi desenvolvido pela área de Inteligência da Cielo com base nas vendas realizadas nos mais de 1,8 milhão de pontos de vendas ativos credenciados à companhia. A proposta do Índice é oferecer mensalmente uma fotografia do desempenho do comércio varejista do país a partir de informações reais.
COMO É CALCULADO

A gerência de Inteligência da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos que foram aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do comportamento competitivo do mercado de credenciamento, como a variação de market share, bem como isolar os efeitos da substituição de cheque e dinheiro no consumo – dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.

Esse índice não é de forma alguma a prévia dos resultados da Cielo, que é impactado por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.


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