Grandes centros de consumo estão emergindo no Brasil

Apesar da crise, bolsões regionais e setores do varejo desafiam a desaceleração e registram aumento significativo nos gastos de consumidores, de acordo com estudo do BCG e da Cielo

Publicado em 16 de novembro de 2016 | 11:25 |Por: Phaenna Assumpção

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O impacto da crise econômica no consumo está longe de se comportar de maneira uniforme no Brasil. Apesar do cenário de retração no País, existem áreas geográficas e setores que resistem à recessão – os municípios brasileiros que pertencem à Zona Agroexportadora, por exemplo, apresentam um crescimento, em termos reais, de 1,3% no desempenho do varejo ampliado em 2015 – contra queda de 1,3% na média nacional. É o que mostra o relatório Ilhas de Oportunidade: Como Navegar no Mercado Consumidor Brasileiro Durante a Crise?, produzido pelo The Boston Consulting Group (BCG) e pela Cielo, empresa de tecnologia e serviços para o varejo e líder em pagamentos eletrônicos na América Latina.

O levantamento aponta que alguns grupos de cidades crescem aproximadamente 4% ao ano (em termos reais), apesar da recessão. Quando a análise se fragmenta por setor, o País revela outras oportunidades: as vendas em segmentos como farmácias e supermercados, em algumas localidades, têm apresentado taxas de crescimento de até 10%.

“Uma comparação das taxas de crescimento por grupos e por setores de varejo mostra um cenário de gastos altamente heterogêneo no país. O varejo e empresas de bens de consumo podem usar dados reais de consumo para aproveitarem ao máximo as ilhas de oportunidade que existem na crise atual”, diz Daniel Azevedo, sócio do BCG e coautor do relatório. “A grande mensagem é que as empresas podem encontrar oportunidades de crescimento que antes pareciam estar escondidas, mesmo num cenário de varejo altamente impactado pela crise”, afirma Gabriel Mariotto, gerente de Inteligência da Cielo, também coautor do relatório.

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O estudo reúne seis grupos de cidades brasileiras que possuem características econômicas, demográficas e geográficas semelhantes e que têm manifestado seus próprios padrões de consumo, tanto antes como em resposta à crise. Em ordem decrescente de representatividade das vendas do varejo nacional, os grupos são Conurbações Urbanas, Áreas Metropolitanas, Interior do Sul-Sudeste, Zona Agroexportadora, Interior do Nordeste e Cinturão Amazônico.

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A análise aponta que a Zona Agroexportadora e o Interior do Nordeste têm as maiores taxas de crescimento no período de 2013 a 2015 (4,2% e 3,3%, respectivamente); enquanto as Conurbações Urbanas e o Cinturão Amazônico, as mais baixas. A maioria dos setores na Zona Agroexportadora continuou a crescer, as Conurbações Urbanas demonstraram alguns setores com crescimento positivo e o Cinturão Amazônico mostrou evidências de um declínio amplo e profundo.

Comportamento dos setores e regiões

Os consumidores têm concentrado seus gastos em bens essenciais, que se refletem nas vendas em farmácias e supermercados, em comparação com varejistas de produtos eletrônicos, de móveis e lojas de departamento. No geral, o varejo alimentício especializado – que compreende lojas de bebidas, lojas de chocolates, padarias, conveniência, entre outros – se manteve estável, enquanto os varejistas de vestuário têm sido mais afetados. As receitas com turismo recuaram nas grandes áreas urbanas, mas aumentaram em cidades menores que se encontram em regiões onde estão destinos populares de férias.

Como exemplo das variações, as vendas no setor de Supermercados caíram 0,6% nas Conurbações Urbanas, mas apresentaram crescimento (em termos reais) de 5,2%, na Zona Agroexportadora, e 2,4% no Interior do Sul-Sudeste e no Cinturão Amazônico.

Um bolsão de alto desempenho nacional é o de vendas de comércio eletrônico (e-commerce), que se comporta como gatilho de crescimento para a maioria dos setores. “O Índice Cielo do Varejo Ampliado mostra que o e-commerce cresceu 2,5 vezes mais que a média do varejo nos últimos cinco anos. Em setores já mais consolidados, como o de artigos esportivos, as vendas on-line correspondem a 20% do total”, afirma Gabriel Mariotto, gerente de Inteligência da Cielo. “Mesmo que o consumo tropece, a influência das tecnologias digitais no comportamento de compras do consumidor está aumentando, impulsionada por uma maior conectividade, avanços na tecnologia e novos serviços”, complementa Daniel Azevedo, do BCG.

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Como foi feito o relatório                                                                                                                                                         
O estudo é baseado em um banco de dados de cerca de 6 bilhões de transações anuais entre 2010 a 2015, envolvendo 160 milhões cartões de crédito e débito – dados avaliados de maneira agregada e totalmente confidencial, com base nos modelos metodológicos do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA).

Foram analisadas também dezenas de variáveis econômicas e sócio demográficas relacionadas ao consumo em mais de 5 mil cidades e 137 mesorregiões (subdivisão dos estados brasileiros que abrange diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais, conforme definido pelo Instituto de Estatística do Governo Brasileiro – IBGE) e aplicadas técnicas de estatística para agrupar as cidades brasileiras em seis grandes grupos.

Atualmente, os três maiores grupos (Conurbações Urbanas, Áreas Metropolitanas e Interior do Sul-Sudeste) representam 92% de todas as vendas no varejo. Os principais fatores que determinam o comportamento de consumo de um grupo regional e seu desempenho são perfil econômico, níveis de renda per capita e instrução, participação da agricultura de exportação na atividade econômica como um todo e amplitude dos programas sociais.

Os dados geográficos detalhados combinados com a análise de big data permitem mapear a atividade econômica do varejo em níveis sucessivamente mais precisos – dos grupos regionais até as grandes metrópoles, bairros e ruas específicas.


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