Entrevista: Hábitos do novo consumidor brasileiro

Entrevista com a antropóloga da Consumoteca e especialista em classes populares, Eliana Vicente, sobre o novo consumidor

Publicado em 6 de abril de 2014 | 10:24 |Por: Marina Gallucci

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Conforme publicado na RG Móvel Varejo 13, a antropóloga da Consumoteca e especialista em classes populares, Eliana Vicente, tenta explicar os hábitos do novo consumidor da Classe C, denominados como a “nova classe média”. Para a antropóloga, apesar de essas pessoas agora consumirem mais, seus hábitos continuam sendo da classe popular.

Arquivo pessoal

Eliana Vicente, antropóloga

Eliana Vicente, antropóloga

RG Móvel Varejo – Quais são essas ressalvas quanto ao uso do termo ‘nova classe média’?
Eliana Vicente – Não acho que seja classe média porque, infelizmente, a segmentação se dá usando unicamente o fator econômico e deixa de fora uma série de outras coisas que compõem as relações sociais e a vida em sociedade. Não vivemos só o econômico e, vendo dessa forma, você tira valores simbólicos e imateriais que são reproduzidos, como, por exemplo, educação, ensinamento, hábitos em relação a se vestir ou se portar de determinada maneira. O que nós temos é uma camada grande da população, que cresceu junto com a economia do Brasil. Eu acho que isso é o ‘começo do começo’ para você poder avançar em alguma coisa e dizer que nós somos um país de classe média.

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RG Móvel Varejo – Quando as empresas querem se relacionar com esse público, elas terão dificuldades se ignorarem esses fatos?
Eliana – Uma coisa que eu falo muito é que essa dita classe média é classe média dentro de casa – foi para a rua, já é popular. Isso acontece porque as pessoas estão tendo acesso ao crédito: podem mobiliar a casa e têm muitas referências para isso, mas, às vezes, não podem comprar a casa em um lugar com estrutura e perdem tudo na primeira chuva. Consumir é uma maneira de se sentir digno, as pessoas querem ser reconhecidas. Como isso acontece no sistema capitalista em que a gente vive? Por meio daquilo que você pode comprar e ter. É através do trabalho que eu vou conquistar a minha individualidade para poder me expressar; e essas pessoas estão podendo construir ‘o eu delas’ a partir da casa e das coisas que possuem. Essas pessoas estão consumindo coisas que eram mais tradicionais para a classe média, mas não com o intuito de falar que ‘agora estão podendo’, mas, sim, que são dignas.

A entrevista na íntegra pode ser conferida na RG Móvel Varejo 13, além de um especial sobre essa “nova classe média” brasileira na edição 305 da Móbile Lojista.


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