Expectativas de gastos com móveis no segundo trimestre cai 5,4%

“Pesquisa Trimestral Intenção de Compra no Varejo Abril-Junho 2016” indica menor valor desde 2002

Publicado em 11 de abril de 2016 | 11:00 |Por: Cleide de Paula

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O índice de consumidores que pretendem efetuar uma compra de bens duráveis no período de abril a junho de 2016 é 40,2%, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (IBEVAR) em parceria com o PROVAR (Programa de Administração do Varejo), da FIA (Fundação Instituto de Administração). Este indicador é o mais baixo registrado para um segundo trimestre desde 2002. Se comparado ao mesmo período de 2015, ocorreu queda de 6,4 pp. (pontos percentuais). Houve ainda retração na intenção de compra dos e-consumidores: agora, ela é de 80,9% (no primeiro trimestre deste ano foi de 83,20%, uma redução de 2,3 pp).

De acordo com o presidente do IBEVAR, Prof. Claudio Felisoni de Angelo, os números eram previstos devido ao cenário econômico atual, que apresenta altas taxas de juros, inflação acima do teto da meta estabelecida pelo governo e pelo aumento do desemprego. “Todos os fatores são reflexos do momento de incertezas pelo qual passa o nosso país”, afirma.

A redução também foi comprovada em relação ao valor médio das expectativas de gastos com bens duráveis: passou de R$ 2.540,00 no mesmo trimestre de 2015 para R$ 2.327,00 agora. Entre os principais itens de intenção de compra estão respectivamente: vestuários e calçados (18%); linha branca (7,2%); móveis (5,4%); automóveis e motos (5,0%) e viagens e turismo (3,8%).

No orçamento familiar mensal, depois dos demais gastos, sobram agora 6% – no primeiro trimestre deste ano este número era de 11%. Para o diretor vogal do IBEVAR, e um dos responsáveis pelo estudo, Prof. Nuno Fouto, “isto é um reflexo da queda da renda média real da população brasileira”.

Também fazem parte do estudo as categorias intenção do uso do crediário e inadimplência, que, apesar de não serem bens, são de interesse de um grande número de varejistas e podem servir como indicadores da confiança do consumidor na economia do país. Outra informação a ser considerada diz respeito às categorias de material de construção, móveis, telefonia e celulares, eletroeletrônicos, eletroportáteis, e cama, mesa e banho.

Estes são apenas alguns dos resultados apresentados pela pesquisa, a 67ª de uma série de estudos desse tipo na área do comportamento do consumidor, cuja primeira edição foi realizada no 4º trimestre de 1999. As principais questões investigadas pelo estudo são a intenção de gastos e de compras de bens duráveis e semiduráveis para o período e a pretensão de utilizar crediário para a realização de compras, bem como as lojas onde o consumidor pretende efetuá-las. “Deve-se ressaltar que, mais do que realizar previsões sobre demanda, pretende-se apontar tendências. As instituições envolvidas desenvolvem este estudo com a preocupação de gerar uma série temporal de dados, permitindo, desse modo, a realização de inferências e comparações sobre a confiança das famílias com os rumos da economia”, explica o Presidente do IBEVAR.

Os dados apresentados são obtidos por meio de uma pesquisa de campo. Nas abordagens, realizadas na rua, os participantes foram indagados sobre os produtos que pretendiam comprar nos próximos três meses, em relação às seguintes categorias de produtos: linha branca; móveis; eletroeletrônicos; material de construção; informática; cine e foto; telefonia e celulares; cama, mesa e banho; eletroportáteis; vestuário; calçados; viagens de turismo; automóveis e motos; e imóveis.

 

RESUMO DOS DADOS

  • Queda da renda média real de 6,7% (dezembro 2015 – dezembro 2014)
  • Queda do emprego de 3,4% (janeiro 2016 – janeiro 2015)
  • Queda de massa salarial de 6,5% (2015-2014)
  • Aumento da taxa de juros – 12 pp (janeiro 2016 – janeiro 2015)
  • Baixo nível de disponibilidades para compras (comparação em relação à série)
  • Aumento da insegurança com o emprego
  • Redução do valor real poupado e queda na proporção das pessoas que pouparam
  • Redução real das vendas estimadas do varejo ampliado dessazonalizadas de 2,2% para o segundo trimestre de 2016 em relação ao primeiro trimestre deste ano

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